T-DM1: o que é e para que serve?

26 Fevereiro, 2020
Estatisticamente, 18-20% dos casos de câncer de mama metastáticos são HER-2+. Isso significa que apresentam uma superexpressão do oncogene HER2. Um novo medicamento foi desenvolvido para tratar este tipo de tumor: o T-DM1. Saiba mais sobre ele a seguir.

O T-DM1 é um medicamento antineoplásico novo, único e seletivo, aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para o tratamento de câncer de mama avançado com HER-2 positivo.

O HER-2 é uma proteína conhecida como “receptor do fator de crescimento epidérmico 2“, que favorece o crescimento de células cancerígenas. O novo medicamento é comercializado sob o nome de Kadcyla.

O T-DM1 é composto por duas substâncias: um fármaco já conhecido, o Trastuzumabe, que é um anticorpo anti-HER2, e uma molécula citotóxica antimicrotúbulos – o DM1.

O fato de ser citotóxica antimicrotúbulos refere-se à capacidade que tem de bloquear a síntese de microtúbulos durante a divisão celular, um mecanismo que veremos em detalhes a seguir.

Eficácia do T-DM1

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Dizer que 18-20% dos casos de câncer de mama metastáticos são HER-2+ significa que são caracterizados por uma superexpressão e/ou uma amplificação do oncogene HER2.

Antes do desenvolvimento de terapias específicas anti-HER2, o prognóstico de pacientes com tumores HER-2+ era significativamente pior que o dos demais. Um oncogene é um gene que, devido à sua capacidade de mutação ou transformação, induz à formação do câncer em uma célula.

No entanto, com o desenvolvimento do Trastuzumabe, aprovado no ano 2000, o mau prognóstico do câncer de mama HER2 + em comparação com o HER2 – foi melhorado.

Em 2014, um segundo medicamento anti-HER2 chegou ao mercado: o Pertuzumab. Este último prolonga ainda mais a sobrevida global no tratamento de primeira linha do câncer de mama avançado HER2 +.

Quanto ao tratamento de segunda linha do câncer de mama avançado HER2+, o único que havia sido aprovado até o momento era a combinação de quimioterapia com Capecitabina e Lapatinib; este último um inibidor da tirosina quinase do HER2/ERGFR.

Em um estudo de registro denominado EMILIA, o tratamento com T-DM1 foi comparado com o tratamento com lapatinib e capecitabina em pacientes com esse tipo de câncer de mama, que haviam sido tratados anteriormente com trastuzumabe e taxano.

Os resultados deste estudo mostraram que o tratamento com o T-DM1 aumentou a sobrevida livre de progressão da doença, aumentou a sobrevida global e teve um perfil de efeitos colaterais melhor tolerado. Além disso, houve um atraso significativo no aparecimento dos sintomas no período até a progressão.

Mecanismo de ação: como o T-DM1 atua no organismo?

Como comentamos, o T-DM1 é formado pela combinação de dois medicamentos: o trastuzumabe e o DM1. O T-DM1 combina os mecanismos de ação desses dois medicamentos:

  • Assim como o trastuzumabe, o T-DM1 é capaz de se ligar ao HER2 e bloquear o crescimento de células tumorais que superexpressam esse fator de crescimento.
  • Apresenta, também, o mecanismo de ação do DM1, pelo qual é capaz de se ligar à tubulina.

Ao inibir a tubulina, impede a divisão da célula cancerígena, o que, por fim, causa morte celular por apoptose. Os resultados dos testes de citotoxicidade in vitro mostram que o DM1 é entre 20 a 200 vezes mais potente que os taxanos e os alcaloides da vinca.

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Reações adversas de T-DM1

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As reações adversas aos medicamentos são todos os efeitos indesejados e não intencionais que podem aparecer de forma esperada devido ao tratamento com um medicamento.

Os efeitos colaterais mais relatados foram náusea, fadiga e dor de cabeça. Eles acometeram mais de 25% dos pacientes. A segurança do T-DM1 foi avaliada em um total de 1871 pacientes com câncer de mama em diferentes ensaios clínicos, e as reações graves mais frequentemente observadas foram:

  • Hemorragia
  • Dispneia (Falta de ar)
  • Dor óssea e muscular
  • Dor abdominal
  • Trombocitopenia (plaquetas baixas)
  • Vômitos

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Conclusão

Os dados relatados pelos estudos mostram que o T-DM1 é um avanço muito importante no tratamento do câncer de mama avançado HER2+. Proporciona uma melhora na sobrevida de pacientes tratados anteriormente com trastuzumabe.

No entanto, apesar desses avanços, a doença metastática HER2+ permanece incurável, e é necessário encontrar tratamentos novos, mais eficazes e melhor tolerados. Portanto, é fundamental dar continuidade aos estudos sobre o câncer de mama.

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