Como agir quando as crianças mordem

21 de março de 2019
Não é agradável que o professor te diga que seu filho tenha mordido outra criança da sala ou que foi mordido. As crianças mordem porque não sabem como regular emoções negativas que lhes afetam.

As crianças mordem a partir dos 2 a 3 anos aproximadamente. Quando começam a conhecer emoções que antes não tinham (como ira, frustração, raiva ou ciúmes), e não sabem como canalizar o que sentem em uma conduta positiva, o que pode ocorrer é tentarem morder.

Ainda que possa ser um ato que não supõe nenhum problema grave, é bem frequente. As crianças ainda não sabem expressar bem o que sentem e o manifestam mordendo.

Por que as crianças mordem?

Compreender o que há por trás da mordida é o primeiro passo para conseguir que as crianças deixem de ter este comportamento agressivo. Geralmente as mordidas ocorrem quando as crianças estão sob a vigilância ou o cuidado de pessoas desconhecidas e não quando estão com os pais.

Mas, é claro, também acontece quando as crianças mordem os pais ou os irmãos. A mordida expressa algo e é o que devemos averiguar. As crianças mordem porque existem situações dentro de casa que as alteram, estas podem ser:

  • O falecimento de um familiar próximo ou de um progenitor.
  • A chegada de um novo bebê que gera ciúmes.
  • O divórcio ou a separação dos pais.
  • Uma mudança, já não estão na casa conhecida, tudo mudou em seu entorno e perdeu seus referentes.
  • É testemunha de atos de violência familiar.
  • As crianças mordem porque sentem frustração, solidão, impotência.
  • Há uma necessidade de afeto ou de autonomia.
  • Estão muito alvoroçados ou excessivamente estimulados.
  • Por imitação ou mordem porque foram mordidos.
  • As crianças mordem, inclusive para expressar amor.
  • Mordem quando sentem aborrecimento ou medo.

Não deixe de ler: Como evitar que as crianças mordam

O que fazer quando as crianças mordem?

Como agir quando as crianças mordem: diga não

Assim como é comum que as crianças mordam cedo, também é frequente que deixem de fazê-lo à medida que vão crescendo. No entanto, saber que é comum não tranquiliza os pais das crianças que tem este comportamento, ainda menos os pais das crianças que são mordidas.

Mas quando você se ver na situação de ver seu filho morder ou que a professora te informe que seu filho mordeu, recomendamos seguir as estratégias que explicamos a seguir. É uma boa maneira de ajudar seu filho a superar esta etapa o mais rapidamente possível.

Atenda a criança mordida sem ignorar a que mordeu

Com calma e suavidade revise a criança mordida, mas não ignore a criança que mordeu. Atenda primeiro a criança agredida, assegure-se de que não precisa de atenção médica. Em relação à criança agressora, evite que ela atraia toda a atenção.

Envolva a criança que morde no cuidado e da criança agredida, para que possa perceber que sua ação causou dano e dor. Mas, não trate o agressor com frieza, pois somente conseguirá com que a criança se feche e não diga o que causou esse comportamento.

Mantenha a calma e não o castigue

Ainda que seja fácil perder o controle com a criança que começou o problema, você deve manter a calma. Uma resposta violenta, uma reprimenda excessiva ou um castigo somente alimentarão os sentimentos de ira e de frustração.

Com muita calma e suavidade, dê uma explicação simples à criança, para que entenda que morder dói, e não deve voltar a fazer isso, por mais aborrecido que esteja.

Fale com seu filho sobre como agir quando estiver aborrecido

Ensine seu filho que deve buscar ajuda de um adulto mais próximo caso se aborreça. Como as mordidas são mais frequentes em creches e pré-escolas, ensine seu filho que deve aprender a expressar o que não gosta e avisar a professora que está aborrecido. Falar antes de agredir a criança que o aborreceu.

Se outra criança lhe tirou o brinquedo que estava brincando, por exemplo, deve aprender a dizer para a outra criança que não gostou do que fez. Depois avisar imediatamente a professora o que acontecer para que seja esta a resolver a situação.

É claro que é bem importante que você também fale com a professora ou cuidadora. É necessário saber como está canalizando as situações agressivas que as crianças apresentam.

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Use reforços positivos

Algo muito mais efetivo que focar no comportamento agressivo, é reforçar as condutas positivas. A partir dos 3 anos, as crianças desfrutam da companhia de outras crianças. Cada vez que estão brincando tranquilamente com seus pares, elogie seu bom comportamento. “Você brincou tão bem com seu amigo hoje! Isso é muito bom!”

Ao mesmo tempo, fale sobre o ato de morder. Quando estiverem comendo, converse sobre o porquê se morde um pão ou uma fruta (para apreciar seu sabor, para se alimentar), e explique o porquê não se deve morder os amigos.

Nunca morda seu filho

Alguns acreditam que se devolvermos a mordida a criança entenderá que morder é doloroso. Nada mais longe da verdade. A criança que recebe uma mordida de seus pais aprende que é uma conduta admissível para liberar a ira e o aborrecimento.

O exemplo que damos aos filhos é mais contundente do que os argumentos que possamos ensiná-los. Não morda seu filho, nem sequer como parte de um jogo ou brincadeira.

Vigie-o e detenha-o

Como agir quando as crianças mordem: não perca a calma

Enquanto as crianças aprendem a se autocontrolar, temos que estar atentos a quais são os fatores que detonam as mordidas. Desta forma, é possível visualizar quais fatores estão desencadeando o momento no qual as crianças tomam esta represália e evitar que aconteça.

No momento que você ver que seu filho está a ponto de morder, deve ser contundente. Sem perder a calma, aparte-o da situação e explique-lhe por que é ruim o que está fazendo. “É ruim morder, não vou permitir que morda seu coleguinha”.

Para finalizar

Por último, mas na verdade o mais importante, lembre ao seu filho que você o ama. O amor que brinda ao seu filho o ajudará a expressar as razões que o levam a morder e a não se controlar. Deve ficar claro que você desaprova esta conduta, mas que nem por isso o deixou de amar.

 

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0165-1781(03)00136-7

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http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0193-3973(08)00144-5