Septicemia meningocócica, uma doença grave que devemos conhecer

05 Novembro, 2020
A sepse meningocócica é uma doença grave, causada pela disseminação de meningococos na corrente sanguínea e em vários órgãos. Isso resulta na formação de trombos que podem causar gangrena e outras complicações.

A septicemia meningocócica é uma emergência médica que, portanto, deve ser tratada o mais rapidamente possível. É uma doença de progressão rápida que pode causar choque e falência simultânea de vários órgãos do corpo.

Esta condição decorre de uma infecção por meningococo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam cerca de 500.000 novas infecções por ano. Entre 20 e 50% daqueles que desenvolvem sepse meningocócica morrem.

Doença meningocócica

A doença meningocócica é causada por um meningococo. É uma bactéria causadora de doenças graves e é adquirida pelo contato com as gotículas que uma pessoa infectada expele ao tossir ou espirrar.

Alguns indivíduos são muito sensíveis a essa bactéria, mas a ciência não sabe o motivo. A verdade é que esse microrganismo invade progressivamente a nasofaringe. O intervalo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas é de cerca de 10 dias, embora possa ser menor.

Logo depois, o meningococo penetra na mucosa e entra na corrente sanguínea. A apresentação mais comum desse tipo de doença é a meningite ou inflamação das meninges, que são as membranas que recobrem o cérebro e a medula espinhal.

Um dos possíveis efeitos da doença meningocócica é o desenvolvimento de sepse meningocócica. Esta é uma condição muito grave, com alta taxa de mortalidade. Aqueles que sobrevivem podem ficar com sequelas permanentes.

Mulher com febre
A septicemia meningocócica pode começar como uma meningite com seus sintomas típicos, como febre e dor de cabeça.

Leia também: 6 sintomas de meningite que os pais não devem ignorar

Septicemia meningocócica

A sepse meningocócica é uma forma de choque séptico, que consiste em uma condição médica em que os tecidos e órgãos não recebem oxigênio e nutrientes suficientes. A consequência disso é uma morte gradual das células e uma falha geral que pode levar à morte.

A multiplicação do meningococo no sangue forma coágulos. Estes dificultam a circulação em um ou mais órgãos ou extremidades, causando gangrena. Paradoxalmente, também ocorrem hemorragias de difícil controle.

Estima-se que uma em cada quatro pessoas com esta doença necessitará da amputação de um membro. Da mesma forma, a sepse causa lesões cutâneas que geram cicatrizes e levam a deformidades. Este último quadro frequentemente leva à cirurgia e tem um processo de cicatrização muito lento.

Sintomas e manifestações da septicemia meningocócica

Os sintomas dessa patologia são muito amplos. A princípio, pode aparecer uma febre leve, mas em muitos casos isso se transforma em falência de múltiplos órgãos e morte em poucas horas.

Normalmente, nas primeiras quatro a seis horas, aparecem os sintomas comuns aos de qualquer infecção viral: febre, calafrios, tontura, náusea, dor de cabeça e fraqueza. Também pode haver diarreia e vômitos.

Além dessas manifestações, os sintomas típicos da sepse são os seguintes:

  • Pele pálida e com manchas.
  • Respiração acelerada.
  • Tremores em mãos e pés frios.
  • Sonolência e confusão.
  • Pressão sanguínea baixa.
  • Dor nas articulações ou membros.
  • Erupção cutânea tipo rash: a erupção cutânea derivada da sepse se parece com pequenas manchas vermelhas e brilhantes. Elas podem se juntar e assumir a forma de hematomas recentes. Nem todas as pessoas com essa condição os apresentam.

Diagnóstico e tratamento

A septicemia meningocócica pode se manifestar com ou sem meningite. Normalmente, o diagnóstico é feito a partir de um exame de sangue, meio de swab (cotonete) na mucosa nasofaringe, radiografia de tórax e amostra de fezes.

