Como identificar se seu filho tem atraso psicomotor

20 de outubro de 2019
Cada criança tem seu próprio ritmo de desenvolvimento. No entanto, se levar muito tempo para atingir certas habilidades, um especialista pode diagnosticar um atraso psicomotor. A estimulação precoce é vital para ajudar a criança.

Ficamos muito emocionados no dia em que nosso bebê sorri, senta, engatinha ou fica de pé. Nos primeiros 5 anos de vida, as crianças atingem diferentes indicadores de desenvolvimento. Entretanto, quando não os alcança no tempo previsto, os pais procuram angustiados o pediatra para saber se seu filho tem algum atraso psicomotor.

Somente um neuropediatra pode diagnosticar um atraso psicomotor. Depois de fazer os estudos correspondentes, poderá fazer o diagnóstico e estabelecer a terapia de que a criança precisa. Assim, poderá desenvolver suas habilidades e capacidades fundamentais.

O que causa um atraso psicomotor?

Controles com o pediatra para observar atraso psicomotor

Graças ao teste do pezinho, é cada vez menos frequente bebês com atraso psicomotor causado por doenças congênitas. Este simples exame de sangue permite que essas doenças sejam detectadas e tratadas precocemente, antes que o cérebro da criança, o desenvolvimento físico e locomotor sejam afetados.

O teste do pezinho é realizado alguns dias após o nascimento. Por meio de uma punção no calcanhar, são extraídas algumas gotas de sangue que permitem detectar os problemas metabólicos que o bebê possa ter. Assim, será possível iniciar o tratamento o mais rápido possível para evitar danos no desenvolvimento futuro.

Mesmo assim, há casos em que há um atraso psicomotor. As causas podem ser, por exemplo, alterações genéticas ou problemas adquiridos no útero ou durante o parto que afetam o desenvolvimento cognitivo e motor.

Não há precisão científica sobre a causa do atraso. Entretanto, um estudo cuidadoso e o acompanhamento do caso podem determinar se o atraso psicomotor é causado ou é a primeira fase de um problema maior, como por exemplo:

  • Doenças extraneurológicas crônicas, como por exemplo, doença celíaca, desnutrição, hospitalizações frequentes e prolongadas, doença cardíaca congênita, etc.
  • O efeito de um déficit sensorial isolado, como surdez neurossensorial.
  • Uma futura deficiência mental leve ou grave.
  • Paralisia cerebral infantil com suas várias formas clínicas.
  • Transtorno do desenvolvimento da coordenação, frequentemente associado ao Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
  • Distúrbio do autismo.

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Como identificar o atraso psicomotor?

Autismo

Uma criança que nos primeiros três anos de vida possui uma sequência lenta ou notoriamente alterada dentro do marco de desenvolvimento pode ter um diagnóstico de retardo psicomotor.

Esse atraso pode ser global, o que afeta não apenas as habilidades motoras, mas também as habilidades de comunicação, brincadeiras ou interação social. Em outras ocasiões, fica evidente apenas em uma área específica.

Há também crianças que mostram os primeiros sinais de desenvolvimento psicomotor dentro dos padrões normais. Entretanto, depois do segundo ano, é quando se torna evidente o atraso na linguagem e a relativa pobreza na maneira como brinca.

O especialista é aquele que pode comparar a evolução da criança com instrumentos como gráficos de desenvolvimento. Além disso, há testes que permitem avaliar se há alguma anormalidade. No entanto, não há exame médico (como uma técnica analítica ou de imagem) que permita confirmar o diagnóstico.

O que os pais podem fazer no caso de atraso psicomotor?

Antes de tudo, é preciso manter a calma, porque a criança precisa do nosso apoio para se superar. O especialista será quem determine o que deve ser feito em cada caso. No entanto, podemos estar atentos aos seguintes sinais:

Aos 2 meses

  • O bebê não responde a ruídos fortes.
  • Não acompanha com a vista as coisas que se movem.
  • Não sorri para as pessoas.
  • Quando está de bruços com a cabeça para cima, não pode mantê-la erguida.
  • Não coloca as mãos na boca.

Aos 4 meses

  • Não acompanha com a vista as coisas que se movem.
  • Não sorri para as pessoas.
  • Tem dificuldade em manter sua cabeça com firmeza.
  • Não coloca coisas na boca.
  • Não emite sons com a boca.
  • Tem dificuldade em mover um ou ambos os olhos em todas as direções.
  • Não empurra com os pés quando está apoiado sobre uma superfície dura.

