Paulo Coelho: “Quanto mais em harmonia você estiver consigo mesmo, mais você aproveita a vida e mais fé você tem”

Há dias em que fazemos muitas coisas sem parar para pensar se realmente queremos fazê-las. Aceitamos um plano porque os outros vão, seguimos uma rotina que já não funciona para nós ou exigimos de nós mesmos manter o mesmo ritmo, mesmo quando estamos exaustos. Em meio a essas pequenas decisões do dia a dia, ouvir o que precisamos pode ficar em segundo plano.
Paulo Coelho escreveu: “Quanto mais em harmonia você estiver consigo mesmo, mais você aproveita e mais fé você tem. A fé não te desconecta da realidade, ela te conecta a ela”. Sua reflexão nos convida a pensar na harmonia consigo mesmo não como um estado permanente de felicidade, mas como a capacidade de reconhecer nossas necessidades, prioridades e valores para tentar agir de maneira coerente com eles.
Estar em harmonia também implica ouvir o que precisamos
Às vezes, esse equilíbrio começa com decisões bastante simples: reconhecer que precisamos descansar em vez de nos obrigar a continuar sendo produtivos, recusar um plano que realmente não nos agrada ou reservar um momento para uma atividade de que gostamos.
Isso não significa fazer apenas o que queremos nem ignorar nossas responsabilidades. Sempre haverá obrigações e situações que preferiríamos evitar. A diferença está em não nos acostumarmos a agir permanentemente contra nossas necessidades a ponto de deixarmos de reconhecê-las.
A comparação também pode nos afastar desse equilíbrio. Vemos que alguém da nossa idade alcançou determinada meta ou parece estar em uma fase diferente e começamos a nos perguntar se nós também deveríamos estar lá. No entanto, as prioridades não precisam necessariamente coincidir. Estar em harmonia consigo mesmo também significa distinguir entre o que realmente desejamos e o que buscamos porque acreditamos que deveríamos fazer.
Conhecer-nos melhor não faz as dificuldades desaparecerem
Agir de acordo com o que precisamos também não garante que tudo vá dar certo. Podemos tomar uma decisão ponderada e errar, passar por um conflito mesmo tendo sido coerentes com nossos valores ou nos deparar com circunstâncias que simplesmente não podemos controlar.
Por isso, a harmonia pessoal não deve ser entendida como uma fórmula para evitar problemas. Ela pode funcionar, antes, como uma referência para enfrentá-los. Quando conhecemos melhor nossas prioridades e limites, contamos com critérios mais claros para decidir como reagir diante do que acontece.
Até mesmo uma decisão coerente pode causar desconforto. Dizer “não”, mudar de rumo ou reconhecer que algo não está mais funcionando pode decepcionar outras pessoas ou despertar nossas próprias dúvidas. Sentir esse desconforto não significa necessariamente que tenhamos feito uma escolha errada.
A fé pode coexistir com uma visão realista
A segunda parte da frase de Coelho acrescenta outro matiz: “A fé não te desconecta da realidade, ela te conecta a ela”. A fé pode ter um significado religioso ou espiritual, mas também pode ser interpretada de maneira mais ampla como confiança, esperança ou disposição para seguir em frente quando não há certezas absolutas.
Visto dessa forma, isso não exige negar que algo possa dar errado nem nos convencer de que tudo terá necessariamente um desfecho positivo. Podemos reconhecer uma situação difícil tal como ela é e, ao mesmo tempo, confiar em nossa capacidade de superá-la, tomar decisões ou encontrar outras possibilidades. Realismo e esperança não precisam ser opostos.
Talvez um bom começo seja identificar alguma situação cotidiana que mantemos por inércia, comparação ou pressão externa e nos perguntar se ela ainda faz sentido para nós. Estar em harmonia consigo mesmo não consiste em fazer com que toda a vida se encaixe, mas em nos conhecermos o suficiente para reduzir, aos poucos, a distância entre o que precisamos, o que valorizamos e a maneira como escolhemos viver.
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