Como o cigarro afeta a pele?

27 Fevereiro, 2020
O cigarro afeta a pele de várias maneiras. Ele prejudica notavelmente a sua aparência e contribui para o envelhecimento precoce. Também causa doenças graves, como o câncer de pele.
 

O cigarro afeta a pele daqueles que fumam, mas também daqueles que recebem a fumaça passivamente. Lembre-se de que o cigarro contém cerca de 4000 componentes tóxicos, dos quais pelo menos 300 são altamente perigosos e podem ter efeitos dermatológicos.

Em um primeiro momento, o cigarro afeta a pele porque gera efeitos estéticos indesejáveis. Embora cause danos à pele de todo o corpo, os efeitos são mais visíveis no rosto. Existe até um padrão que define o “rosto do fumante “.

No entanto, a maneira como o cigarro afeta a pele não se reduz apenas aos seus efeitos estéticos. Em alguns casos, o hábito de fumar causa doenças graves, como o câncer de pele. O bom é que, se alguém parar de fumar a tempo, a médio ou longo prazo os efeitos serão revertidos. 

Como o cigarro afeta a pele

Homem fumando

O primeiro efeito biológico do cigarro na pele ocorre devido ao aumento dos radicais livres. Estes são elementos químicos que danificam a membrana celular. Eles chegam a alterar a informação genética e a gerar anormalidades nas arteríolas da derme e epiderme.

Sob essas condições, a irrigação e a nutrição da pele são comprometidas. Esta se vê privada de oxigênio e nutrientes essenciais, o que leva à desidratação e ao ressecamento.

 

A nicotina também contém um componente chamado vasopressina, que aumenta a pressão sanguínea e reduz o estrogênio. Os baixos níveis de estrogênio aumentam o ressecamento.

Por outro lado, o consumo de tabaco diminui a absorção de vitamina A e altera a elastina e o colágeno. O resultado de tudo isso é uma pele seca, com baixa luminosidade e rugas mais pronunciadas.

O rosto adquire uma cor cinza-amarelada, e as maçãs do rosto se tornam mais proeminentes. Às vezes, surgem manchas roxas. Além disso, o cabelo fica seco e quebradiço.

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Envelhecimento precoce

Uma das manifestações mais óbvias da maneira como o cigarro afeta a pele é o envelhecimento precoce. Este é mais visível nas mulheres do que nos homens, e é evidenciado com uma intensidade especial após os 39 anos de idade.

As rugas dos fumantes são diferentes das dos não fumantes. Os sulcos são mais estreitos, profundos e mais pronunciados. Os contornos das mesmas também são muito mais marcados.

Um dado estatístico indica que as rugas de alguns fumantes com idade entre 40 e 49 anos são semelhantes às de um não-fumante de 60 a 70 anos.

As rugas geralmente são mais marcadas ao redor dos olhos e no lábio superior, também por causa da posição que o rosto adota ao fumar. O envelhecimento precoce deve-se principalmente ao fato de o cigarro acumular resíduos de elastina na derme, o que leva à degeneração do colágeno e, em seguida, à formação de rugas. 

 

O cigarro afeta a cicatrização da pele

Ferimento na pele

Os problemas de cicatrização são outra das formas por meio das quais o cigarro afeta a pele. A fumaça altera a oxigenação dos tecidos, reduz a circulação e intoxica o sangue. A consequência disso é que as feridas, principalmente as cirúrgicas, levam mais tempo para cicatrizar.

Fumantes com úlceras crônicas, principalmente nos membros inferiores, apresentam uma evolução mais instável e dificuldade de cicatrização. Pessoas que fumam um maço de cigarro diariamente têm três vezes mais chances de desenvolver necrose em uma ferida do que os não-fumantes.

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Outros problemas

Existem muitas doenças dermatológicas que são desencadeadas ou agravadas quando a pessoa fuma. Entre elas, podemos citar:

  • Alopecia ou perda de cabelo
  • Psoríase
  • Hidradenite supurativa
  • Eczema crônico das mãos

O cigarro também deixa uma pigmentação amarelada nas unhas e nos dedos, bem como nos dentes, nos quais a placa bacteriana aumenta. O calor do cigarro na boca produz uma microagressão que pode eventualmente levar ao câncer de lábio. 80% das pessoas com esse tipo de câncer são fumantes.

 

O cigarro é um potencial gerador de câncer de pele não melanoma. Especificamente, pode causar carcinoma espinocelular, uma condição duas vezes mais comum em quem fuma. Também pode levar ao câncer de mucosa oral e aumentar o risco de metástase.

Rampoldi, R., Querejeta, M., & Larreborges, A. (2005). Efectos del tabaco sobre la piel. Act Terap Dermatol, 28, 32-39.