Meningite

· 8 de janeiro de 2018
A meningite é uma doença, normalmente infecciosa, que ocorre com a inflamação das meninges, causando sintomas como febre, dores de cabeça e perda de atenção.

Provavelmente você já ouviu falar desta doença, mas será que sabe exatamente o que é a meningite?

A meningite é a inflamação das membranas que recobrem o sistema nervoso central, conhecidas como meningesVisto que tudo o que implica uma inflamação passa do normal em nosso corpo, esta inflamação é considerada uma patologia ou doença. A boa notícia é que é uma doença pouco comum atualmente.

Normalmente é causada por uma gente infeccioso, sendo muito habitual a meningite viral, porém sendo mais grave a bacteriana.

A doença surge de maneira brusca com febre, dor de cabeça, náuseas e vômitos, ainda que em crianças pequenas possam surgir sintomas de irritabilidade e/ou sonolência, sendo muito pouco específicos.

A meningite pode chegar a lesionar o cérebro. Na verdade, pode inclusive chegar a causar a morte, por isso é essencial obter um diagnóstico e iniciar um tratamento a tempo.

Sistema nervoso

O que são as meninges?

Imaginemos por um momento que nosso cérebro é uma espécie de fruta. Esta fruta tem um fruto e um líquido dentro dela, o líquido percorre vários pontos do fruto com a função de preservá-lo em boas condições.

Agora, imaginemos que a casca da fruta é o crânio humano e que o que está embaixo da casca, o fruto, é nosso cérebro, mole, suave e frágil. Debaixo da casca – camada externa – da fruta, há outras três camadas – internas – dentre as quais circula o líquido que preserva essa fruta.

Essas três capas debaixo do crânio são as meninges, três membranas que recobrem e protegem o encéfalo e a medula espinhal, ou seja, o sistema nervoso central.

Lembremos que o encéfalo e a medula espinhal são os órgãos mais protegidos do corpo. As meninges não só amortizam pancadas mas também desempenham a função de “filtro” para evitar que entrem micro-organismos prejudiciais no sistema nervoso central. Dentre as meninges circula o líquido cefalorraquidiano, também com funções protetoras imunológicas.

A distribuição da meningite

A meningite se apresentou como uma epidemia frequente no continente africano, especificamente na África subsaariana, durante a estação de seca. As epidemias nesta região duram entre dois ou três anos, interrompendo-se em períodos de chuva. A falta de atenção médica causa altas taxas de mortalidade na população.

A epidemia de meningite mais grave que houve na região ocorreu no ano de 1996, causando mais de vinte e cinco mil mortes. Em países ocidentais a meningite bacteriana afeta três em cada cem mil pessoas, e a viral dez em cada cem mil.

Fatores de risco

  • Estações secas.
  • Crianças.
  • Infecções contíguas.
  • Imunodepressão.
  • Intoxicações.

Causas da meningite

A meningite normalmente é causada como consequência de outra infecção – normalmente devida a um vírus – ainda que também existam casos de meningite não infecciosa.

Vírus

  • Enterovírus
  • Vírus da herpes simples
  • HIV
  • Vírus do Nilo Ocidental. Transmitido através de mosquitos.

Bactérias

De acordo com a idade do indivíduo, existe um risco diferente de infecção por diferentes micro-organismos.

  • Recém nascidos menores de 3 meses.
    • Estreptococos do grupo B.
    • Escherichia coli.
  • Crianças maiores de 3 meses.
    • Neisseria meningitidis.
    • Streptococcus pneumoniae.
    • Haemophilus influenzae.
  • Adultos
    • Neisseria meningitidis.
    • Streptococcus pneumoniae.
    • Listeria monocytogenes.

Como a doença surge?

Os micro-organismos chegam às meninges por via sanguínea, de forma direta ou por contiguidade.

As bactérias que normalmente residem no nariz, boca e faringe sem causar dano passam para a corrente sanguínea, e daí atravessam a barreira hematoencefálica em regiões onde é mais vulnerável. As bactérias chegam ao líquido cefalorraquidiano do espaço subaracnoideo e causam a infecção das meninges.

As outras vias de transmissão são a forma direta, por faturas do crânio, intervenções cirúrgicas, etc., ou a transmissão por contiguidade desde regiões como os seios paranasais.

Sintomas

  • Febre, especialmente em crianças e recém-nascidos.
  • Calafrios.
  • Náuseas e vômitos.
  • Fotofobia.
  • Rigidez da nuca.
  • Convulsões.
  • Dores de cabeça.
  • Diminuição do nível de consciência.

A doença surge de forma brusca, com febre, dor de cabeça e náuseas e vômitos; ainda que em crianças pequenas possam surgir sintomas não específicos como irritabilidade e sonolência.

Lesão cerebral

O edema cerebral é uma lesão que está associada à inflamação. Ela causa um aumento da pressão intracraniana, o que dificulta a chegada de sangue ao cérebro. Não chega oxigênio suficiente no cérebro, o que faz com que as células cerebrais acabem morrendo. Em alguns casos, especialmente se a meningite não é tratada, a lesão cerebral pode ser letal.

Diagnóstico da meningite

Ainda que a suspeita de meningite sempre seja clínica, o diagnóstico de certeza é obtido por meio da punção lombar.

Lembremos que a punção lombar é um procedimento que consiste na extração do líquido cefalorraquidiano por meio de uma agulha que é inserida na coluna vertebral.

Extração do líquido cefalorraquidiano

Tipos de meningite

Podemos classificar a meningite como viral ou bacteriana, segundo seu agente etiológico. A primeira tem um prognóstico leve e não requer tratamento.

A meningite bacteriana é muito grave e requer tratamento e hospitalização do paciente. Ela é a que tem maior risco de morte, inclusive com tratamento.

A doença também pode se dividir segundo seu curso evolutivo em aguda, subaguda e crônica, ainda que este critério esteja em desuso.

Tratamento

É preciso tentar administrar ao paciente antivirais ou antibióticos o quanto antes.

Para reduzir a inflamação e o edema cerebral são administrados corticoesteroides como a dexametasona, reduzindo assim o risco de lesão cerebral.

São incluídas medidas de suporte geral para qualquer infecção de caráter agudo, como a administração de líquidos, o controle da febre, etc.

Um tratamento oferecido a tempo reduz muito a presença de sequelas a longo prazo e o risco de morte.

Possíveis consequências

  • Surdez.
  • Epilepsia.
  • Déficit cognitivo.
  • Hidrocefalia.
  • Morte.

Os recém-nascidos e os adultos têm de vinte a trinta por cento de chance de que a doença seja letal para eles, reduzindo-se o risco a dois por cento em crianças com mais idade.

Prevenção

Atualmente tem-se trabalhado na vacina preventiva contra a meningite nas crianças. A vacina é de caráter opcional, e pode ser administrada a partir dos dois meses de vida.

São realizados programas de quimioprofilaxia com rifampicina para pessoas em risco de contágio.