Tratamentos com células tronco

05 Fevereiro, 2020
Os tratamentos com células tronco são uma tendência já instaurada na medicina. Ainda que existam algumas opções com resultados provados, existem outras que requerem maior pesquisa. De todas as formas, o futuro é promissor.

Cada vez mais ouvimos falar de tratamentos com células tronco. Às vezes, parece que são a solução para todos os problemas de saúde que afetam o ser humano. E outras vezes, escutamos que falta muito desenvolvimento para alcançar a efetividade dessas células.

O certo é que nenhum dos extremos é tão verdade. As células tronco estão sendo pesquisadas intensamente a fim de se extrair seus máximos benefícios. A pesquisa deve continuar, mas já foi iniciada e prossegue.

Em suma, essas células são células do corpo humano que possuem a capacidade de gerar outros tipos de células. São conhecidas como pluripotentes porque, de fato, a partir delas podem surgir células de tecidos diversos.

Uma célula tronco pode se diferenciar progressivamente em um miócito (célula muscular), um osteócito (célula do tecido ósseo), bem como em um neurônio (célula do tecido nervoso). E, dessa forma, são capazes de originar todos os órgãos corporais.

Estas células particulares, com uma função única, encontram-se no corpo desde a gestação. Graças a elas o embrião se desenvolve para se tornar viável e logo crescer. Ainda, é possível encontrá-las em:

  • Embriões: são as células tronco embrionárias e estão presentes em embriões de poucos dias de existência que são chamados blastócitos.
  • Tecidos adultos: quando somos adultos temos um pequeno remanescente dessas células, principalmente na medula óssea. Contudo, não têm a mesma capacidade de se transformar em tantas células como as embrionárias.
  • Laboratório: existe uma técnica de laboratório que experimenta convertendo células normais dos tecidos adultos em células pluripotentes. São induzidas mediante mecanismos genéticos. Em suma, trata-se de uma reprogramação da função celular.
  • Tecidos perinatais: no sangue do cordão umbilical e no líquido amniótico que rodeia o feto durante a gravidez já foram encontradas essas células.

Como funciona o tratamento com células tronco?

Os tratamentos com essas células buscam reparar um tecido que esteja danificado. Basicamente é essa a utilidade principal.

Por isso, aproveitando a capacidade de regeneração que podem trazer, são investigadas como substitutas dos transplantes. Imagine que ao invés de transplantar um órgão, fossemos capazes de ‘fabricar’ um órgão novo a partir dessas células.

A intenção é colocá-las em tecidos danificados para incitá-las a recriar esse tecido com elementos novos. Em resumo, seriam reparadoras do corpo humano. Para isso, é necessário guiá-las para a produção de determinadas partes, e isso é o que estão pesquisando nos laboratórios.

Os tratamentos com células tronco poderiam reparar um coração danificado por um infarto, um fígado lastimado pela cirrose e até ossos fraturados por traumatismos. Em suma, as possibilidades que se abrem na medicina são quase infinitas. 

Ademais, adiciona-se a expectativa de ter a cura de situações que hoje parecem incuráveis ou difíceis de tratar. A doença oncológica melhoraria seu prognóstico notavelmente em curto prazo.

ADN células tronco

Os transplantes poderiam ser substituídos pela inclusão de células tronco nos tecidos danificados.

Confira também os: Cuidados após um transplante de córnea

Problemas do tratamento

Infelizmente, o marketing tem espalhado falsamente benefícios que ainda não foram comprovados. Agências governamentais de transplantes advertem que é necessário se informar de forma correta sobre esses tratamentos antes de iniciá-los.

Os pesquisadores comprovaram que guiar uma célula tronco para a formação de determinado tecido não é tão fácil. Em alguns experimentos a guia não funcionou e espontaneamente foram formados outros tecidos. Em suma, isso seria um risco.

Ainda, podem existir reações de rejeição pelo organismo receptor das células inseridas. Como todo objeto externo que ingressa, o sistema imune que não o reconhece pretende expulsá-lo. Nos transplantes essas reações podem ser graves.

Infusão intraóssea: cuidados posteriores a esta técnica

O transplante de medula óssea é um dos mais próximos à pesquisa com células tronco.

Saiba: Como se transformar em um doador de medula óssea

Alguns exemplos de tratamentos com células tronco

Apesar dos possíveis efeitos adversos e das limitações atuais, já existem tratamentos possíveis com essas células. De fato, desde a década de 1970, pratica-se o transplante de células tronco de medula óssea para certos linfomas, por exemplo.

No entanto, é possível mencionar outros tratamentos de sucesso:

  • Pele para queimados: há mais de trinta anos se pratica a formação de pele para grandes queimaduras. Trata-se de uma pele que é imperfeita, já que em sua formação não aparecem glândulas, mas são uma grande ajuda em queimaduras extensas. Não é uma técnica que é aplicada sempre, nem que seja possível de ser realizada por qualquer equipe médica.
  • Leucemias infantis: as células tronco do cordão umbilical podem ajudar crianças com leucemia. Contudo, nos adultos sua aplicação não é tão efetiva.
  • Reparação de córnea: existem células pluripotentes no limbo do globo ocular que podem gerar tecido da córnea novo. Se, por exemplo, o paciente lesiona o olho perdendo parte da córnea, seria possível entregá-lo uma parte de córnea nova que substitua a perda para devolvê-lo uma visão completa.

De fato, ainda falta muito para ser pesquisado sobre os tratamentos com células mãe. Contudo, muitos achados sugerem que no futuro podem se converter em um tratamento promissor contra doenças graves. 

  • Hernández Ramírez, Porfirio, and Elvira Dorticós Balea. “Medicina regenerativa: Células madre embrionarias y adultas.” Revista Cubana de Hematología, Inmunología y Hemoterapia 20.3 (2004): 0-0.
  • Prosper, Felipe, et al. “Trasplante celular y terapia regenerativa con células madre.” Anales del sistema sanitario de Navarra. Vol. 29. Gobierno de Navarra. Departamento de Salud, 2006.
  • Reya, Tannishtha, et al. “Stem cells, cancer, and cancer stem cells.” nature 414.6859 (2001): 105.