Trombocitose: sintomas, causas e tratamento

A trombocitose é uma doença da medula óssea e do sangue que afeta aproximadamente duas ou três pessoas a cada 100.000. A maioria dos casos ocorre em mulheres acima de 50 anos. Conheça seus tipos, sintomas, causas e tratamento.
Trombocitose: sintomas, causas e tratamento

Última atualização: 10 Outubro, 2019

A trombocitose é uma doença que se caracteriza por um aumento considerável de plaquetas no sangue.

A contagem normal de plaquetas está entre 150.000 e 450.000 por microlitro de sangue. Se estiver um pouco acima ou abaixo, ainda é normal. Se excederem muito esse número, haverá trombocitose.

As plaquetas são produzidas na medula óssea, a partir de células chamadas megacariócitos. Elas são uma espécie de fragmentos de sangue que não têm núcleo e têm formas irregulares. Desempenham um papel importante na coagulação do sangue, necessário para deter hemorragias.

Portanto, a trombocitose é considerada uma doença da medula óssea e do sangue. Também é conhecida como trombocitemia ou hiperplaquetose. Muitas plaquetas no corpo podem levar a sérios problemas de saúde como, por exemplo, ataque cardíaco ou derrame, entre outros.

Tipos de trombocitose

plasma rico em plaquetas

Basicamente, existem dois tipos de trombocitose: primária ou essencial e secundária. Na trombocitose essencial, a medula produz plaquetas de maneira anormal e sua causa é desconhecida. A trombocitose secundária, por outro lado, é uma consequência de outras doenças como, por exemplo, infecções, câncer, anemia, etc.

Outra maneira de classificar a trombocitose é em três grupos: congênita, adquirida e pseudotrombocitose. A congênita é dada por um padrão de herança e está presente no nascimento. As adquiridas, entretanto, são divididas em dois grupos:

  • Primário: corresponde à trombocitose essencial e é definido como uma neoplasia mieloproliferativa, causada por mutações genéticas. Em muitos casos, a razão pela qual a doença ocorre é desconhecida.
  • Secundário ou reativo: é uma consequência de outras doenças. Corresponde a 85% dos casos; mais da metade deles é devido a infecções.

A pseudotrombocitose, entretanto, corresponde a casos de falsos positivos. Há circunstâncias em que alguns fragmentos citoplasmáticos são confundidos com plaquetas e dão origem a um diagnóstico incorreto.

Sintomas

Na maioria dos casos, a doença não produz nenhum sintoma. Geralmente é detectada acidentalmente quando é realizado um hemograma.

Quando a doença é primária ou essencial, algumas vezes existem sintomas como, por exemplo, dor de cabeça ou no peito, tontura, fraqueza, perda de visão ou visualização de manchas.

Fadiga, suores noturnos e perda de peso também são comuns. A suspeita clínica aumenta se, além disso, houver histórico de abortos espontâneos no primeiro trimestre da gravidez, esplenomegalia ou aumento do baço, sangramento e hipertensão, por exemplo.

Além disso, também é muito característico que exista eritromelalgia na trombocitose essencial. É uma vasodilatação nas artérias das mãos e pés que causa aumento da temperatura nas extremidades, além de prurido, dor e eritema.

Causas de trombocitose

a trombocitose pode ter causas genéticas

Tudo indica que a trombocitose essencial é causada por uma mutação somática adquirida, ou seja, não herdada. Em 50% dos casos, há mutação nos genes JAK2. Em outro número importante de casos, há mutação no gene CARL. Além disso, casos de mutações nos genes MPL, THPO e TET2 também foram encontrados.

Vários desses genes são responsáveis ​​pela produção de proteínas, que têm um impacto decisivo na divisão das células sanguíneas e, em particular, das plaquetas. Acredita-se que a mutação produz os sintomas na trombocitose essencial, mas ainda não se sabe como esse processo é realizado.

Também existem muitos casos em que nenhuma mutação é detectada e, portanto, a causa da forma primária da doença é completamente ignorada. Quanto à forma secundária, é devido às doenças subjacentes que já foram mencionadas.

Tratamento

A trombocitose essencial não requer tratamento, desde que permaneça estável e não haja sinais ou sintomas da doença. Às vezes, o médico pode recomendar a ingestão diária de aspirina para evitar a formação de coágulos sanguíneos.

Se houver histórico ou risco de doença cardiovascular, é mais provável que medicamentos sejam prescritos para diminuir a contagem de plaquetas. Isso também é aconselhável se o paciente tiver mais de 60 anos ou se a contagem de plaquetas for maior que um milhão.

No caso da modalidade secundária, o tratamento consiste no controle da doença que causa a trombocitose. Somente em casos de emergência recorre-se a um procedimento chamado trombocitáférese ou plaquetoferese. Consiste em uma filtragem sanguínea, semelhante à diálise.

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