Os 3 tipos de daltonismo

Nem todos os daltônicos percebem as cores da mesma forma, uma vez que essa condição conta com várias manifestações diferentes. Mostraremos quais são elas e as características de cada uma.
Os 3 tipos de daltonismo

Última atualização: 19 janeiro, 2022

O daltonismo é uma condição ocular caracterizada pela dificuldade em perceber os comprimentos de onda das cores. A maioria dos casos se desenvolve por fatores genéticos, embora também seja possível manifestar daltonismo devido a interações ambientais. Como existem vários tipos de daltonismo, estar ciente de cada um deles e das diferenças ajuda bastante.

De fato, essa condição não é homogênea em suas manifestações. O National Eye Institute distingue três tipos de daltonismo e estes, por sua vez, têm vários subtipos. Nem todo paciente diagnosticado com a doença percebe as cores da mesma forma, o que deve ser levado em consideração para evitar preconceitos e clichês. Nas linhas a seguir distinguimos as variações e características de cada um.

Principais tipos de daltonismo

De forma geral três tipos de daltonismo são distinguidos: vermelho-verde, azul-amarelo e completo ou total. Essas categorias não são específicas, mas possuem subcategorias que descrevem as possibilidades de manifestação dentro de cada uma.

O daltonismo é provocado por um defeito nos cones da retina (células especializadas) para coletar ou interpretar os comprimentos de onda da cor. Seja porque eles não funcionam ou porque não existe nenhum. A seguir mostraremos os tipos de daltonismo para que você possa distinguir as diferenças entre eles.

Daltonismo vermelho-verde

Tipos de daltonismo e suas consequências.
O daltonismo pode comprometer as pessoas de várias maneiras, devido à dificuldade de realizar as atividades diárias.

O daltonismo vermelho-verde é a manifestação mais comum dessa condição em todo o mundo. Segundo estudos ele atinge até 8% dos homens de ascendência europeia, percentual que cai para 0,4% no caso das mulheres.

Quem sofre dessa variação tem dificuldade em distinguir os tons de vermelho e verde devido à ausência ou mau funcionamento dos fotorreceptores. Esses genes são codificados no cromossomo X, de forma que isso explica por que o daltonismo é mais comum em homens. Os seguintes subtipos são distinguidos:

  • Deuteranomalia: É o tipo mais comum de daltonismo vermelho-verde e afeta as pessoas fazendo com que a cor verde adquira um tom mais fraco, embora ainda possam ser diferenciados algumas tonalidade. Isso significa que com muita luz o verde será percebido como muito próximo do vermelho, e com menos iluminação ficará próximo do preto ou marrom (os tons escuros do verde). Ele também é conhecido como daltonismo de Dalton.
  • Deuteranopia: as pessoas com esta variação apresentam dificuldade em distinguir os comprimentos de onda da cor vermelha, amarela e verde. Isso ocorre porque elas não possuem fotorreceptores para a cor verde ou estes não funcionam corretamente. Portanto, essas pessoas não são capazes de discriminar essa cor em relação às mencionadas. O espectro de cores é quase totalmente assimilado em tons de amarelo e azul.
  • Protanomalia: quem sofre dessa variação tem uma mutação no fotorreceptor para o comprimento de onda do vermelho, o que significa que ele é interpretado de forma mais fraca. Com muita luz o vermelho se aproxima de tons de verde, o rosa intenso do cinza e roxo intenso ao azul, entre outros.
  • Protanopia: neste caso os pacientes não possuem os fotorreceptores para a cor vermelha, o que faz com que ela seja confundida com verde, amarelo ou cinza, dependendo da tonalidade e da ausência ou presença de luz. Por exemplo, os tons de violeta, lavanda e roxo são indistinguíveis do azul e o vermelho do semáforo é percebido como apagado.

De forma geral podemos dizer que a deuteranomalia e a protanomalia são as formas mais brandas do daltonismo vermelho-verde. A maioria das pessoas não tem complicações no dia a dia, muitas delas até desconhecem que são daltônicas. A deuteranopia e a protanopia são as variações mais sérias e podem criar complicações moderadas na percepção da realidade.

Daltonismo azul-amarelo

O daltonismo azul-amarelo é o segundo dos tipos mais comuns de daltonismo. Ele também é conhecido como daltonismo Tritan, uma vez que o nome anterior pode ser enganoso. Na verdade as pessoas que sofrem com esta variação têm dificuldade em distinguir a cor azul e os tons de verde-azulado.

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Eles também têm problemas para distinguir entre tons de amarelo e vermelho. Embora possa ser hereditário, muitas pessoas desenvolvem este tipo de daltonismo devido a problemas oculares ou pela degeneração natural provocada pela idade. Dois subtipos são distinguidos:

  • Tritanomalia: Pessoas com este tipo apresentam uma imperfeição nos fotorreceptores do pigmento azul, fazendo com que ele seja percebido em tons claros ou mais fracos. Essa é uma forma rara de daltonismo que afeta homens e mulheres em proporções iguais. As pessoas com esta variação apresentam dificuldade em diferenciar entre azul e verde e vermelho e roxo.
  • Tritanopia: os pacientes com esse tipo não possuem fotorreceptores do comprimento de onda azul, portanto, eles não conseguem distinguir essa cor. O indivíduo não será capaz de diferenciar entre o azul e o verde, o roxo e o vermelho e o amarelo e rosa, entre outras combinações.

Como nos tipos anteriores de daltonismo, a diferença está na anomalia do cone em receber o comprimento de onda (que é percebido com menos brilho, mais opaco ou menos intenso), a ausência total deste ou que ele não funcione (o que impede a identificação da cor, independentemente da tonalidade).

Daltonismo completo ou total

Os tipos de daltonismo e diagnóstico dos mesmos.
Para a determinação exata do tipo de daltonismo é importante consultar um oftalmologista.

O daltonismo completo ou total se trata da incapacidade em distinguir as cores do espectro do comprimento de onda. Ele não está relacionado à agnosia de cores, condição na qual o paciente não consegue perceber ou interpretar as cores, embora seu olho seja capaz de distingui-las fisiologicamente.

Esse é o tipo menos comum de daltonismo uma vez que, de acordo com os especialistas, apenas 1 em 30.000 pessoas o manifesta. Como no caso anterior ele pode se desenvolver em diferentes graus (leve, moderado ou grave), mas geralmente dois subtipos são distinguidos:

  • Monocromia de bastonetes: Frequentemente denominada de acromatopsia, essa variação se distingue pela ausência de cones na retina. Além de não conseguir distinguir as cores, as pessoas têm problemas para enxergar em contextos de intensidade de luz moderada e alta (a visão delas é melhor quando há menos luz no ambiente).
  • Cone monocromático: os indivíduos com esta variação possuem bastonetes e cones. Eles também manifestam sensibilidade à luz e uma acuidade visual reduzida, mas menos que no caso anterior. Dependendo da gravidade do quadro os pacientes podem distinguir diferenças no brilho, mas não nas tonalidades.

De forma geral, uma pessoa com daltonismo total percebe a realidade em diferentes tons de cinza. Essa é a forma mais grave da doença, embora felizmente seja a menos frequente. Ela costuma estar acompanhada por problemas de visão que tornam ainda mais difícil perceber os objetos e coisas.

Com esta última informação concluímos a apresentação dos tipos de daltonismo. Nas formas mais brandas (especialmente nas duas primeiras variações), muitos pacientes não sabem que têm a condição. Frequentemente essa é uma condição estável para o resto da vida, que afeta os dois olhos de forma igual. Se você acha que tem uma variação, não hesite em consultar um especialista.

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