O tratamento da doença é realizado em hospital ou clínica médica, mas não requer isolamento. A abordagem convencional inclui quatro medidas:

  • Administração de antibióticos: devem ser administrados de maneira precoce. Se houver um foco visível de sepse ou infecção, ele deve ser drenado.
  • Fluidos: realiza-se a hidratação parenteral para preencher o espaço vascular e manter a pressão arterial, de forma que não se atinja a hipotensão extrema.
  • Uso de drogas vasoativas: essas drogas neutralizam as alterações cardiocirculatórias que, por sua vez, são decorrentes da inflamação causada pela sepse.
  • Medidas de suporte vital: incluem administração de oxigênio, intubação traqueal e ventilação mecânica. Se houver sangramento, geralmente são usados ​​coagulantes e plasma fresco congelado.
Vacina contra meningite
As vacinas meningocócicas são importantes pois diminuem a circulação dessas bactérias na população.

Isso também pode te interessar: Sepse urinária: causas e tratamento

Prevenção da septicemia meningocócica

A prevenção da sepse meningocócica consiste principalmente em evitar o contágio através do meningococo. Existem duas vacinas disponíveis para contribuir para esse propósito:

  • Vacina pneumocócica: protege contra a meningite pneumocócica. Está no calendário de vacinação de bebês e frequentemente é aplicada em pessoas com mais de 65 anos. Especula-se que esta vacina possa apresentar reação cruzada e prevenir, por semelhança, infecções meningocócicas. Em qualquer caso, por enquanto, só deve ser considerada eficaz contra S. pneumoniae.
  • MenC: oferece proteção contra o grupo de meningococos do tipo C. É aplicada em bebês e está disponível para menores de 25 anos.

As vacinas não protegem contra todos os tipos de meningococos, mas reduzem muito a circulação das bactérias mais associadas ao problema. Outras orientações de prevenção são a limitação do contato com os doentes, a lavagem frequente das mãos e a higiene dos objetos de uso pessoal.

  • Wilhelm, J., & Villena, R. (2012). Historia y epidemiología del meningococo. Revista chilena de pediatría, 83(6), 533-539.
  • Solórzano-Santos, F., Ortiz-Ocampo, L. A., Miranda-Novales, M. G., Echániz-Avilés, G., Soto-Noguerón, A., & Guiscafré-Gallardo, H. (2005). Serotipos prevalentes de Streptococcus pneumoniae colonizadores de nasofaringe, en niños del Distrito Federal. salud pública de méxico, 47(4), 276-281.
  • Navalón, I. C., Herrejón, E. P., & Torralba, J. J. (2003). Sepsis meningogócica. Una enfermedad rara, grave y potencialmente letal. ¿Existe alguna alternativa al tratamiento? ¿ Cuál es el papel de la proteína C activada? Puesta al día en urgencias, emergencias y catástrofes, 4(1), 6-11.
  • Arnáiz-García, María Elena, et al. “Mutilating purpura fulminans in an adult with meningococcal sepsis.” Puerto Rico Health Sciences Journal 36.3 (2017): 179-182.
  • de Tena, J. García, et al. “Protocolo diagnóstico del rash cutáneo y fiebre en adultos.” Medicine-Programa de Formación Médica Continuada Acreditado 12.59 (2018): 3485-3491.
  • Vázquez, E. García, et al. “Infecciones por meningococo.” Medicine-Programa de Formación Médica Continuada Acreditado 11.58 (2014): 3407-3411.
  • Pedraz, J., and Eduardo López-Bran. “Protocolo diagnóstico de los exantemas cutáneos eritematopurpúricos.” Medicine-Programa de Formación Médica Continuada Acreditado 12.48 (2018): 2872-2876.
  • Cid, Jesús López Herce. “¿ Debe administrarse tratamiento antibiótico prehospitalario en la sospecha de sepsis meningocócica?.” Evidencias en pediatría 2.4 (2006): 1.
  • Klugman, Keith P. “Eficacia y efectividad de las vacunas antineumocócicas conjugadas.” Vacunas: Prevención de enfermedades, protección de la salud. Washington: OPS-OMS (2004): 114-8.
  • Artola, Beatriz Sánchez. “Tratamiento de las infecciones graves por Neisseria meningitidis (meningococo).” Revista Electrónica de Medicina Intensiva Artículo C11 (2004).