5 chaves da neuralgia do trigêmeo: a pior dor do mundo

· 28 de abril de 2017
É uma dor facial muito intensa, parecida com choques elétricos, que costuma afetar só um lado do rosto. A neuralgia do trigêmeo pode chegar a ser incapacitante, mas tem tratamento.

Existem muitas dores, e sem dúvida cada uma delas é única em sua intensidade e suas características. No entanto, é comum descrever a neuralgia do trigêmeo como a pior dor do mundo.

Em nossa cabeça há 12 pares de nervos, e um deles pode causar em uma parte da população este tipo de neuralgia incapacitante da qual temos dados desde a antiguidade, quando Areteu da Capadócia, médico do século II, a descreveu pela primeira vez.

É um tique doloroso, como uma descarga elétrica que irradia a área facial que se estende desde o pômulo até o queixo.

Dado que sempre é útil conhecer este tipo de condição médica, hoje, em nosso espaço, queremos explicar cinco pontos principais a respeito da neuralgia do trigêmeo.

1. O que é a neuralgia do trigêmeo

  • A neuralgia do trigêmeo é um tipo de dor crônica que afeta um nervo específico, o qual lhe dá seu nome. Falamos do quinto nervo craniano, um dos mais longos da cabeça.
  • A neuralgia do trigêmeo aparece na forma de “tiques” de forte intensidade. São intervalos curtos, entre dois segundos e um minuto, nos quais a pessoa fica paralisada, sem poder mastigar ou até falar por causa da dor.
  • Dura pouco, mas em alguns casos a neuralgia do trigêmeo pode progredir e durar cada vez mais tempo.
  • Este nervo, por sua vez, tem três ramificações que cruzam a área visual, o couro cabeludo, a testa e a parte frontal da cabeça.
  • Isso explica por que as pessoas sentem dor na mandíbula, na bochecha, nos lábios, nos dentes e até nas gengivas.

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O culpado é um vaso sanguíneo

  • A origem desta neuralgia está em um vaso sanguíneo que comprime o nervo do trigêmeo quando este sai do tronco cerebral.
  • A envoltura que rodeia o nervo se desgasta, seja pelo passar do tempo ou por uma doença que deteriora a mielina do nervo.
  • Este desgaste progressivo do nervo faz com que ele envie sinais anormais ao cérebro.

É a dor de cabeça mais intensa que podemos experimentar.

2. Quais são os sintomas?

  • Os episódios se iniciam de forma aguda e breve, imitando uma “descarga elétrica”. A pessoa pode ficar surpresa por não saber o que lhe aconteceu, no entanto, não dá importância ao fato pela sua rapidez.
  • Pouco a pouco os ataques se repetem. Basta tocar o rosto, mastigar, falar ou escovar os dentes para que a “descarga” ocorra novamente.
  • Os ataques de dor duram entre alguns poucos segundos e vários minutos.
  • Os episódios podem durar dias e desaparecer, para depois voltarem em cerca de um mês, ou então durar vários meses seguidos.
  • A dor, como já comentamos, irradia até as bochechas, mandíbula, dentes, gengivas, lábios ou, com menos frequência, até os olhos ou a testa.
  • A dor só costuma afetar um lado do rosto.
  • Os ataques se tornam mais frequentes e intensos com o passar do tempo.

3. Quem costuma ser afetado pela neuralgia do trigêmeo?

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  • A neuralgia do trigêmeo afeta especialmente pessoas com mais de 50 anos. No entanto, cabe ressaltar que ela também pode ocorrer em pessoas jovens.
  • O transtorno é mais comum em mulheres do que em homens.
  • Costuma ser algo hereditário.

4. Que exames devo fazer?

O diagnóstico médico da neuralgia do trigêmeo se baseia em três pontos fundamentais que permitem diferenciá-la, por exemplo, de uma enxaqueca:

  • Tipo de dor: se é breve, estamos falando da neuralgia.
  • Localização: conhecer as partes do rosto que são afetadas pela dor é básico para diagnosticá-la.
  • Gatilhos: Este tipo de neuralgia está relacionado à estimulação da luz nas bochechas, com o ato de mastigar e de falar.

Uma vez que tenhamos comunicado estes pontos ao médico, o especialista pode pedir os seguintes exames:

  • Um exame neurológico.
  • Uma ressonância magnética.

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5. Como tratar a neuralgia do trigêmeo?

medicamentos

Tratamento farmacológico

Nossos médicos serão sempre os encarregados de indicar o melhor tratamento. Cabe dizer que com este tipo de neuralgia os simples anti-inflamatórios ou analgésicos não funcionam.

  • São usados anticonvulsivos para bloquear o disparo nervoso desta estrutura cerebral.
  • Além disso, o uso de antidepressivos tricíclicos é eficaz quando a dor é constante.

Enfoque cirúrgico

Se os medicamentos não servem, passaríamos a um procedimento neurocirúrgico.

As técnicas podem ir desde intervenções simples a operações mais complexas, e seriam as seguintes:

  • Uma rizotomia é um procedimento no qual se destroem determinadas fibras nervosas para bloquear a dor.
  • A compressão por balão é uma técnica simples e rápida. É inserida uma cânula pela qual passa um pequeno balão que tem como finalidade comprimir o nervo trigêmeo para reduzir sua estimulação e a dor.
  • A injeção de glicerol é outra técnica para isolar as fibras do nervo trigêmeo e impedir assim estas descargas elétricas tão dolorosas.

Por último, no caso de as estratégias anteriores não funcionarem, é realizada o que se conhece como descompressão microvascular. É uma intervenção mais delicada, mas ao mesmo tempo, mais eficaz. Graças a ela este tipo de neuralgia não volta a aparecer.

Para concluir, a conhecida como a “pior dor do mundo” tem solução. Trata-se somente de ser paciente, de seguir os conselhos de nossos médicos, e de ir passando por diferentes técnicas até encontrar a que nos ofereça a melhor qualidade de vida.

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