Relação entre saúde mental e anorgasmia

28 de junho de 2019
A saúde mental está intimamente ligada ao prazer sexual, por isso é importante prestar atenção às situações que podem alterar o nosso estado mental e levar a problemas em atingir o orgasmo.

A anorgasmia é uma disfunção sexual que é definida como a incapacidade de atingir um orgasmo ou problemas para alcançá-lo. A saúde mental e anorgasmia estão muito relacionadas e pode-se manifestar até antes de qualquer situação ou parceiro sexual.

Da mesma forma, essa disfunção pode ter causas físicas ou psicológicas. Abaixo listamos as causas psicológicas que geralmente levam a esse problema.

Relação entre saúde mental e anorgasmia: causas frequentes

1. Transtorno ansioso

Casal na cama com expressão de preocupação

A ansiedade é um estado mental que se manifesta como uma angústia excessiva diante de uma situação ou pensamento que nos causa preocupação. O orgasmo pode ser inibido por causa de uma preocupação exagerada causada por experiências sexuais anteriores.

A anorgasmia leva muitas pessoas a conceber o momento de contato íntimo como uma situação estressante em que elas precisam ter tudo hipercontrolado e se sentem frustradas se não atingirem o objetivo: atingir o orgasmo.

A ansiedade pode ser temporária, devido a uma situação específica que nos impede de nos concentrarmos no campo sexual. No entanto, quando na maioria dos encontros íntimos estamos preocupados em não atingir o orgasmo e isso nos impede de apreciar o processo, poderíamos considerar que temos um problema a ser resolvido.

Nesses casos, recomenda-se consultar um profissional de saúde mental para nos ensinar técnicas de controle para controlar nosso medo excessivo da anorgasmia.

2. Transtorno Depressivo

Mulher chorando e homem falando com ela

A depressão é um estado mental que é caracterizado por tristeza profunda. Além disso, também se apresenta baixa autoestima, falta geral de apetite, decaimento do humor e perda de interesse em tudo.

Em geral, a depressão diminui a libido e não faz com que o primeiro estágio de desejo ou excitação ocorra. Assim, as outras fases da resposta sexual não apareçam e haja dificuldades em alcançar o clímax.

Além disso, alguns medicamentos indicados para tratar e controlar a depressão, especialmente os receptores de serotonina, têm sido associados ao atraso do orgasmo e diminuição do desejo sexual. Nessa situação, seu psiquiatra valorizará a mudança de sua medicação ou a adaptação das doses para reduzir os efeitos colaterais.

Não deixe de ler também: Hábitos ocultos das pessoas com depressão

3. Baixa autoestima e anorgasmia

Mulher, depressão, anorgasmia

Baixa autoestima é definida como a dificuldade que a pessoa tem para se sentir valiosa no fundo de si mesma, assim como digna de ser amada pelos outros. Isso pode influenciar negativamente o prazer das relações íntimas e, portanto, a extensão do orgasmo.

Ter problemas com a imagem que temos de nós mesmos afeta quase todos os aspectos da vida diária de uma pessoa, tornando-a mais insegura e, em alguns casos, rejeitando o contato de qualquer tipo.

Uma pessoa com baixa autoestima não desfrutará de relações sexuais e isso gerará ansiedade e estresse. Para tentar corrigir esses problemas e ter uma melhor qualidade de vida, recomenda-se ir a um profissional. Além disso, comunique-se com seu parceiro e expresse essas dificuldades para se sentir mais seguro em contato íntimo.

Leia ademais: Autoestima, chave para a nossa felicidade

4. Falta de comunicação no casal

Casal discutindo, tensão, anorgasmia

A falta de comunicação no casal pode ser devida a vários motivos. Se não nos sentimos relaxados ou em confiança com nosso parceiro sexual, é difícil nos sentirmos livres para expressar nossas preferências sexuais. Portanto, não desfrutamos da relação íntima.

Conclusões finais sobre a relação entre a saúde mental e anorgasmia

Em muitas ocasiões, a anorgasmia é devida à estimulação sexual inadequada. Se não formos capazes de comunicar este tipo de problema ao nosso parceiro, é muito provável que o orgasmo não ocorra.

Além disso, se houver problemas no cotidiano do casal, eles se refletirão nas relações sexuais, pois pode haver tensão nas situações não resolvidas, ansiedade, dissociação e perda de intimidade.

Nesses casos, recomenda-se estabelecer hábitos no relacionamento do casal que favoreçam a comunicação e a compreensão mútua. Se não for suficiente, pode ser muito benéfico ir a um especialista para realizar terapia de casal.

Em suma, qualquer situação que gere estresse ou ansiedade no cotidiano de uma pessoa pode se manifestar nas relações sexuais. Por isso, é muito importante aprender a cuidar da nossa saúde mental e dedicar tempo ao autocuidado.

  • Kline, M. D. (1989). Fluoxetine and anorgasmia. The American Journal of Psychiatry, 146(6), 804-805. http://dx.doi.org/10.1176/ajp.146.6.804
  • Farramola Bello, L. A., Erice Rivero, T. S., & Frías Alvarez, Y. (1982). Anorgasmia femenina como problema de salud. Revista Cubana de Investigaciones Biomédicas (Vol. 30). Ciudad de la Habana: Centro Nacional de Información de Ciencias Médicas, Ministerio de Salud Pública. Retrieved from http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0864-03002011000300002