Tratamento da hiperinsulinemia

20 Outubro, 2020
A hiperinsulinemia é um estágio metabólico intimamente associado a várias patologias crônicas; portanto, pode ser perigosa. A seguir, falaremos tudo sobre o seu tratamento.

Existem muitos sinais e sintomas relacionados a certas doenças metabólicas. É o caso, por exemplo, do aumento dos níveis de insulina, que está associado à diabetes mellitus tipo 2. Embora pareça muito alarmante, o tratamento da hiperinsulinemia é bastante simples.

É importante lembrar um pouco sobre as funções da insulina. Este é o hormônio responsável por regular os níveis de glicose no sangue. Portanto, será ele que irá induzir a entrada de açúcar nos músculos e demais tecidos periféricos.

O que é a hiperinsulinemia?

Apesar de muito conhecida, é bastante difícil definir com precisão o que é a hiperinsulinemia. Às vezes, descreve-se essa patologia como um excesso de insulina no sangue. No entanto, é difícil determinar quando estamos na presença dessa doença, uma vez que não existem valores de referência.

Na maioria dos casos, diagnostica-se essa condição quando se realizam exames para outras doenças. Realiza-se o diagnóstico comparando os níveis de glicose no sangue e a quantidade de insulina durante o jejum.

Por outro lado, os sintomas dessa alteração hormonal não são muito precisos. Quando se lida com níveis elevados de insulina, é comum observar hipoglicemia, ou seja, valores baixos de glicose no sangue. No entanto, a hipoglicemia não é específica, pois pode ser encontrada em várias patologias.

Entre outros sintomas que as pessoas com hiperinsulinemia podem apresentar, destacam-se os seguintes:

  • Desejo de ingerir açúcares e carboidratos.
  • Ganho de peso e dificuldade em perdê-lo depois.
  • Fadiga e falta de motivação.
  • Falta de concentração.
  • Aumento do apetite.
Mulher correndo ao ar livre
A prática de exercícios é uma medida importante para conter a hiperinsulinemia.

Tratamento da hiperinsulinemia

O tratamento da hiperinsulinemia é muito semelhante ao da diabetes mellitus tipo 2. Em ambas as patologias, o foco é iniciar uma abordagem com a intenção de buscar uma mudança no estilo de vida do paciente. Em geral, trata-se de que essas pessoas adotem formas cotidianas mais ativas e saudáveis.

Mudanças na dieta

A primeira coisa que se indicará às pessoas com hiperinsulinemia será uma dieta saudável e com poucas calorias. O ideal costuma ser perder um pouco de peso. Na verdade, foi demonstrado que reduzir entre 5 e 10% do peso corporal é suficiente para melhorar várias condições metabólicas.

Recomenda-se uma diminuição notável no consumo de carboidratos com a finalidade de reduzir a glicemia no sangue. Por sua vez, também é importante reduzir ao máximo o consumo de gorduras saturadas e trans. O ideal é manter uma ingestão diária de menos de 7% de gordura saturada e menos de 1% de gordura trans.

Por outro lado, é necessário aumentar a ingestão de alimentos ricos em fibras, como cereais, frutas, verduras e grãos. Além disso, é importante aumentar o consumo de gorduras monoinsaturadas e ômega 3. A porção diária de proteína deve ficar em torno de 20%.

Isso também pode te interessar: Como mudar a dieta para controlar o diabetes tipo 2

Exercícios e perda de peso

Este aspecto complementará a alimentação saudável e aumentará a perda de peso. Está comprovado que as mudanças na dieta e uma leve perda de peso reduzem em 58% as chances de desenvolver diabetes mellitus tipo 2 após a hiperinsulinemia.

Nesse sentido, fazer exercícios aeróbicos por 30 ou 40 minutos, 4 vezes por semana, traz grandes benefícios à saúde. Além disso, é importante não tirar mais de 2 dias de folga entre os treinos. Isso é importante para obter melhores resultados.

É importante lembrar que, se você for uma pessoa muito sedentária, o exercício deve começar de forma leve e ir aumentando à medida que as suas condições físicas forem melhorando.

