Mulher de 65 anos afirma que pode “cheirar” o Parkinson

· 30 de dezembro de 2015
Se for confirmada a possibilidade de detectar o Mal de Parkinson através de mudanças de odores corporais, seria um grande avanço para poder frear seu progresso.

O Parkinson é uma das doenças degenerativas que causam medo na sociedade moderna. Isso acontece devido à taxa de diagnósticos que aumenta ano após ano. Além disso, devido também aos problemas que existem para sua detecção e tratamento oportunos.

Por isso, um grupo de pesquisadores tentará confirmar se há possibilidade de detectar de forma precoce o Parkinson através do odor corporal.

Assim, se basearão no testemunho de uma mulher de 65 anos que afirma que pode “cheirar” a doença. Joy Milne, uma britânica de 65 anos, assegura ter a capacidade de “cheirá-la” em algumas pessoas.

Até agora, algumas hipóteses sugerem que as mudanças que ocorrem na pele dos pacientes com este transtorno desde seu estágio mais precoce, poderiam ser a razão pela qual esta mulher pôde identificá-la em seu marido muitos anos antes de receber o diagnóstico oficial por parte dos médicos.

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A história…Casal

Joy Milne, de origem australiana, poderia ter uma qualidade que muitos outros seres humanos não possuem. Aos 65 anos, afirma que tem a capacidade de detectar a doença. Faz isso através dos odores produzidos pelo corpo quando estão sendo liberados.

Milne descobriu o Parkinson quando, de repente, começou a notar que o cheiro de seu marido havia mudado. Além disso, ela foi a única a perceber.

Ele morreu em 2015, aos 65 anos, depois de lidar com este transtorno degenerativo durante cerca de 20 anos.

Entretanto, mesmo quando os médicos ainda não podiam dar um diagnóstico preciso, Joy já havia notado esse cheiro particular em seu esposo. Contudo, não sendo consciente deste “poder” durante anos, não soube ao que se devia exatamente.

Assim, em suas declarações para a BBC, contou que “Sabia que podia farejar coisas que outras pessoas não percebiam”.

Também disse que, uns seis anos antes que seu marido fosse diagnosticado com o Mal de Parkinson, ela já havia notado uma mudança no seu odor corporal que, desde esse momento, não desapareceu.

“Seu odor mudou e era difícil de descrever. Não foi algo repentino. Foi muito sutil, como o cheiro de almíscar”, lembra.

Os cientistas provaram o poder de JoyTomografia

Com declarações tão surpreendentes da australiana aos médicos, os cientistas da Universidade de Edimburgo se interessaram por sua história e tomaram a decisão de confirmar se era possível que uma pessoa percebesse um odor diferente em alguém com Parkinson.

No teste utilizaram seis pessoas que tinham a doença e outras seis pessoas sãs, cujas camisetas foram marcadas com um código para identificar se o olfato de Joy realmente detectava a doença.

O doutor Tilo Kunath, pesquisador de Parkinson na faculdade de biologia foi um dos mais surpresos com os resultados. Eles revelaram uma precisão de “11 acertos de 12 possíveis”.

O que mais chamou a atenção foi que, além de identificar os pacientes com Parkinson, Joy também assegurou que um dos participantes saudáveis do grupo de controle tinha a doença.

No começo não o incluíram no grupo de pacientes com a doença. Entretanto, oito meses mais tarde determinaram que já a estava desenvolvendo.

Com uma precisão de 100%, Joy Milne foi apelidada como a mulher do “supernariz”, e sua qualidade continuará sendo estudada através de um projeto de pesquisa que deseja confirmar quais são as moléculas que poderiam gerar a mudança de odor devido a esta doença.

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A fundação Parkinson UK financiará a pesquisaIdoso-em-cadera-de-rodas

A organização sem fins lucrativos Parkinson’s UK financiará um importante estudo em  Manchester, Edimburgo e Londres. Nele participarão cerca de 200 pessoas com e sem Parkinson.

As amostras extraídas serão analisadas a nível molecular, mas também por Joy Milne e uma equipe de especialistas em odores.

O que se espera como resultado é encontrar uma “marca molecular” que explique a possível mudança de aroma nos pacientes doentes. A finalidade é revolucionar a forma de detectá-la.

Se a possibilidade de se fazer um diagnóstico precoce da doença mediante as mudanças moleculares do odor corporal se confirmar, os expertos acreditam que poderiam desenvolver um teste para obter um prognóstico oportuno dos pacientes.

Por fim, certamente este seria um grande avanço para todo o portador da doença. Afinal, além de facilitar a identificação dos pacientes, também poderia ajudar a provar algum tipo de tratamento. Este, por sua vez, poderia amenizar ou deter o progresso deste transtorno.

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