Pancadas leves também podem danificar o cérebro

5 de fevereiro de 2014
Ainda que sejam leves, as batidas na cabeça podem produzir mudanças importantes na estrutura cerebral, que podem causar perda de memória ou dificuldade de concentração.

Segundo as últimas pesquisas realizadas sobre os danos que são produzidos no cérebro por golpes recebidos no crânio, foi possível estabelecer que a memória e o pensamento podem ser afetados mesmo que os golpes sejam pequenos. 

Os estudos foram realizados com alguns jogadores de futebol americano e de hóquei sobre o gelo. Todos usavam capacetes especiais em todas as partidas que realizaram na temporada, portanto não foi diagnosticado nenhum tipo de perturbação.

Entretanto, os capacetes especiais registraram dados cada vez que algum dos jogadores recebia algum golpe leve na cabeça.

Os acelerômetros que se encontravam em cada um dos capacetes permitiram contar e quantificar a intensidade e a frequência de cada um dos golpes.

É possível que a capacidade de aprendizagem e memória seja afetada?

Pesquisadores encontraram uma grande mudança na massa branca do cérebro naquelas pessoas que tiveram os piores rendimentos nos testes de memória e capacidade de aprendizagem. A massa branca é a encarregada de transportar as mensagens entre os diferentes lugares do cérebro.

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Isso comprova que não devemos somente prestar atenção às concussões. Os atletas não foram diagnosticados com nenhum tipo de concussão cerebral durante o tempo do estudo, no entanto, existe um subgrupo entre eles que podem ser mais propensos e delicados em relação a impactos.

Porém, os especialistas ainda investigam as mudanças que são produzidas, o tempo de duração  ou se elas chegam a ser permanentes.

Quais são as consequências e os sintomas de uma lesão no cérebro?

As concussões são lesões cerebrais traumáticas não graves e que podem ser causadas por um golpe repentino, tanto na cabeça, como no corpo. Podem apresentar sintomas como por exemplo: dor de cabeça, visão embaçada, dificuldade para dormir e pensar com normalidade.

Traumatismos no cérebro

O Dr. McAllister, que realizou a pesquisa, comparou  jogadores de futebol americano e de hóquei no gelo. Um grupo de 80 jogadores utilizavam capacetes especiais e não haviam sofrido nenhuma concussão cerebral. Os outros atletas praticavam esportes em que não existia nenhum tipo de contato.

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O doutor realizou um estudo prévio e posterior à temporada, utilizando scanners cerebrais para testar o aprendizado e a memória.

Os testes mostraram que 20% dos jogadores que praticavam esportes de contato e 11% dos que praticavam esportes sem contato, tiveram os piores resultados durante o teste de aprendizado verbal e de memória. Alguns maus resultados são esperados em menos de 1% da população normal.

Quem obteve os resultados mais baixos foram aqueles que apresentaram algumas mudanças significativas na região do corpo caloso do cérebro.

Os pesquisadores afirmaram que os resultados obtidos não foram uma surpresa. Isso porque, alguns golpes na cabeça, mesmo que não causem concussões, podem produzir alguns danos cerebrais que não apresentam sintomas.

Além disso, os especialistas apontaram que, em futuras pesquisas feitas sobre o assunto, os resultados poderiam ser mais claros.

Isso seria possível se os jogadores pudessem utilizar capacetes especiais. Assim, seria possível medir as mudanças na corrente sanguínea e na pressão do cérebro quando sofressem os golpes.

Prognóstico de dano no cérebro

No caso de os cientistas comprovarem que realmente ocorrem mudanças no cérebro sem que ocorram grandes golpes na cabeça, o fato seria um motivo de preocupação.

O que temos que compreender é que existe um risco significativo quando recebemos golpes repetitivos na cabeça ao longo da vida.

Isso porque, vários golpes, por menores que sejam, podem produzir uma mudança bastante forte na estrutura cerebral. Portanto, perda de memória e dificuldade de concentração e de aprendizagem seria resultado desses impactos.

As informações foram proveitosas pra você? Sendo assim, continue lendo os próximos artigos com mais dicas para a sua saúde e bem-estar.

Cano, A., Martínez, R., Caballero, I., & Sánchez, I. (2009). Análisis de signos clínicos y hallazgos radiográficos en pacientes pediátricos con diagnóstico de traumatismo craneoencefálico. Anales de Radiología México .

González-Villavelázquez, M. L., & García-González, A. (2013). Traumatismo craneoencefálico. Revista Mexicana de Anestesiologia. https://doi.org/10.1017/CBO9781107415324.004