Lesão aórtica: classificação, sintomas e tratamento

10 de julho de 2019
Só 15% dos pacientes que sofrem lesões aórticas, de acordo com estudos, conseguem chegar com vida ao hospital. A mortalidade sem tratamento é de 90% aos três meses

A lesão aórtica é uma das lesões mais graves. As rupturas aórticas de origem traumática aparecem excepcionalmente isoladas nos traumatismos penetrantes.

Nas lesões fechadas, são consideradas como responsáveis diretas das mortes in situ entre 16% e 40% dos falecimentos, perdendo apenas para o traumatismo craniano.

Em relação à etiologia da lesão aórtica, os acidentes de trânsito estão entre os mais frequentes. Também as precipitações, especialmente quando os impactos são laterais.

Apenas 15% das lesões aórticas, de acordo com estudos, têm um prognóstico favorável e a mortalidade sem tratamento é de 90% aos três meses. As chances de sobrevivência serão determinadas pela gravidade das próprias lesões aórticas, as associadas e o tratamento aplicado.

Classificação das lesões aórticas

Lesão aórtica

Nas diretrizes de prática clínica, propõe-se uma classificação que só reconhece 3 graus de lesão diante do tratamento:

  • Grau I: são as lesões que são indicadas como controle com tratamento médico com betabloqueadores e acompanhamento até que a lesão estabilize ou desapareça.
  • Grau III: são as lesões que requerem cirurgia imediata. Também estão incluídas aquelas que apresentam ruptura livre ou aquelas com ruptura contida no pseudoaneurisma, mas que associam sinais secundários de lesão grave.

Finalmente, um grupo intermediário que eles chamam de grau II são as lesões do tipo LIT. O tratamento dependerá de outros parâmetros, como estabilidade da lesão, ausência desses sinais secundários de gravidade e outras lesões associadas do paciente.

As propostas dessas classificações simples de reproduzir e concordantes permite padronizar a linguagem e a comunicação dos achados.

Sintomas da lesão aórtica

Os sintomas que o paciente apresenta também influenciam na escolha do tratamento. Podemos destacar os sinais associados de lesão grave e o conceito de estabilidade da lesão ao longo do tempo.

Assim, em relação aos sinais secundários de lesão grave podemos citar:

  • Pseudocoarctação: é uma anomalia da artéria aorta.
  • Hematomas graves
  • Hemotórax esquerdo maciço.
  • O tamanho do pseudoaneurisma ou o envolvimento de mais de 50% da circunferência.

Esses são fatores que aumentam o grau de lesão. Por isso, indicam a necessidade de reparo urgente, enquanto a sua ausência permite um tratamento eletivo. Outro fator com o mesmo significado é a hipotensão pré-hopsitalar.

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Como o diagnóstico é feito

Circulação pela aorta

Nos últimos anos, houve uma revolução nas opções de diagnóstico e tratamento das lesões aórticas. Assim, evoluiu paralelamente à melhoria da tecnologia multidetectora e à introdução de novas técnicas de reparo endovascular.

Conseguiu-se, por um lado, que pequenas lesões não passassem despercebidas e, por outro lado, uma diminuição na mortalidade que aparece diretamente relacionada à escolha do procedimento e ao tempo de tratamento.

A evolução natural das lesões aórticas depende de diferentes variáveis. O grau é um fator determinante, mas não é o único. Isso condicionará a necessidade ou não e o momento mais adequado de reparo ou tratamento conservador.

Em suma, houve uma revolução no diagnóstico da lesão aórtica, desde a suspeita de sinais indiretos na radiografia torácica portátil até a identificação de lesões íntimas mínimas que antes permaneciam ocultas, pois nem sempre eram acompanhadas de hemorragia mediastinal.

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Tratamento da lesão aórtica

Atualmente existem três modalidades terapêuticas:

  • Tratamento médico com betabloqueadores, bloqueadores da cadeia de cálcio e vasodilatadores para reduzir a frequência da pressão arterial associada a agentes antiagregantes/anticoagulantes.
  • Reparo endovascular.
  • Reparo com cirurgia aberta.

Certamente, qualquer uma das duas intervenções pode ser realizada de forma urgente, semieletiva ou programada. Além disso, em relação ao reparo endovascular desenvolvido nos últimos anos, observa-se acentuada redução nos tempos de sala de cirurgia, necessidade de transfusão e permanência hospitalar em comparação aos submetidos à cirurgia aberta.

Por fim, esses dados sugerem que ele seja proposto como o tratamento de primeira linha naqueles com anatomia favorável e até mesmo em crianças com lesão da aorta torácica, sempre que o médico indicar.

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