5 mudanças nas relações íntimas após a gravidez

As relações íntimas após a gravidez podem demorar muito para acontecer, já que que as mudanças a nível físico e emocional estão 'à flor da pele'. Além disso, acontecem muitas modificações nos hábitos e costumes do casal.
5 mudanças nas relações íntimas após a gravidez

Escrito por Yamila Papa Pintor

Última atualização: 26 maio, 2022

 A chegada de um bebê muda a vida do casal de forma indescritível. Com a presença do bebê os pais já não têm mais tanto tempo para ficar sozinhos e, se isso acontece, parece que a libido está no chão. Mas quais são as mudanças nas relações íntimas após a gravidez?

No artigo a seguir comentaremos as principais e mais frequentes mudanças, de forma que você não sentirá que eles acontecem apenas com você.

Quando as relações íntimas são retomadas após a gravidez?

Relacionamentos íntimos após a gravidez.

Essa é uma pergunta que muitos pais e mães se fazem, mas que não tem uma resposta específica pois depende de vários fatores. O que é preciso ter em mente é que as coisas já não serão como antes. Isso não significa que elas irão piorar, mas sim que muitas mudanças acontecerão. O sexo não é retomado no dia seguinte ao parto.

A intimidade pós-parto ocorre aos poucos, com muito medo e até mesmo sem desejo. Portanto, paciência e carinho são essenciais. É normal que, pelo menos nos primeiros três meses após o parto, a mulher só pense no filho.

Não existe mais nada ao redor dela (incluindo o parceiro), e a libido é praticamente inexistente. Em alguns casos, esse período dura até o primeiro ano da criança.

Não é recomendável fazer sexo durante a etapa do puerpério, ou seja, do parto até seis semanas depois. Alguns chamam esse momento de ‘quarentena’ pois ele dura mais ou menos quarenta dias, embora o corpo humano não seja algo tão pontual ou exato.

Do ponto de vista médico, esse é o intervalo de tempo de que o corpo feminino precisa para se recuperar do trabalho de dar à luz ao bebê. Se o parto foi por cesariana esse período é encurtado para aproximadamente um mês. Nos partos normais o principal problema são as infecções.

Durante esses dias o útero volta ao tamanho original, as pequenas hemorragias deixam de acontecer e a vagina se recupera do trauma do parto. Às vezes, é aconselhável esperar que as lacerações cicatrizem.

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Quais são as mudanças nas relações íntimas após a gravidez?

Além das questões biológicas e físicas, existem outras razões pelas quais o sexo é adiado após o parto. Estas são as mudanças mais comuns nas relações íntimas após a gravidez:

1. Relações íntimas após a gravidez: perda de desejo sexual

Isso não significa que não haja mais amor entre o casal, muito menos paixão. No entanto, os hormônios femininos estão ocupados cuidando do bebê.

Após o parto a mulher produz muita prolactina (que favorece a lactação) e ao mesmo tempo menos estrógeno, que está relacionado à libido. Portanto, mulheres que amamentam têm menos desejo de intimidade com os seus parceiros.

2. Cansaço e falta de tempo

Cuidar de um bebê recém-nascido é um trabalho de 24 horas, sem férias, fins de semana ou feriados. É normal que, quando a criança adormeça, a última coisa que passa pela cabeça da mãe é fazer sexo. Ela quer descansar! Ou, em alguns casos, realizar trabalhos domésticos ou tomar um bom banho.

E isso também vale para os pais, pois à noite eles não conseguem descansar bem se o bebê acorda a cada duas ou três horas. Tudo isso faz com que as relações íntimas sejam espaçadas.

3. Dores, medo e sensibilidade

Nas primeiras semanas pós-parto e mesmo após o puerpério, a mulher pode continuar a sentir desconforto na vagina, principalmente se o parto foi normal. O medo de que a penetração machuque pode levar a evitar as relações sexuais.

De fato, um estudo realizado por uma equipe de pesquisadores da Universidade de São Paulo investigou essas dores e medos. Eles se concentraram em observar as mudanças e comportamentos de seis mães de primeira viagem durante o pós-parto por meio de entrevistas.

Segundo os pesquisadores as mulheres que participaram do estudo relataram dor, desconforto e dificuldade nas relações sexuais.

Se a dor ou sensibilidade durar mais de três meses é necessário consultar um médico, e também se houver sangramento, ardor ou inchaço genital após o sexo.

4. Dividir o quarto com o bebê

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Durante os primeiros meses os bebês dormem ao lado das mães por uma questão de conforto e principalmente apego. “O ‘coleito‘ é um dos melhores anticoncepcionais que existem”, dizem as pessoas em tom de brincadeira. Mas isso é bastante real.

Embora existam outros espaços da casa onde é possível fazer sexo (como a sala ou a cozinha), o fato de dividir o quarto com o bebê pode ser decisivo para que as mulheres evitem ter relações íntimas com o parceiro.

De fato, segundo o estudo mencionado anteriormente a presença do bebê no quarto durante as relações sexuais era uma preocupação para essas mães. O ato de fazer sexo no mesmo cômodo em que o bebê dorme significa para elas uma falta de respeito pela criança, por isso algumas dessas mães não conseguiram fazer sexo.

5. Ansiedade, depressão e autoestima

Outras mudanças nas relações íntimas após a gravidez estão ligadas ao fator emocional, principalmente da mãe mas também do pai. Ela pode experimentar a famosa depressão pós-parto, sofrer de transtornos de ansiedade por estresse ou falta de sono.

Também existem mulheres que depois do parto se sentem menos atraentes, e isso aumenta a insegurança. Em relação aos homens, alguns sentem ciúme dos filhos por não receberem atenção como antes. Isso pode levá-los a não querer fazer sexo ou até mesmo a serem insistentes demais para fazê-lo.

Ninguém diz que a chegada de um bebê é fácil para o casal. As mudanças são experimentadas desde o primeiro momento em que eles ficam sabendo da gravidez. Por isso é aconselhável ter muita paciência, aceitar que as coisas não serão como antes e não forçar as situações.

Aos poucos as coisas vão se ‘normalizando’ e eles poderão voltar a aproveitar o sexo, talvez não da mesma forma que no início do relacionamento, mas como pessoas mais maduras e responsáveis.

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