O que é a broncoscopia e para que é utilizada?

A broncoscopia costuma durar entre 30 e 60 minutos, mas é um processo que requer algum preparo e recuperação posterior, pelo menos por algumas horas. Neste artigo, investigamos as suas indicações e os riscos associados.
O que é a broncoscopia e para que é utilizada?

Última atualização: 11 Abril, 2021

A broncoscopia é um exame diagnóstico usado desde o final do século 19. Ela permite visualizar as vias aéreas a partir das fossas nasais, nasofaringe, laringe, traqueia até os brônquios. Além disso, pode ser usada para tratar certas patologias.

Essa técnica avançou notavelmente com o tempo. Antes era realizada com um tubo de aço rígido. No entanto, agora é usado um dispositivo alongado e flexível que é mais fácil de manusear.

A broncoscopia é um dos pilares fundamentais da pneumologia e é muito utilizada. Portanto, neste artigo explicamos tudo que você precisa saber sobre a técnica e como ela é feita.

Em que consiste a broncoscopia?

A broncoscopia, como já mencionamos ao princípio deste artigo, é um procedimento que permite a visualização das vias aéreas. É feita para diagnosticar ou tratar algumas doenças respiratórias.

Para isso, utiliza-se um aparelho denominado broncoscópio. É um tubo com cerca de 60 centímetros que é inserido através das fossas nasais ou pela boca. Esse tubo possui uma espécie de câmera na ponta que permite visualizar o interior das vias aéreas simultaneamente em uma tela.

Além da câmera, o broncoscópio permite que outros elementos sejam introduzidos na área, como ferramentas para obter amostras de tecido ou remover um corpo estranho da via respiratória. Atualmente, o broncoscópio mais utilizado é o flexível.

Permite atingir certas partes mais inacessíveis dos brônquios e ter uma maior margem de movimento. No entanto, o broncoscópio rígido também ainda é usado, principalmente em casos de sangramento ou quando existe um grande corpo estranho nas vias respiratórias.

Quais são as indicações para a broncoscopia?

Saúde pulmonar
A broncoscopia é uma técnica diagnóstica e terapêutica em pneumologia, ramo da medicina que estuda os pulmões.

A broncoscopia é uma técnica usada com frequência para diagnosticar uma possível doença pulmonar. É por isso que geralmente se realiza em pessoas com sintomas respiratórios, como tosse, falta de ar ou sinais de infecção.

Em geral, é usada quando outros exames de diagnóstico não conseguiram encontrar a causa da patologia subjacente. Além disso, é importante ressaltar que também é uma ferramenta terapêutica. Desta forma, suas principais indicações são as seguintes:

  • Remover corpos estranhos das vias aéreas que as obstruem.
  • Obter amostras de tecido pulmonar ou brônquico: quando se quer identificar a causa de uma infecção ou fazer um diagnóstico histológico.
  • Diagnóstico de câncer: na verdade, segundo um estudo publicado na Revista Cubana de Medicina Militar, uma das melhores funções da broncoscopia é confirmar uma suspeita de patologia oncológica.
  • Deter o sangramento: usando técnicas de laser ou eletrocauterização.
  • Expandir as vias aéreas: que possam estar estreitadas.

Como se realiza o procedimento?

A broncoscopia é uma técnica desagradável para o paciente. O procedimento em si geralmente leva entre meia hora e uma hora. No entanto, esse tempo se prolonga para que o paciente se prepare e se recupere depois do exame.

Para evitar complicações, às vezes se utiliza anestesia geral, principalmente quando se usa o broncoscópio rígido, pois é mais incômodo. Em outros casos, administram-se tranquilizantes para acalmar e relaxar os músculos.

Normalmente, o paciente se senta ou deita em uma mesa de procedimento. Para realizar o exame, controla-se permanentemente a frequência cardíaca e o nível de oxigênio. O broncoscópio pode ser inserido pelo nariz ou pela boca. Deve realizar-se a inserção de maneira lenta e evitando movimentos bruscos.

Em alguns casos, outro tubo é inserido para a administração de solução salina. Ao fazer isso, elimina-se o muco presente nas vias aéreas e, assim, pode-se obter melhores amostras de tecido. Às vezes, como comentamos antes, é possível inserir stents, que são dispositivos dilatadores.

Uma vez especificado o objetivo do procedimento, retira-se o broncoscópio. Para isso, o médico puxa o tubo de maneira suave e paulatinamente.

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Recomendações antes de uma broncoscopia

Embora seja verdade que esse procedimento pode ser realizado com urgência, em muitos casos ele é planejado com antecedência. Nestes casos, é importante levar em consideração tudo o que o profissional recomendar.

Por se tratar de uma intervenção com risco de sangramento, deve-se evitar qualquer medicação anticoagulante dias antes do procedimento. O ideal é usar roupas confortáveis ​​e ir com uma pessoa que acompanhe o paciente.

Embora não seja necessária a anestesia geral em todos os casos, os medicamentos usados ​​para acalmar o paciente podem deixá-lo sonolento ou atordoado. Por isso, é recomendável que alguém o acompanhe após a intervenção.

Durante o procedimento

Como na maioria dos casos não se aplica a anestesia, a pessoa submetida a essa técnica costuma estar acordada e pode colaborar. Portanto, o médico pode fazer perguntas sobre os desconfortos que possam surgir.

Após o procedimento

Após a broncoscopia, é importante permitir um período de tempo para descanso e vigilância. Podem aparecer complicações, como sangramento, nas horas seguintes. Por isso, é fundamental manter o paciente em observação pelo menos por algumas horas.

Além disso, durante esse período, o efeito dos anestésicos diminui. É normal que, quando os efeitos dos calmantes desaparecem, o paciente comece a sentir desconforto e dormência. Não se recomenda comer ou beber nada nas horas posteriores à broncoscopia.

A maioria das pessoas sente alguma dor de garganta ou tosse. No entanto, se sentir dificuldade para respirar, tosse com sangue ou febre, é essencial consultar um médico.

Câncer no pulmão
Quando há suspeita de câncer de pulmão, indica-se uma broncoscopia para confirmar o diagnóstico.

Riscos da broncoscopia

Como qualquer outra intervenção médica, a broncoscopia apresenta riscos. No entanto, as complicações são raras. Na verdade, o mais comum é que derivem da anestesia usada para o procedimento, e não da técnica em si.

Esse procedimento é usado com frequência em crianças. Isso ocorre porque é comum que pequenos objetos sejam engolidos e alojados nas vias aéreas. Por isso é importante destacar que, segundo um estudo publicado na Pediatric Surgery, essa técnica é considerada segura e com grande sucesso de diagnóstico nesta fase da vida.

De acordo com a Clínica Mayo, os possíveis riscos dessa intervenção são sangramento, colapso pulmonar e febre. O sangramento geralmente é autolimitado e se resolve de maneira espontânea. O colapso pulmonar ocorre quando, durante a broncoscopia, perfura-se o pulmão e o ar se acumula ao seu redor.

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A broncoscopia é uma técnica essencial em pneumologia

Este procedimento é relativamente simples e oferece grandes vantagens diagnósticas e terapêuticas. Geralmente não causa complicações e, na maioria dos casos, é realizado sem anestesia geral.

É uma das técnicas mais importantes no diagnóstico do câncer. Também é muito útil em pediatria, pois as crianças costumam ingerir pequenos objetos que ficam presos nas vias aéreas. Além disso, a broncoscopia permite cada vez mais ações terapêuticas.

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