Sialorreia: o que é e qual é o seu tratamento?

A sialorreia é definida como uma perda involuntária e passiva de saliva pela boca. É considerado um problema médico relevante, pois embora não costume causar complicações físicas, traz consequências para a qualidade de vida.
Sialorreia: o que é e qual é o seu tratamento?

Última atualização: 20 Fevereiro, 2021

A sialorreia é o que, na linguagem comum, é conhecido como babar. Esta condição é muito normal em crianças entre 15 e 36 meses. No entanto, é considerada anormal se ocorrer após os 4 anos de idade.

Embora a sialorreia pareça uma condição que afeta apenas a aparência, a verdade é que ela também pode estar associada a graves problemas de saúde, como paralisia cerebral e mal de Parkinson. Também pode ser resultado da gravidez ou da ingestão de alguns medicamentos.

O que é a sialorreia e quais são as suas causas?

A sialorreia é uma doença caracterizada pela incapacidade de reter saliva na boca e fazê-la progredir para o trato digestivo. Também é conhecida como ptialismo e se deve a uma produção excessiva de saliva ou a uma anomalia na forma como ela é processada.

As causas mais comuns da sialorreia são as doenças neurológicas. Entre elas estão, como já mencionamos, a paralisia cerebral e a doença de Parkinson, mas também ocorre em quem sofre de esclerose lateral amiotrófica (ELA), síndrome de Riley-Day e sequelas de infarto cerebral.

Essa condição também é comum em pessoas que usam medicamentos antipsicóticos, hipnóticos ou tranquilizantes. Da mesma forma, é comum que durante a gravidez haja um aumento acentuado da produção de saliva, entre a segunda e a quarta semana de gestação.

Bebê babando
Em crianças pequenas, a baba faz parte do desenvolvimento, por isso é considerada normal.

Não deixe de ler: Por que os bebês babam tanto?

Características do transtorno

Existem três glândulas salivares responsáveis ​​pela produção da saliva: parótida, submandibular e sublingual. A primeira produz uma saliva fina, enquanto as outras duas geram um líquido mais espesso que também é produzido continuamente e muitas vezes é o que causa a asfixia.

Em um dia, é produzido cerca de um litro e meio de saliva, da qual 70% é secretada pelas glândulas submandibular e sublingual. A sialorreia não é uma doença que progride para uma condição mais grave, mas afeta a qualidade de vida.

Não existe um médico especializado no tratamento da sialorreia. Em caso de suspeita, você deve ir a um clínico geral. Ele vai encaminhá-lo para um especialista, dependendo da causa que estiver dando origem ao problema.

Classificação da sialorreia

Do ponto de vista da sua origem, a sialorreia é classificada em dois grupos:

  • Anterior: origina-se de uma deficiência neuromuscular associada à produção excessiva de saliva. Isso faz com que o líquido saia pelos cantos da boca ou pelo lábio inferior.
  • Posterior: quando o problema tem origem no fluxo de saliva que vai da língua para a faringe.

De acordo com a escala de avaliação de Thomas-Stonell e Greenberg, a sialorreia pode ser classificada de acordo com a sua gravidade ou frequência. Desse ponto de vista, a evolução é a seguinte:

  • Moderada (lábios e queixo úmidos).
  • Severa (roupa molhada).
  • Profusa (roupas, mãos e utensílios molhados).

De acordo com a frequência, a escala é a seguinte:

  • Nunca há baba.
  • Baba ocasional.
  • Sialorreia frequente.
  • Baba constante.

Consequências

A sialorreia é um problema médico relevante pois causa uma deficiência notória e uma dificuldade adicional no cuidado de um paciente com problemas neurológicos. A princípio, esta condição tem consequências como descamação dos lábios, fadiga muscular, dermatite, alterações do paladar e dificuldades na fala.

Porém, a partir do ponto de vista físico, o maior risco é a pneumonia aspirativa devido à dificuldade de engolir os alimentos. Esses tipos de pacientes também são mais propensos a infecções orais.

Por outro lado, as consequências psicossociais podem ser muito graves. Babar gera rejeição social, até mesmo dos cuidadores. Da mesma forma, isso limita o desempenho normal das atividades diárias.

Idoso com sua cuidadora
As doenças neurológicas, como o mal de Parkinson, incluem a sialorreia entre os seus sintomas.

Tratamentos recomendados

Existem três formas de tratar a sialorreia: fonoterapia, farmacologia e cirurgiaA abordagem por meio da fonoterapia envolve a realização de uma série de exercícios para inibir os reflexos patológicos. Visa melhorar o fechamento dos lábios e a sucção ou deglutição da saliva.

Já o tratamento farmacológico é realizado por meio de anticolinérgicos, que auxiliam na redução da secreção de saliva. Esses medicamentos devem ser combinados com exercícios, mas há pessoas que têm intolerância a esse tipo de medicação.

Também é possível recorrer à injeção de toxina botulínica tipo A (TBA). Ela é aplicada diretamente nas glândulas salivares e também reduz a produção de saliva. O mais positivo é que gera poucos efeitos colaterais.

Se nenhuma dessas medidas funcionar, o especialista provavelmente decidirá realizar uma intervenção cirúrgica. Vale lembrar que cada paciente é diferente e, às vezes, uma combinação de medidas é necessária para ser eficaz.

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