Insuficiência cervical: sintomas e complicações

Esta é uma condição difícil de diagnosticar, especialmente para mães de primeira viagem. O melhor é fazer exames pré-natais regulares e relatar qualquer sintoma ao seu médico.
Insuficiência cervical: sintomas e complicações

Última atualização: 24 Junho, 2021

A insuficiência cervical também é conhecida como insuficiência istmocervical. Ocorre quando o colo do útero dilata muito cedo durante a gravidez, geralmente sem quaisquer outros sintomas. Isso leva ao parto prematuro ou aborto espontâneo.

Normalmente, essa área dilata apenas quando o trabalho de parto começa, em resposta às contrações. Se houver insuficiência cervical, essa dilatação ocorre durante o segundo trimestre da gravidez, sem dor ou contrações.

Essa anormalidade só pode ser detectada durante a gestação. Em outras condições, o útero parece normal. Se uma mulher teve insuficiência cervical em uma gravidez anterior, o mesmo provavelmente acontecerá em outras gestações.

Sintomas comuns de insuficiência cervical

Dores abdominais
A insuficiência cervical é uma anormalidade que causa dilatação durante os primeiros estágios da gravidez.

A insuficiência cervical não causa sintomas no início da gravidez. Apenas algumas mulheres apresentam sangramento leve durante as semanas 14-20 de gestação. Esse sangramento pode durar alguns dias ou várias semanas.

Além disso, algumas mulheres sentem desconforto durante o segundo trimestre da gravidez, como os seguintes:

O que causa o problema?

A ciência ainda não foi capaz de estabelecer qual é a causa específica da insuficiência cervical. No entanto, alguns dos fatores que aumentam o risco de sofrer dessa anomalia foram apontados. Os mais importantes são os seguintes:

  • Ter tido uma ruptura do colo do útero em um parto anterior.
  • Antecedentes de LEEP. Este é um procedimento eletrocirúrgico excisional feito para prevenir o câncer de útero.
  • Doença congênita do tecido conjuntivo. Inclui várias anormalidades no útero que ocorrem no nascimento, como a síndrome de Ehlers-Danlos.
  • Defeitos congênitos do útero. Eles estão presentes no nascimento e significam que o útero tem uma anormalidade.
  • Lesão ou trauma no colo do útero.
  • Exposição ao dietilestilbestrol. Esta é uma droga hormonal. Se a mãe de uma mulher tomou este medicamento durante a gestação, o risco de desenvolver insuficiência cervical aumenta.

Mulheres que tiveram abortos espontâneos, especialmente se ocorrerem antes do quarto mês, têm maior risco de insuficiência cervical.

Diagnóstico de insuficiência cervical

O diagnóstico da insuficiência cervical é difícil, principalmente quando se trata da primeira gravidez. Se o profissional de saúde suspeitar dessa anormalidade, ele pode solicitar alguns exames e procedimentos para confirmá-la.

Os exames de diagnóstico usuais são os seguintes:

  • Ultrassom transvaginal. Este exame permite medir o comprimento do colo do útero e determinar se há membranas salientes através dele. Se o colo tiver menos de 25 milímetros, o exame confirmará a insuficiência cervical.
  • Exame pélvico. É uma inspeção visual e manual que permite estabelecer se o saco amniótico e as membranas fetais estão no lugar ou não.
  • Exames de laboratório. Realizados quando há suspeita de infecção. Para determinar isso, retira-se uma amostra de líquido amniótico que é analisada através do microscópio.

Tratamentos disponíveis para a insuficiência cervical

Uma vez confirmado o diagnóstico de insuficiência do colo do útero, existem tratamentos para evitar consequências graves. O objetivo de todos eles é atrasar o parto o máximo possível. Alguns deles são os seguintes:

Suplementos de progesterona

Um estudo realizado por vários centros médicos e universidades da Holanda apontou que a suplementação de progesterona reduziria o risco de parto prematuro e aborto espontâneo quando o colo do útero da gestante é curto. A progesterona é administrada por injeção ou através de supositórios vaginais.

Cerclagem cervical

A cerclagem cervical é um procedimento cirúrgico em que o colo do útero é fechado com suturas fortes. Essa cerclagem é removida entre a 36ª e 38ª semanas, quando é seguro dar à luz, uma vez que na 37ª semana a gestação é considerada a termo. Às vezes, a sutura é removida no momento do parto.

Pessário Arabin

Este é um procedimento que envolve e fecha o colo do útero usando um anel especialmente desenvolvido para isso. Neste caso, nenhuma cirurgia é necessária. Acredita-se que essa técnica seja muito eficaz quando a mãe tem um colo do útero em forma de funil, ou seja, em forma de “V”. No entanto, ainda são necessárias pesquisas a esse respeito.

Repouso na cama

O repouso na cama, ou repouso pélvico, provou ser um método eficaz para retardar o parto. Esse descanso pode ser parcial ou total. Em alguns casos, a indicação é de que a mãe só se levante para comer e ir ao banheiro. Embora isso possa ser muito entediante, a verdade é que é um método simples e de eficácia comprovada.

Fatores de risco e complicações

Trauma cervical
O trauma cervical é um dos principais fatores de risco para a insuficiência cervical.

O fator de risco mais óbvio nesses casos é o traumatismo do colo do útero. Se houver algum tipo de lesão ou cirurgia já realizada na área, aumenta a possibilidade de insuficiência cervical.

Como já observamos, outros fatores de risco são problemas congênitos, doenças do tecido conjuntivo e exposição ao medicamento dietilstibestrol. No entanto, muitas das mulheres com essa condição não apresentam nenhum fator de risco conhecido.

Descobriu-se que as mulheres afro-americanas correm um risco ligeiramente maior de desenvolver esse problema. Quanto às complicações, as mais óbvias e graves são o parto prematuro e a possibilidade de aborto espontâneo.

Quer saber mais? Então leia: Miomas no útero e na gravidez: saiba tudo

Os controles pré-natais são essenciais

Não há como saber se uma mulher tem insuficiência cervical a menos que ela esteja grávida. Isso cria uma dificuldade significativa para o diagnóstico e tratamento precoce desse problema.

É melhor manter um cuidado pré-natal contínuo e eficiente e relatar qualquer sintoma ao médico mesmo que não pareça ser grave. Não fique aflita e peça ao seu obstetra que esclareça todas as suas dúvidas. Assim, você ficará mais tranquila e reduzirá o risco de qualquer eventualidade repentina.

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