Metabolismo hepático: antibióticos e álcool

Tanto o álcool quanto os antibióticos são substâncias tóxicas que são eliminadas graças ao metabolismo do fígado. A combinação de antibióticos e álcool pode comprometer o bom funcionamento desse órgão.
Metabolismo hepático: antibióticos e álcool

Última atualização: 27 Dezembro, 2019

Você já ouviu falar que não deve beber álcool enquanto toma medicamentos? Ainda mais, quando esses medicamentos são antibióticos, as precauções são extremas. A razão pela qual a mistura de álcool com antibióticos é prejudicial à sua saúde está no metabolismo hepático, um processo que ocorre no fígado. No entanto, para explicar esse processo, é importante esclarecer alguns conceitos.

O que é um antibiótico?

Os antibióticos salvaram milhões de vidas humanas desde o seu primeiro uso com a penicilina.

Antibióticos

Um antibiótico é um produto químico produzido por um ser vivo ou derivado sintético, que mata ou impede o crescimento de certos tipos de micro-organismos sensíveis. Estes são medicamentos utilizados no tratamento de infecções bacterianas, pelo que também são conhecidos como antibacterianos.

Os antibióticos geralmente ajudam as defesas de um indivíduo até que as respostas locais sejam suficientes para controlar a infecção. Um antibiótico é bacteriostático se impede o crescimento de bactérias e bactericida se as destrói, e também pode gerar os dois efeitos, dependendo do caso.

O que é o álcool?

 O álcool é uma droga depressora do sistema nervoso central, que inibe progressivamente as funções cerebrais. É caracterizada pelo aparecimento de sintomas de intoxicação que afetam a atividade cerebral, gera falta de coordenação motora e produz alterações comportamentais.

O consumo regular e prolongado desta substância causa inflamação e destruição das células hepáticas (células do fígado). Isso tem como resultado que a pessoa venha a sofrer de cirrose.

Qual é a função do fígado? Metabolismo hepático

O fígado é um órgão essencial que desempenha múltiplas funções no organismo.

Partes do fígado

O fígado é um dos órgãos mais importantes do nosso corpo. Isso se deve principalmente ao grande número de funções importantes que realizada ao longo do dia.

Entre as funções em que participa podemos citar seu papel no metabolismo, no controle das proteínas sanguíneas e na distribuição de alguns nutrientes, como o ferro, que regula o colesterol e os triglicerídeos e desempenha a função de eliminação tóxica.

Uma das principais funções do fígado é filtrar os materiais tóxicos do corpo. Uma vez que tanto os antibióticos como o álcool são tóxicos, é no fígado que o seu metabolismo ocorre.

Quando ocorre um acúmulo desse material tóxico, tratamos de uma hepatite tóxica. Para determinar se o metabolismo hepático está funcionando corretamente podemos recorrer a exames de função hepática. Esses exames são analíticos, usados ​​para avaliar a atividade hepática.

Exames de função hepática

Exames de função hepática, para determinar a função hepática estes medem certas proteínas, enzimas e substâncias, incluindo:

  • Bilirrubina: trata-se de uma substância de cor amarela parte da bílis. Esta substância é formada quando os glóbulos vermelhos se decompõem. Existem exames que detectam a bilirrubina na urina e no sangue. No caso da bilirrubina no sangue, quando está em excesso, pode causar icterícia.
  • As aminotransferases: enzimas que refletem a integridade dos hepatócitos. Dessa maneira, aumentam a necrose hepatocelular, ou seja, quando ocorre a morte das células hepáticas.
  • Fosfato alcalino (Fa): o marcador mais sensível da colestase, embora não seja específico para uma única doença.

Hepatite tóxica

Metabolismo do fígado

A hepatite tóxica é um termo que se refere à inflamação do fígado. As causas desta inflamação podem ser muito variadas, sendo as mais frequentes as causas infecciosas. No entanto, também existem outras causas, como uma reação anormal ao consumo de um medicamento ou à exposição a substâncias tóxicas da natureza.

Além das causas mencionadas, uma hepatite tóxica também pode ser causada pela mistura de antibióticos com álcool. Isso ocorre porque ambas são substâncias tóxicas e quando combinadas elas interagem. Quando isso ocorre, podemos distinguir entre dois mecanismos:

  • Toxicidade direta ou intrínseca: O álcool e os antibióticos são tóxicos e são metabolizados no fígado. Assim, se o metabolismo hepático estiver sobrecarregado, não poderá gerenciar a demanda por trabalho e resultará em hepatite.
  • Toxicidade idiossincrática: existem certos antibióticos que interagem com o álcool e se tornam inativos. Isso faz com que parem de funcionar e não cumpra sua função de matar as bactérias. O grande problema nesse caso é que as bactérias que se pretendiam acabar tornam-se resistentes ao antibiótico, por isso será muito mais difícil acabar com ela.

Para ilustrar a hepatite tóxica idiossincrática podemos mencionar o antibiótico: amoxicilina-clauvulânica. Atualmente, este medicamento é a causa mais frequente de hepatite tóxica idiossincrática no Ocidente. Quando misturado com álcool torna-se inativo, tornando as bactérias resistentes. Assim, no futuro, a bactéria não poderá ser eliminada usando amoxicilina-clauvulóica.

Risco de resistência

Atualmente a resistência de bactérias a antibióticos está aumentando, criando um sério problema de saúde pública na população global. Para evitar isso, deve-se seguir corretamente as diretrizes dos medicamentos, não se automedicar ou tomar antibióticos para tratar doenças virais, como gripe ou resfriado, além de evitar o consumo de antibióticos com outras substâncias, como o álcool.

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