Pele reativa: principais causas e cuidados

09 Novembro, 2020
A pele reativa se manifesta com vermelhidão, ressecamento, irritação e outros desconfortos que podem ser confundidos com várias condições da pele. Mas que problema é esse? Como ele é tratado?

A pele reativa é um problema mais ou menos comum, que tem a ver com sensibilidade excessiva a diferentes fatores. Essa condição se manifesta através da vermelhidão, ressecamento, brilho ou irritação que aparece de repente, muitas vezes sem que a causa seja conhecida.

Esse fenômeno é mais comum nas mulheres, e estima-se que uma em cada três possa apresentá-lo. Alguns deles têm sintomas tão comuns que acabam sendo interpretados como “normais”, mesmo que não sejam. Na verdade, muitos dermatologistas também têm dificuldade em classificar esse tipo de pele.

A pele reativa é conhecida por várias expressões, como ‘pele sensível’, ‘pele intolerante’ ou ‘pele irritável’, entre outras, mas esses nomes não são precisos. Não é uma doença em si, mas é um problema que causa desconforto e afeta a aparência. Com o que está associado? Quais são os cuidados para controlar os seus sintomas?

O que é a pele reativa?

Até um tempo atrás, falava-se em “pele sensível”. No entanto, os dermatologistas acreditam que é mais preciso falar sobre a pele reativa. Trata-se de um tipo de pele em que ocorrem sensações desconfortáveis, como queimação, coceira ou dor devido a um agente que não deveria provocar essa reação.

Em particular, só há pele reativa quando não há patologia que possa explicar as alterações na mesma. Neste caso, não há alergias a uma determinada substância, nem um agente agressivo, como um sabão irritante, por exemplo, que possa explicar os sintomas.

Outra característica dessa condição é que ela geralmente ocorre intermitentemente, ou seja, os sintomas aparecem e desaparecem. Muitas vezes, seu gatilho é o uso de cosméticos.

Pele reativa e pele normal
A pele reativa é uma condição caracterizada por irritação, vermelhidão, coceira, entre outros desconfortos, causados pela exposição a determinados fatores.

Você pode estar interessado: 7 inimigos da saúde da pele que costumamos ignorar

Causas da pele reativa

Nem a ciência entende as razões pelas quais a pele reativa existe. No entanto, existem três hipóteses que poderiam explicar esse fenômeno:

  • Hipótese epidérmica. Indica que a barreira cutânea, localizada na epiderme, está defeituosa. É por isso que ela não protege adequadamente contra diferentes agentes externos.
  • Hipótese bioquímica. Observe que nesses casos há anomalias em alguns canais chamados TRP (canais potenciais de receptor transitório). Estes estão localizados na parte mais externa das células epidérmicas e nas terminações nervosas.
  • Hipótese neurogênica. Indica que pessoas com pele reativa têm menos fibras nervosas intraepidérmicas. Elas também têm uma maior liberação de mediadores inflamatórios.

Por outro lado, foi estabelecido que existem alguns agentes que, em particular, são gatilhos para a pele reativa. Entre estes, encontramos os seguintes:

  • Uso indevido de cosméticos.
  • Exposição contínua a certos produtos químicos.
  • Poluição ambiental.
  • Tratamentos com calor ou radiação.
  • Temperaturas extremas.
  • Alguns medicamentos.
  • Estresse.
  • Falta de sono.
  • Baixa umidade.
  • Álcool.
  • Alimentos condimentados ou muito picantes.
Pele vista de perto
O uso indevido de cosméticos, a exposição a certos produtos químicos, o estresse, entre outros fatores, podem ser gatilhos para a pele reativa.

Cuidados para prevenir a pele reativa

As pessoas que têm essa condição devem ter muito cuidado com os produtos que aplicam. Recomenda-se consultar um dermatologia para que o profissional indique quais produtos são indicados, dependendo de cada caso particular.

É importante fazer alguns ajustes na sua rotina de beleza, como otimizar a limpeza da pele e a hidratação. Também é essencial usar protetor solar e retocar a cada duas ou três horas.

Por outro lado, é necessário evitar cosméticos que incluam compostos com potencial irritante, como propilenoglicol, TCA ou AHA, álcool, entre outros. Hidratantes com retinoides e hidroxiácidos não são recomendados, nem produtos antienvelhecimento e esfoliantes fortes.

Para limpeza e hidratação, sugere-se o uso de loções e leites em vez de outros produtos. Eles devem ser aplicados através de toques, não de atrito.

Descubra também: As doenças autoimunes mais frequentes

Conclusão

O tratamento para a pele reativa é complexo, assim como o diagnóstico. O primeiro passo é excluir outras condições possíveis e, em seguida, estabelecer os produtos que mais beneficiam e mais afetam cada paciente em particular.

Às vezes, o médico indica medicamentos usados para tratar a dermatite atópica e que têm se mostrado eficazes para alguns casos de pele reativa. De qualquer forma, o mais importante é que quem tem esse problema mantenha a pele hidratada, não só aplicando hidratante, mas consumindo muita água.

  • Farage MA. The Prevalence of Sensitive Skin. Front Med (Lausanne). 2019;6:98. Published 2019 May 17. doi:10.3389/fmed.2019.00098
  • Misery L. Peaux sensibles, peaux réactives [Sensitive skin, reactive skin]. Ann Dermatol Venereol. 2019;146(8-9):585‐591. doi:10.1016/j.annder.2019.05.007
  • Caterina MJ, Pang Z. TRP Channels in Skin Biology and Pathophysiology. Pharmaceuticals (Basel). 2016;9(4):77. Published 2016 Dec 14. doi:10.3390/ph9040077
  • Son JY, Jung MH, Koh KW, et al. Changes in skin reactivity and associated factors in patients sensitized to house dust mites after 1 year of allergen-specific immunotherapy. Asia Pac Allergy. 2017;7(2):82‐91. doi:10.5415/apallergy.2017.7.2.82
  • Kitson N, Thewalt JL. Hypothesis: the epidermal permeability barrier is a porous medium. Acta Derm Venereol Suppl (Stockh). 2000;208:12‐15. doi:10.1080/000155500750042808
  • Bárcenas, A. P. L., Arenas Guzmán, R., Vega Memije, M. E., Castrillón Rivera, L. E., & Palma Ramos, A. (2008). Identificación de células y mediadores inflamatorios en lesiones de pacientes con diagnóstico de micetoma. Dermatología Revista Mexicana, 52(6), 247-253.
  • Muizzuddin N, Marenus KD, Maes DH. Factors defining sensitive skin and its treatment. Am J Contact Dermat. 1998;9(3):170‐175.
  • Taberner, J. E., Rodríguez, R. S., & Tapia, A. G. (2011). La piel sensible. Más dermatología, (13), 4-13.
  • Akaishi S, Ogawa R, Hyakusoku H. Keloid and hypertrophic scar: neurogenic inflammation hypotheses. Med Hypotheses. 2008;71(1):32‐38. doi:10.1016/j.mehy.2008.01.032