O que é a síndrome de Horner?

01 Março, 2020
A síndrome de Horner sempre surge como consequência de outra doença. Devido a essa síndrome, a pupila do lado afetado do rosto se contrai, sendo este o sintoma mais característico.

A síndrome de Horner é um transtorno pouco comum conhecido como paralisia óculo-simpática, no qual são afetados os nervos do olho e do rosto. Por causa dessa síndrome, a pupila do lado afetado do rosto se contrai, a pálpebra cai e a transpiração nesse mesmo lado é reduzida.

Além disso, a síndrome de Horner ocorre sempre como consequência de outra doença subjacente. Os transtornos mais comuns que costumam originar essa síndrome são:

  • Acidente vascular cerebral
  • Tumor ou lesão da medula espinhal
  • Tumor cerebral

Em algumas ocasiões, não é possível encontrar a causa oculta que a provoca. Nesse caso, dificilmente será possível encontrar uma solução para a síndrome, já que o tratamento para a causa oculta é o que pode restaurar a função nervosa normal.

É bom saber que a síndrome de Horner pode ocorrer em pessoas de qualquer idade. No entanto, como mencionamos antes, ela não é comum.

A síndrome de Horner

Por que acontece?

Fibras nervosas

Para entender por que a síndrome de Horner ocorre, é necessário focar no funcionamento de uma série de fibras nervosas, como por exemplo as fibras relacionadas com a transpiração, as pupilas e alguns músculos ao redor dos olhos.

Estas começam na parte do cérebro chamada hipotálamo e chegam até o rosto e os olhos. Se o percurso dessas fibras nervosas for afetado em qualquer ponto, ocorre a síndrome.

O trajeto que estas fibras nervosas percorrem é realmente complexo. Desde o cérebro, descem pela medula espinhal, saem desta no nível do tórax e voltam a subir pelo pescoço juntamente com a artéria carótida. Em seguida, penetram no crânio e chegam no interior do olho.

O dano causado às fibras nervosas pode ser originado das seguintes causas: 

  • Lesão da artéria carótida, uma das principais artérias que chegam ao cérebro.
  • Lesão nos nervos da base do pescoço, denominado plexo braquial.
  • Crises de enxaqueca.
  • Tumor, acidente vascular cerebral ou danos similares no encéfalo ou no tronco encefálico.
  • Tumor na parte superior do pulmão.
  • Simpatectomia. Trata-se de injeções ou cirurgias para interromper as fibras nervosas e aliviar uma determinada dor.

Existem determinados casos nos quais a síndrome de Horner se desenvolve no momento do nascimento. Este problema pode ser identificada por uma falta de cor e pigmentação da íris. No entanto, se essa síndrome já é reduzida a poucos casos, estima-se que a síndrome congênita afete apenas 1 em cada 6000 nascimentos.

A síndrome de Horner, dependendo da localização e da forma na qual ocorre a lesão oculta, pode ser classificada de quatro formas diferentes: síndrome de Horner central, pré-ganglionar, pós-ganglionar e congênita.

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Sintomas

Pessoa com síndrome de Horner

A síndrome de Horner afeta apenas um lado do rosto. Os sintomas e sinais mais frequentes são:

  • Queda da pálpebra superior.
  • Elevação leve da pálpebra inferior.
  • Miose. Ou seja, uma pupila persistentemente pequena.
  • Anisocoria. Em outras palavras, uma notável diferença no tamanho de ambas pupilas.
  • Dilatação pequena ou retardada da pupila sob o efeito de uma luz leve.
  • Deficiência, e inclusive ausência, de transpiração no lado afetado do rosto.

Esses sintomas nem sempre são detectados facilmente. Além disso, podem se desenvolver de maneira sutil, o que complica o diagnóstico da síndrome.

Sintomas nas crianças

No caso da síndrome se desenvolver em menores, existe uma série de sintomas característicos que podem ser observados. Em resumo, a coloração da íris do olho afetado se torna mais clara, principalmente em crianças com menos de um ano.

Além disso, ocorre uma falta de vermelhidão do lado do rosto afetado. A vermelhidão deveria aparecer com normalidade após um esforço físico, reações emocionais ou calor; no entanto, nesses casos, ela não ocorre.

Diagnóstico e tratamento da síndrome de Horner

Exame ocular

Para realizar o diagnóstico da síndromeos profissionais avaliarão alguns dos sintomas observáveis no exame ocular:

  • Mudanças na contração ou dilatação da pupila.
  • Pálpebra caída.
  • Injeção conjuntival.

O tratamento, como mencionado anteriormente, depende da causa que originou o transtorno. Em resumo, não existe um tratamento específico para a síndrome. Ele começará assim que for identificada a causa que a provocou.

Cabe mencionar que, com relação à síndrome e de forma genérica, a pálpebra cai apenas ligeiramente. Este é o maior obstáculo que a doença provoca na vida cotidiana do paciente.

Além disso, não costumam ocorrer complicações. As que podem aparecer com alta probabilidade estarão relacionadas com a causa oculta da síndrome ou o próprio tratamento.

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