Às vezes o que acaba não é o amor, e sim a paciência

5 de fevereiro de 2016
Há momentos em que temos que aprender a valorizar a nós mesmos e saber colocar um ponto final naquelas relações que, longe de nos trazer benefícios, nos prejudicam e não nos permitem crescer.

Não importa o quanto amamos alguém, não importa o tempo que compartilhamos ou os sonhos que construímos juntos. Em algumas ocasiões, o amor, por si só, não é a chave para as relações felizes. Quando não há reciprocidade, compreensão e respeito, a paciência acaba.

Sem dúvida, essa situação é algo que todos nós já experimentamos alguma vez em nossas vidas, com muita dor e sofrimento. Porque dizer adeus a quem foi tão importante em nossa vida é algo que dói, mas é uma necessidade com a qual precisamos aprender.

Quando acaba a paciência, acaba a vontade, acabam as ilusões, e corremos o risco de acabar perdendo a nós mesmos no vazio da frustração e da falta de autoestima.

Não vale a pena. Hoje, em nosso espaço, convidamos todos a refletir sobre isso.

Digo adeus porque a minha paciência atingiu a sua data de validade

a paciência

Há quem caia no erro de pensar que as relações são eternas e que não têm data de validade. Precisamos pensar assim para nos sentir comprometidos, para construirmos esse vínculo baseado em admiração, carinho e respeito. É algo normal.

São muitas as ilusões e projetos que criamos em nossa mente quando mantemos uma relação de casal.

De certa maneira, é como se construíssemos uma relação paralela sobre o que deveria ser, o que esperamos e que, infelizmente, nem sempre se cumpre ou se ajusta a essas expectativas.

Por isso, é necessário levar em conta os seguintes aspectos no que se refere às relações afetivas.

Viva o “aqui e agora” e busque a sua felicidade neste mesmo instante

Em algumas ocasiões, muitos nos transmitem ideias culturais baseadas em tradições erradas e perigosas.

O amor não é “aguentar” todos os dias algo que não gostamos. O amor não é sofrimento, nem ter que esconder as coisas que não gostamos para não fazer mal aos outros.

  • Aproveite o “aqui e agora”. Se neste mesmo instante você se sente feliz e seu coração carrega uma sensação serena e satisfatória, tudo está bem.
  • Se o que você sente neste momento é preocupação e medo, avalie até que ponto a sua relação está sendo benéfica.
  • O amor não são lágrimas, porque quem nos ama nos fará feliz e não triste. Por isso, não hesite nunca em escutar o seu coração e os seus pensamentos.

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A paciência tem um limite: a sua autoestima

Sem saber muito bem como, acabamos cedendo e cedendo em tantas coisas que, no final das contas, deixamos de conhecer a nós mesmos.

  • Você pode perdoar hoje e perdoar novamente amanhã. O perdão é positivo, sempre que exista reciprocidade e sinceridade no arrependimento. Entretanto, a cota de “concessões” é limitada.
  • Cada vez que cedemos em algo perdemos parte de nós mesmos. Renunciar a um hobby, um trabalho ou até deixar de ver determinadas pessoas porque o nosso parceiro sente ciúmes, implica renunciar uma parte da nossa identidade.
  • A nossa paciência tem um limite. E esse limite é a nossa integridade. No momento em que você notar que deu demais e não foi recompensada em nenhuma situação, avalie novamente a sua situação. Talvez seja o momento de tomar uma decisão.

Dizer adeus também é crescer

Dizer adeus a uma pessoa é deixar para trás o nosso modo de vida, é deixar hábitos, costumes, e acima de tudo, a companhia de uma pessoa que, até há pouco tempo, era tão importante quanto o ar que respirávamos.

Pode chegar um instante em que “nos falta o ar”, e apesar de seguir existindo o amor, percebemos que o sofrimento e a desilusão estão prejudicando a nossa saúde física e emocional. É algo perigoso.

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a paciência

É necessário entender que dizer adeus faz parte da nossa vida. Porque a vida são ciclos e são mudanças, e toda mudança exige os seguintes aspectos:

  • Coragem
  • Autoconhecimento: todos sabemos claramente quais são os nossos valores e limites pessoais. É uma linha que não deve ser cruzada nem alterada, para que possamos cuidar da nossa autoestima.
  • Saber dizer adeus implica a necessidade de romper vínculos de maneira definitiva, é um ato de coragem.
  • Integrar um aprendizado: toda relação que termina nos ensina algo. E esses aspectos, longe de serem esquecidos ou lembrados com rancor, devem ser integrados e aceitos para que possamos crescer.
  • Deixar ir sem ódio: terminar uma relação porque acabou a paciência significa romper vínculos sem ódio ou ressentimentos. Porque toda emoção negativa nos faz prisioneiros e nos impede de esquecer.

Não faça isso. Deixe ir com liberdade e sem rancores para poder avançar mais leve pela vida.

  • Farrell, L. (2002). Relationships. BMJ. https://doi.org/10.1136/bmj.324.7330.179a