O que é e como tratar o ovário policístico?

· 28 de março de 2014
A síndrome do ovário policístico costuma aparecer em mulheres entre 20 e 30 anos de idade e pode provocar infertilidade ou dificuldades para engravidar.

Você sabe o que é e como tratar o ovário policístico? Confira neste artigo algumas características dessa síndrome, seus sintomas e alguns tratamentos adequados.

Como bem sabemos, os ovários fazem parte dos órgãos sexuais femininos e têm a função principal de produzir e secretar hormônios sexuais e óvulos.

Em geral, trata-se de estruturas pares com forma ovalada, muito parecidas com a das amêndoas, de cor cinzenta, que estão localizadas em ambos os lados do útero e da parede pélvica. Além disso, também são muito pequenas e muito leves.

Devido a suas características, pode-se dizer que os ovários cumprem a mesma função dos testículos masculinos. Mas o que é e como tratar o ovário policístico?

O que é o ovário policístico?

O ovário policístico (SOP) é uma síndrome ou sintoma que consiste particularmente em uma desorganização dos hormônios sexuais.

Entre outras coisas, esta disfunção provoca dificuldades para engravidar, o aparecimento de cistos nos ovários, mudanças no ciclo menstrual e, geralmente, alguns outros problemas de natureza diferente.

Também é conhecida como síndrome de Stein-Leventhal e é considerada uma das principais condições que ocorrem entre mulheres em idades reprodutivas.

Mesmo que suas causas e manifestações sejam diversas e complexas, na maioria das vezes estão associadas a aspectos genéticos.

 

Como dissemos, o ovário policístico provoca alterações na produção de certos hormônios, principalmente o estrogênio e a progesterona, que são encarregados de ajudar os ovários a liberar óvulos.

Esta síndrome também afeta os androgênios que, como seu nome indica, são os hormônios masculino. No entanto, são encontrados em pequenas quantidades nas mulheres.

Portanto, a síndrome de Stein-Leventhal dificulta a liberação de óvulos maduros ou completamente desenvolvidos pelos ovários.

Mais precisamente, os óvulos desenvolvidos não conseguem se desprender dos ovários. Consequentemente, isso pode provocar o surgimento de pequenos cistos nessa parte específica do corpo.

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Nesse sentido, um cisto é um tipo de protuberância que tem um tecido próprio e que, na maioria das vezes, contém materiais semissólidos, fluídos ou ar.

Por isso, é muito comum que a síndrome do ovário policístico apareça em mulheres jovens, entre 20 e 30 anos de idade. Apesar de ser bastante raro, em alguns casos, também aparecem em adolescentes que estão nos primeiros ciclos menstruais.

Como mencionamos anteriormente, as mulheres que sofrem de SOP normalmente têm histórico familiar da doença ou, pelo menos, alguém que apresentou sintomas parecidos.

 ovário policístico

Quais são os sintomas?

Entre os sintomas mais comuns estão a oligomenorreia e a amenorreia. Ou seja, respectivamente, a ausência ou a irregularidade nos ciclos menstruais.

Em relação à irregularidade, aplica-se tanto em relação à frequência quanto à quantidade de fluxo, que pode ser pouco ou abundante.

Além disso, outros sintomas são os problemas de infertilidade devido, principalmente, à ausência de ovulação e a desordens metabólicas. 

Estas desordens causam obesidade e mudanças no jeito como a insulina é processada.

Não devemos esquecer que a SOP pode causar sérias alterações hormonais graças aos andrógenos.

Alguns exemplos de alterações são: aumento de pelo no peito e no rosto, diminuição dos seios, engrossamento da voz, perda dos cabelos ou alopecia, aumento do clitóris, excesso de oleosidade pode se manifestar em forma de acne e o acúmulo de gordura em áreas como virilha, pescoço, axilas e seios.

Como detectar? 

Para detectar essa síndrome, é preciso realizar alguns exames e analisar o histórico médico da paciente.

