O que é a telemedicina?

24 Agosto, 2020
A telemedicina é um conceito e uma modalidade de atendimento médico já existente. Tem seus defensores e seus críticos. Neste artigo, vamos contar do que se trata e compartilhar quais são suas aplicações.

A definição mais rápida de telemedicina vem de seu significado etimológico, ou seja, do significado do conceito na própria palavra do idioma grego. O prefixo ‘tele’, proveniente do grego, significa ‘distância’.

Portanto, falar de telemedicina é falar de medicina à distância, mais precisamente da prestação de um serviço vinculado à saúde e praticado à distância. Essa definição abre um vasto leque de situações que podem ser consideradas parte da telemedicina.

Desde uma cirurgia realizada por um robô localizado em uma parte do mundo e comandado por um médico que se encontra fisicamente em outro país, até a simples realização de uma webconferência entre profissionais para a discussão de um caso clínico.

Falando sobre um desses exemplos, a operação de robôs cirúrgicos à distância já é possível desde 2001. Naquela data, foi realizada uma colecistectomia – remoção da vesícula biliar – de um paciente francês através de um dispositivo operado por um médico que se encontrava em Nova York.

Mas, antes disso, a comunicação entre profissionais à distância já era uma prática cotidiana. Devemos considerar que, desde meados da década de 1990, as grandes clínicas e grandes hospitais do mundo já contavam com conexões em tempo real para a análise de casos complexos.

Com a internet presente em larga escala, e atualmente com a presença da internet das coisas (no celular, na televisão, nos veículos), foi acrescentado o conceito de ‘ehealth’. Diferentemente da telemedicina, a ehealth envolve necessariamente o uso da internet como meio para a medicina.

Algumas aplicações da telemedicina

Entre os diferentes usos da telemedicina, temos como exemplos mais relevantes:

Histórico médico eletrônico

Diferentemente do clássico e tradicional histórico médico em papel, o potencial de um registro de paciente em suporte eletrônico é enorme.

Com a telemedicina, abriu-se a possibilidade de armazenar históricos médicos em dispositivos eletrônicos e em nuvens na internet, tornando-os acessíveis de qualquer lugar, inclusive para o paciente, com uma senha em casa. A facilidade desse mecanismo melhora a velocidade do atendimento.

Diagnóstico à distância

Graças à telemedicina, é possível que um paciente e um médico façam uma consulta mesmo localizados em pontos geográficos distantes. Ela também possibilita que a interconsulta entre profissionais se torne fluida. Para regiões geográficas com pouca acessibilidade, é uma forma de melhorar a igualdade no acesso à saúde.

Médica atendendo por telemedicina
A telemedicina facilitou tanto diagnósticos quanto procedimentos médicos. Inclusive, atualmente é um fator determinante em questões de educação à distância.

Monitoramento

As ações de controle de parâmetros vitais, como checagem da pressão arterial ou da saturação de oxigênio, não exigem necessariamente que uma pessoa o faça constantemente de forma física.

Com a telemedicina é possível realizar a medição remotamente, economizando recursos e liberando tempo para profissionais, como os enfermeiros, realizarem outras atividades de maior prioridade.

Educação à distância

A formação do recurso humano na área da saúde também se beneficia da telemedicina. Ao contar com uma conexão à internet, é possível assistir a aulas, matérias e até mesmo cursos completos de pós-graduação em qualquer lugar do mundo.

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Vantagens da telemedicina

Agora, vamos discutir quais são, em linhas gerais, as vantagens da aplicação da telemedicina para, em seguida, analisar quais seriam os seus problemas:

  • Redução das desigualdades: as conexões remotas tornam possível que o atendimento médico chegue a pessoas geograficamente isoladas, por exemplo.
  • Aumento da velocidade: como é possível consultar especialistas em outras partes do planeta em minutos, o tempo para chegar ao diagnóstico é reduzido.
  • Maior participação: a telemedicina permite incorporar diferentes visões sobre um processo clínico, e permite fazer isso em tempo real. Assim, é possível enriquecer o caminho em direção à saúde de uma pessoa ou de uma população.
  • Estatísticas: o armazenamento eletrônico de históricos médicos, o registro de vacinação em suportes eletrônicos, os relatórios de efeitos adversos que ficam armazenados na nuvem na internet, aumentam a possibilidade de gerar estatísticas quase em tempo real para saber o que está acontecendo com a saúde. Essas estatísticas são a base para a tomada de decisões em questões de saúde pública.
Consulta remota
A telemedicina tem facilitado a consulta de profissionais independentemente da localização geográfica. Além disso, o tempo para receber o diagnóstico foi reduzido.

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Problemas da telemedicina

Agora, vamos ver quais são as dificuldades atuais da telemedicina:

  • Privacidade: um grande tema de discussão nessa área é a preservação da confidencialidade dos dados. É importante que os históricos clínicos eletrônicos sejam seguros e que o eixo fundamental da relação entre médico e paciente seja respeitado.
  • Ética do atendimento à distância: embora seja realizado por meio de uma teleconferência, o atendimento médico não deixa de ser um ato vinculado à ética dos profissionais. Inclusive, a Associação Médica Mundial tem uma declaração sobre a ética em telemedicina.
  • Infraestrutura fraca: embora os países que mais se beneficiariam com as possibilidades da telemedicina sejam os subdesenvolvidos, também é verdade que, devido às suas condições econômicas, não possuem infraestrutura de redes e conexões suficientes para suportar a telemedicina.
  • Diferenças culturais: tanto profissionais quanto pacientes estão sujeitos a diferenças. Essas diferenças se relacionam a crenças e práticas habituais de atendimento no âmbito da telemedicina. O processo de adaptação pode ser longo e gerar suspeitas.

Em suma, embora algumas desvantagens tenham sido encontradas, a telemedicina oferece vantagens muito importantes em termos de diagnóstico, informação sobre doenças e educação. Provavelmente, vai continuar evoluindo caminhando lado a lado com a tecnologia.

  • Wootton. Twenty years of telemedicine in chronic disease management – an evidence synthesis. J Telemed Telecare, 18 (2012), pp. 211-220.
  • Roca, Olga Ferrer. Telemedicina. Ed. Médica Panamericana, 2001.
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  • Ibáñez, Carlos Ruiz, Ángela Zuluga de Cadena, and Andrés Trujillo Zea. “Telemedicina: introducción, aplicación y principios de desarrollo.” Ces Medicina 21.1 (2007).