Com que frequência é preciso fazer exame de sangue?

12 Abril, 2020
Fazer um exame de sangue é algo simples. Existem indicações médicas precisas a respeito de quem deve fazê-lo e em que momentos da vida ele é importante. Falaremos sobre o tema a seguir.

Ainda que muitas pessoas pensem que não precisam fazer um exame de sangue porque estão saudáveis, este pode ser um hábito importante. Os exames de sangue de rotina são solicitados para detectar patologias precocemente, permitindo ter tempo suficiente para tratá-las.

Existem componentes do nosso sangue que podem mostrar alterações antes que os sintomas correspondentes apareçam. Isso gera uma enorme vantagem para o tratamento e evita complicações no futuro.

Quando o médico pede um exame de sangue de rotina, ele procura sinais de certas doenças que são mais comuns em cada idade. Se o paciente já possui uma doença crônica, a análise de rotina permite ao profissional acompanhar a evolução e efetividade do tratamento estabelecido.

O sangue é usado como um meio de conhecer o estado interno do corpo devido à rapidez dos exames e à sua fácil acessibilidade. Há um grande número de laboratórios, o custo da maior parte das análises é razoável e a sua utilidade é cientificamente comprovada.

Como regra geral, para pessoas que se consideram saudáveis, é necessário fazer um exame de sangue abrangente anualmente. Por outro lado, para pacientes com doenças crônicas, será necessário encurtar esse período, principalmente no início dos tratamentos.

O que é observado em um exame de sangue?

Quando falamos de exames de sangue, estamos nos referindo à realização de testes bioquímicos no tecido sanguíneo. O sangue é um tecido líquido do corpo que viaja através do sistema circulatório, por veias e artérias.

Embora seja líquido, o sangue é formado por dois grupos de componentes:

  • Sólidos: a parte sólida do sangue é composta pelo que conhecemos como elementos figurados. Aqui, podemos mencionar glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.
  • Líquidos: a parte líquida do sangue é o plasma sanguíneo ou soro.

Fazer um exame de sangue
Os exames de sangue de rotina são indicados para determinar se há sinais de doença. Eles também são realizados para avaliar a evolução das patologias existentes.

Alguns testes bioquímicos concentram-se na parte sólida do sangue e analisam suas células. A contagem de glóbulos vermelhos, por exemplo, determina quantas dessas células estão presentes em uma certa quantidade de sangue. Também é possível contar a quantidade de glóbulos brancos e a quantidade de plaquetas.

Além disso, na parte sólida, também é possível fazer uma análise com um microscópio. Os glóbulos vermelhos podem ser maiores ou menores, com deformidades ou com limites particulares que indicam a presença de alguma doença.

Na parte sérica ou líquida, o laboratório possui uma infinidade de parâmetros de medições. O mais comum e rotineiro é medir a concentração plasmática de glicose, creatinina, ureia, ácido úrico e lipídios. Como se não bastasse, também é possível medir a concentração de íons como sódio, magnésio e potássio.

Ao fazer um exame de sangue, a pessoa pode receber informações sobre a concentração hormonal em seu corpo. É comum a solicitação do perfil tireoidiano, para identificar a quantidade de hormônios produzidos pela tireoide.

não menos importantes são as sorologias, nas quais o laboratório busca detectar a presença de doenças infecciosas ou, indiretamente, a presença de anticorpos contra essas doenças.

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Por que é importante fazer exame de sangue em todas as idades?

Certos exames de sangue considerados rotineiros foram estabelecidos para cada estágio da vida. Ou seja, com base na idade de cada paciente, o médico vai solicitar os exames bioquímicos mais adequados.

Esses protocolos foram estabelecidos mundial e nacionalmente com base nas doenças mais frequentes para cada idade. Supõe-se que, executando esses exames na população geral, a maioria das doenças que causam a morte ou alteram a qualidade de vida podem ser detectadas a tempo.

Entre 20 e 35 anos

Embora seja a idade em que a presença de doenças é mais incomum, fazer exames anuais é essencial para evitar complicações futuras. O que é detectado a tempo é sempre mais fácil de ser tratado.

A rotina de exames de laboratório para essa faixa etária inclui hemograma, função renal, status hepático, açúcar no sangue e perfil de colesterol – bom, ruim e triglicerídeos.

Mulheres grávidas

A gravidez é uma situação que requer análises específicas para esse momento e para cada um dos trimestres da gestação.

As diretrizes atuais indicam que a mulher deve fazer pelo menos um exame de sangue por trimestre para, além de medir os parâmetros usuais, rastrear infecções que possam afetar o feto, como toxoplasmose, sífilis, hepatite B e HIV.

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35 a 55 anos

Essa faixa etária precisa intensificar seus controles, pois após os quarenta anos a prevalência de doenças crônicas na população aumenta. Os exames de sangue são combinados com exames de imagem, como mamografia; com testes de anatomia patológica, como exames de Papanicolau; e com exames invasivos, como a colonoscopia.

Os médicos geralmente adicionam aos testes comuns o rastreamento de alterações hormonais, especialmente em mulheres que entram na menopausa.

Depois dos 60 anos

Para os idosos, a prevalência de doenças é muito maior. Muitas pessoas com mais de sessenta anos já sofrem de alguma doença crônica e precisam fazer mais do que um exame de sangue por ano.

Tubo de amostra de sangue
Para cada idade, existem exames de rotina específicos. Com eles, é possível determinar se a pessoa está desenvolvendo doenças que são comuns no seu estágio de vida.

Conclusão sobre a necessidade de fazer exame de sangue

Fazer um exame de sangue faz parte da rotina de controle de uma pessoa saudável. Se existe alguma doença, será necessário realizar o exame bioquímico regularmente para evitar os avanços da patologia.

Ao realizar uma consulta médica, o profissional saberá o que solicitar de acordo com a sua idade e suas condições físicas. Lembre-se de que uma análise oportuna de sangue pode detectar problemas sérios e evitar situações irreversíveis relacionadas à saúde no futuro.

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