Normalmente, tais exames consistem em um exame físico. Especialmente o exame pélvico, que serve para detectar a inflamação dos ovários e do clitóris.

Também mede-se o índice de massa corporal (IMC), o peso e o tamanho do abdômen da mulher.

Evidentemente, outros exames muito importantes que ajudam a estipular se a paciente sofre da SOP são os exames de sangue.

Com eles, é possível verificar os níveis hormonais de estrogênio e testosterona, assim como os níveis de glicose, lipídios, prolactina e tiroide.

Por fim, os médicos podem sugerir, para ter mais certeza, uma ecografia transvaginal ou uma laparoscopia pélvica.

Além disso, o histórico clínico da paciente deve levar em conta se essa sofre de diabetes, hipertensão, obesidade ou colesterol alto.

Tratamento do ovário policístico

ovário policístico

Depois de ter realizado os exames necessários, se a síndrome de ovário policístico for diagnosticada, deve-se iniciar o tratamento.

Em primeiro lugar, um aspecto muito importante é reduzir o peso corporal nos casos necessários.

Principalmente porque, dessa maneira, outras doenças como o diabetes, a hipertensão e o colesterol alto podem ser melhor tratadas.

Além disso, normalmente são recomendadas medicações orais, principalmente os anticoncepcionais.

Com eles, é possível controlar a produção dos androgênios e fazer com que ciclos menstruais ocorram mais regularmente. Além disso também ajudam a combater as mudanças físicas, a infertilidade e problemas de acne.

Adicionalmente, também existem outras opções como medicamentos para diabetes, hormônios, citrato de clomifeno, comprimidos de espironolactona ou flutamida e creme de eflornitina.

Em certos casos, uma intervenção cirúrgica para extrair os cistos pode ser necessária. Evidentemente, este tipo de cirurgia somente é realizada em alguns casos.

Sobretudo quando os cistos já se formaram de um jeito que se torna impossível retirá-los com medicamentos e/ou outro tratamento. A operação para tirar os cistos é realmente simples e raramente apresenta efeitos colaterais graves.

Intervenções cirúrgicas e gravidez

As intervenções cirúrgicas também são uma excelente opção para tratar a infertilidade. Além disso, também é muito importante levar em conta que as pacientes que sofrem de SOP devem se exercitar constantemente e manter uma alimentação adequada.

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Por outro lado, é muito perigoso se submeter a um tratamento desse tipo se um bom diagnóstico não foi realizado. Isso porque os hormônios costumam ser um aspecto muito delicado. Assim, só devem ser tratados por um verdadeiro especialista.

Cabe dizer que esta disfunção é algo fácil de tratar e solucionar quando o tratamento correto é aplicado.

Em muitos casos, o resultado final é que as pacientes consigam engravidar. Mesmo que os riscos de contrair hipertensão arterial e diabetes durante a gestação ainda existam.

Por outro lado, as mulheres que sofrem de SOP têm mais possibilidades de ter câncer do endométrio e de mama. Ao mesmo tempo, também são altos os níveis de esterilidade.

Obviamente, se alguns dos sintomas que mencionamos se apresentarem, é preciso consultar o médico especialista para determinar se você sofre ou não da síndrome do ovário policístico.

Mulheres em idade reprodutiva têm mais tendência a desenvolvê-la. Então, devem ter mais atenção aos sintomas.

Como ocorre com qualquer outro tipo de doença, a SOP pode ter efeitos muito significativos na paciente. Conforme dissemos, as mulheres podem sofrer infertilidade ou graves problemas para engravidar.

Então, é recomendado que sejam tomadas as precauções adequadas para que, caso necessário, o tratamento seja iniciado o quanto antes.

As mulheres que sofrem com essa síndrome não devem se preocupar em excesso. É preciso ter confiança nos métodos porque, graças aos avanços da medicina, atualmente tais disfunções são muito mais fáceis de serem tratadas.