Ótima notícia! Nigéria proíbe a mutilação genital das meninas

26 de junho de 2015
É essencial continuar educando sobre saúde e que todos nós saibamos os riscos envolvidos na prática de mutilação genital, ainda presente em muitos países.

A mutilação genital, ou “circuncisão feminina”, como é chamada em muitos países, é uma prática que consiste na eliminação parcial ou total do tecido dos órgãos genitais femininos, especificamente do clitóris.

Muitas culturas, em especial afrodescendentes e indígenas, tem realizado esse procedimento atroz desde a antiguidade, como parte de suas crenças e costumes.

No entanto, nos últimos anos a prática foi bastante combatida, e graças ao apoio da Organização Mundial da Saúde, muitos países e comunidades nativas deixaram de realizá-la, levando em conta os grandes riscos que correm as meninas submetidas a este doloroso procedimento.

No dia 9 de junho de 2015, a Nigéria marcou um antes e depois em sua história ao se tornar o vigésimo terceiro país africano a proibir a mutilação do clitóris das meninas.

É uma notícia muito importante para quem luta contra este ato, já que a Nigéria é o país mais populoso da África, onde se estima uma população de 20 milhões de mulheres e meninas, aproximadamente.

É uma medida muito importante para erradicar por completo esta prática, que infelizmente ainda ocorre em 29 países da África e da Ásia.

Em que consiste a prática de mutilação genital?

Em que consiste a prática de mutilação genital?

Esse ato é realizado em meninas com idade entre 8 e 14 anos, que são previamente preparadas por suas mães para entrar em um local tenebroso e sob condições higiênicas inexistentes.

Nesse lugar, uma mulher espera no escuro com suas navalhas e facas para realizar este procedimento horrível em um tempo máximo de 15 minutos.

Ao entrar nesse local escuro, a mulher revisa os genitais da criança quase às cegas e, utilizando uma pequena faca ou algum outro objeto afiado, procede a cortar de forma total ou parcial o clitóris, os lábios menores e também os lábios maiores da menina.

Sob estas condições, sem nenhum tipo de anestesia e sem tomar nenhuma medida de higiene, a mulher mutila a criança enquanto esta só grita e chora pela terrível que sente. No interior deste lugar, são derramados sangue e dor, enquanto do lado de fora os familiares riem e celebram que a menina está pronta para se tornar uma mulher.

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A mutilação genital ainda ocorre em vários países da África e da Ásia

Finalizado este “procedimento”, começa a busca por um marido que esteja disposto a dar um bom dote em troca da agora “mulher”. Tudo isso, claro, se a menina conseguir sobreviver a todos os riscos implicados pela mutilação de um órgão que cumpre um papel muito importante na mulher.

Muitas crianças morrem por causa das hemorragias ou pelo choque neurogênico causado pela dor intensa e pelo traumatismo. Outras, por sua vez, morrem devido às terríveis infecções que derivadas deste processo, realizado sem qualquer medida de salubridade.

Por tudo isso, há alguns anos, a Organização Mundial da Saúde denominou oficialmente esta prática como mutilação genital feminina, pois carece de medidas médicas e, em geral, é realizada por terceiros que têm como intenção privar a mulher de sentir prazer sexual.

Como se fosse pouco, também foi demonstrado que isso pode provocar sérias consequências nas crianças e mulheres, como é o caso de hemorragias, problemas urinários, cistos, infecções, infertilidade e complicações no parto.

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Os dados da vergonha

Dados sobre a mutilação genital

Estima-se que em todo o mundo, a cada minuto, quatro meninas menores de 15 anos sofrem a mutilação genital. Até o momento, e segundo os dados das organizações não governamentais, há 137 milhões de mulheres mutiladas, apesar dos múltiplos protestos e da constante luta para acabar com esta prática horrível.

O pior de tudo é que, enquanto não for possível proibir isso nos 29 países da África e da Ásia, cerca de 86 milhões de meninas em todo o mundo poderão sofrer a mutilação de seus órgãos genitais externos antes de 2030.

É importante lembrar que, em muitos países onde a lei proibiu a prática, não foi possível erradicá-la por completo, já que, apesar de ser proibida legalmente, muitas culturas continuam realizando-as de forma ilegal.

Felizmente, o trabalho constante das ONGs e das principais entidades de saúde mundiais têm dado bons resultados, e a decisão na Nigéria é uma clara demonstração disso.

É muito importante seguir educando sobre a saúde e compartilhar as evidências de todos os riscos envolvidos nessa prática horrível que continua sendo realizada.

Sem pretender alterar as culturas e as tradições seculares de cada população, é essencial criar consciência e mudar a mentalidade em relação a esta prática que já acabou com milhares de vidas, e que segue causando muito sofrimento.

  • Talle, A. (2015). Female Genital Mutilation. In International Encyclopedia of the Social & Behavioral Sciences: Second Edition. https://doi.org/10.1016/B978-0-08-097086-8.64142-9