Não vou mais perder tempo com o que me faz mal

31 de janeiro de 2019
Priorizar a nós mesmos e buscar o nosso próprio bem-estar e felicidade não nos torna pessoas egoístas, principalmente se o fazemos para nos afastarmos das pessoas que nos prejudicam.

O que me faz mal me muda e me afasta do que sou na realidade: uma pessoa forte, valente e livre que merece ser feliz. Por isso, não vou mais perder tempo com o que me faz mal.

Claro que não é nada fácil se afastar e romper, da noite para o dia, com tudo aquilo que vulnera a nossa autoestima.

Sabemos fugir dos focos evidentes que nos fazem mal: o fogo, uma ruela escura e pouco frequentada à noite, o mar revolto, um animal perigoso… Nosso cérebro está programado para reconhecer ameaças externas e, além disso, ativar uma resposta: a fuga.

Se há algo que sabemos é que nem todos os estímulos perigosos do nosso entorno são facilmente reconhecíveis, e nem é tão simples dizer a nós mesmos que precisamos escapar.

Somos pessoas sociais que estabelecem relações, amizades, que constroem vínculos sólidos com pessoas que, eventualmente, acabam nos prejudicando.

Dessa forma, o que devemos fazer nestes casos, quando alguém que “nos faz mal” é nossa família ou nosso parceiro?

Não é fácil se afastar de alguém ou alguma coisa, especialmente quando amamos. Mas isso se torna necessário quando nos faz mal.

Quem te faz mal não merece a sua companhia

Mulher afastando o que faz mal

“Quem te faz mal não merece a sua companhia”. Sabemos que é fácil falar. No fundo de nossa mente e coração somos conscientes de que quem vulnera a nossa autoestima e não nos respeita, não nos ama de verdade. Mas… como conseguir admitir isso? Como reagir?

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As pessoas que nos fazem mal são pessoas que priorizam a si mesmas

Quando comentamos que há pessoas que fazem mal, a primeira coisa que pensamos é na violência física.

Embora isso realmente seja um fator importante, existe e seja algo que devemos combater de todas as instituições sociais, também existe a violência implícita, indireta e silenciosa que nos faz mal.

  • Há pessoas com pouca empatia e habilidades sociais incapazes de estabelecer reações baseadas no respeito e na reciprocidade.
  • Os parceiros que costumam priorizar os seus interesses sempre antes do seu companheiro também são muito destrutivos.
  • O egoísmo, o fato de não saber construir vínculos baseados na compreensão, na confiança ou no respeito são, sem dúvida, aspectos que podem nos fazer muito mal em nosso dia a dia.

As palavras podem nos machucar muito

Em algumas ocasiões, não é o que nos dizem, mas a forma como nos dizem. Usar um tom desrespeitoso, levantar a voz ou fazer uso da ironia são aspectos implícitos que acabam vulnerando muito a nossa autoestima.

  • Receber uma educação baseada em uma comunicação falha ou autoritária também faz mal e vulnera a autoconfiança, principalmente nas crianças.
  • Por sua vez, em nossas relações de casal, o tom de voz e a forma como damos a informação ou estabelecemos um diálogo também diz muito sobre nós.
Mulher afastando o que faz mal

Defenda-se do que faz mal

O autêntico problema, assim como falamos no início, é que sabemos reagir diante de um estímulo físico ameaçador, mas não diante de um social que quebra a nossa autoestima.

Um dos focos que mais costuma causar dano é o familiar, ou o círculo mais próximo em nosso dia a dia. O que devo fazer se minha mãe, meu irmão ou meu parceiro não me respeitarem, ou se fizerem chantagem emocional comigo?

  • Estabeleça limites e atreva-se a dizer NÃO ao que você não gosta, ao que não deseja, ao que incomoda.
  • Dizer NÃO não é um ato egoísta ou ameaçador. É definir a nossa personalidade com respeito; informar a aqueles que nos rodeiam que merecemos consideração e que há coisas que nos fazem mal.
  • O essencial é que, diante desta advertência, a pessoa reaja. Se perceber que nada muda e que continuam agindo da mesma maneira, será o momento de tomar alguma decisão. Quem faz mal de forma voluntária não merece a sua companhia.
  • Entenda que não é possível agradar a todos. Tentar agradar todas as pessoas que nos rodeiam é algo impossível e, além disso, pode nos trazer infelicidade.
  • Na vida a primeira prioridade é você. Se você se amar e se respeitar, não deixará que ninguém lhe faça mal.
  • Dessa forma, é fundamental estabelecer relações que nos permitam ser sempre nós mesmos, que nos mostrem respeito, carinho e compreensão.
Mulher com rosa vermelha

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Preocupe-se com sua própria felicidade

Quem não é capaz de respeitá-lo só merece a sua distância. Esta distância permitirá a você ter mais equilíbrio e proteção emocional. Afaste-se ou limite o contato o quanto possível. Lembre-se que você não é má pessoa por se afastar de quem faz mal.

Você é responsável, valente e alguém que, como qualquer outro, busca construir a sua própria felicidade. Não perca mais tempo com aquilo que lhe faz mal ou com quem não respeita seus valores e sua integridade.

Não vale a pena.

  • Gonçalves, C. A. V., & Machado, A. L. (2007). Depressão, o Mal do Século: de que século? Rev. Enfermagem UERJ.
  • Leitão, S. P., Fortunato, G., & Freitas, A. S. de. (2006). Relacionamentos interpessoais e emoções nas organizações: uma visão biológica. Revista de Administração Pública. https://doi.org/10.1590/S0034-76122006000500007