Descubra: Exercícios para treinar todo o corpo e perder peso

Redução de estresse

O estresse psicológico afeta o organismo. Essa condição pode causar uma liberação excessiva de glicose na corrente sanguínea e, consequentemente, uma secreção extra de insulina. Quando o distúrbio se torna constante, ele favorece a hiperinsulinemia.

Portanto, pelo que comentamos, dentro do tratamento da hiperinsulinemia, recomenda-se a redução do estresse. Sempre haverá indicação para que as pessoas tentem levar uma vida menos agitada e encontrar formas de relaxar.

Tratamento farmacológico e cirúrgico para a hiperinsulinemia

Às vezes, as mudanças no estilo de vida podem não ser suficientes para reverter o processo de hiperinsulinemia. Nestes casos, será necessário iniciar um tratamento farmacológico e adaptá-lo à situação de cada paciente.

Entre os fármacos que podem ser administrados, encontramos:

  • Inibidores da secreção de insulina.
  • Dextrose ou estimulantes da liberação de glicose.
  • Inibidores do efeito da insulina.

Às vezes, a hiperinsulinemia pode ser causada por um tumor pancreático produtor de insulina. Nesses casos, deve-se adotar uma abordagem um pouco mais agressiva, inclusive com a realização de uma cirurgia de pâncreas.

Saúde do pâncreas
Os tumores pancreáticos são uma causa menos comum de hiperinsulinemia que requer cirurgia.

O tratamento da hiperinsulinemia e o estilo de vida

Como você pode ver, o diagnóstico de hiperinsulinemia é muito complexo, por isso muitas vezes ele passa despercebido. No entanto, o protocolo de tratamento é fácil de aplicar. Na maioria dos casos, uma mudança radical em direção a um estilo de vida mais saudável melhorará consideravelmente a situação.

Dessa forma, todas as pessoas com hiperinsulinemia devem tentar melhorar a alimentação, aumentar a prática de exercícios físicos e reduzir o estresse. Tudo isso fará com que os níveis de glicemia caiam e, consequentemente, diminuirá a secreção de insulina.

  • Madonna R, De Caterina R. Aterogénesis y diabetes: resistencia a la insulina e hiperinsulinemia. Revista Española de Cardiología. 2012;65(4):309-313.
  • Fung J, Berger A. Hyperinsulinemia and Insulin Resistance: Scope of the Problem. Journal of Insulin Resistance. 2016;1(1).
  • Perez de Inestrosa B, Vallecillos Perez M, Torres A, Molina Perez M. Obesidad e hiperinsulinismo. Medicina General y de la Familia. 2014;3(1):5-7.
  • Tovar, Alejandro Pinzón, and Samuel Yucumá Gutiérrez. “Hiperinsulinismo endógeno diagnosticado como epilepsia.” Revista Colombiana de Endocrinología, Diabetes & Metabolismo 3.1 (2017): 51-55.
  • Turcios Tristá, Silvia Elena, et al. “Hipoglucemia por hiperinsulinismo endógeno.” Revista Cubana de Endocrinología 30.2 (2019).
  • Cabezas-Zábala, Claudia Constanza, Blanca Cecilia Hernández-Torres, and Melier Vargas-Zárate. “Aceites y grasas: efectos en la salud y regulación mundial.” Revista de la Facultad de Medicina 64.4 (2016): 761-768.
  • Tárraga López, Bárbara María. “Revisión de los efectos de la dieta cetogénica sobre enfermedades derivadas de la hiperinsulinemia y de la inflamación crónica de bajo grado.” (2019).
  • Rojas, Joselyn, et al. “Insulinorresistencia e hiperinsulinemia como factores de riesgo para enfermedad cardiovascular.” Archivos Venezolanos de Farmacología y Terapéutica 27.1 (2008): 30-40.
  • Burgos SJ, Luis. “Tumores neuroendocrinos del páncreas.” Revista médica de Chile 132.5 (2004): 627-634.
  • DEL SÍNDROME, G. D. E. “Consenso Mexicano sobre el tratamiento integral del síndrome metabólico.” Rev Mex Cardiol 13.1 (2002): 4-30.