Aos 6 meses

  • O bebê não tenta pegar as coisas que estão ao seu alcance.
  • Não mostra afeto por quem cuida dele.
  • Não reage aos sons circundantes.
  • Tem dificuldade para colocar as coisas na boca.
  • Não ri ou faz sons quando sente prazer.
  • Não rola em nenhuma direção para virar.
  • Fica rígido e com os músculos tensos ou, pelo contrário, parece débil e flácido.
  • Não emite sons de vogais (a, e o).

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Aos 9 meses

  • O bebê não se senta com ajuda.
  • Não fica de pé com apoio.
  • Não balbucia (ma-ma, pa-pa).
  • Jogar em turnos, como “é a minha vez primeiro, agora é a sua vez”, é algo que não pode fazer.
  • Quando chamado pelo nome não responde.
  • Parece não reconhecer as pessoas próximas.
  • Aponta, mas não dirige seu olhar para onde ele o faz.
  • Não passa os brinquedos de uma mão para a outra.

Aos 12 meses

  • O bebê não engatinha.
  • Não consegue ficar de pé com ajuda.
  • Não procura as coisas que vê quando estão escondidas.
  • Existem gestos como acenar ou sacudir a cabeça que não é capaz de aprender.
  • Não aponta as coisas.
  • É incapaz de pronunciar palavras simples como “mamãe” ou “papai”.

Aos 18 meses

Criança com atraso psicomotor

  • Tem dificuldades para caminhar.
  • Não aponta coisas para mostrá-las a outras pessoas.
  • Não sabe para que servem coisas que comumente são usadas para seus cuidados ou em casa.
  • Seu comportamento não inclui imitação ou cópia do que as outras pessoas fazem.
  • Seu vocabulário é limitado a 6 palavras e, por outro lado, não aprende novos termos.
  • Parece não se importar se a pessoa que cuida dele vai ou volta.

Aos 2 anos

  • Não usa frases de duas palavras. Por exemplo: quero água.
  • Não copia ações ou palavras.
  • Não consegue usar objetos comuns, como escova de dentes, telefone, garfo ou colher.
  • É incapaz de seguir instruções simples.
  • Além disso, caminha com pouca estabilidade.

Aos 3 anos

  • Cai muito ou tem problemas para subir e descer escadas.
  • Não olha nos olhos das pessoas.
  • É difícil para ele brincar com brinquedos simples, como por exemplo, peças para encaixar, quebra-cabeças simples ou virar uma maçaneta.
  • Não usa frases para falar.
  • Não entende instruções simples.
  • A imaginação não aparece em seus jogos e também não imita.
  • Não quer brincar com outras crianças ou com brinquedos.
  • Está sempre babando e não se entende o que diz.

Aos 4 anos

  • Não consegue pular no mesmo lugar.
  • Tem problemas para fazer rabiscos.
  • Não mostra interesse em jogos interativos ou de imaginação.
  • Ignora outras crianças ou não responde a pessoas que não são da família.
  • Recusa-se a se vestir, dormir e usar o banheiro.
  • Não consegue contar sua história favorita.
  • Não segue as instruções de 3 partes.
  • Fala com pouca clareza.
  • Não sabe o que significa “igual” e “diferente”.
  • Tem dificuldade em diferenciar palavras como “eu” e “você” corretamente.

Aos 5 anos

  • Não pode dizer seu nome e sobrenome.
  • Possui dificuldade em expressar uma grande variedade de emoções.
  • Tem comportamentos extremos. Por exemplo: muito medo, agressão, timidez ou tristeza.
  • Apresenta problemas para se concentrar em uma atividade por mais de 5 minutos, além disso, se distrai facilmente.
  • Não responde às pessoas ou o faz muito superficialmente.
  • Não pode distinguir a fantasia da realidade.
  • É muito retraído e passivo.
  • Não participa em uma variedade de jogos e atividades.
  • Não comenta sobre suas atividades ou experiências diárias.
  • Essa criança não pode realizar atividades simples, como por exemplo, escovar os dentes, lavar e secar as mãos ou despir-se sem ajuda.
  • Não desenha.

Para finalizar

A partir do primeiro ano de vida, se a criança perder as habilidades que já havia adquirido, deve ser considerado como um sinal de alerta. Sendo assim, será necessário a atenção imediata do pediatra ou do neuropediatra.

Quando um especialista aponta que há atraso psicomotor, é um diagnóstico provisório, pois é necessário esperar a evolução da criança. Entretanto, se o atraso persistir nos primeiros anos de vida, pode ser o prelúdio para um futuro diagnóstico de retardo mental.

Entretanto, os pais devem manter a calma e apoiar a estimulação precoce do filho. Aliás, é importante evitar se culpar. Qualquer que seja o motivo do atraso psicomotor da criança, precisamos aprender a conviver com isso. Por outro lado, devemos buscar o maior desenvolvimento de suas habilidades e de seu potencial.

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