Infecções urinárias em crianças

24 de maio de 2019
As infecções do trato urinário podem ser graves e deixar sequelas renais. Por este motivo, é indispensável conhecer seus sintomas e consultar o médico para começar um tratamento o antes possível.

As infecções urinárias em crianças são bastante comuns. Este tipo de infecção se produz quando algumas bactérias conseguem entrar na bexiga e nos rins. Assim, é necessário consultar o médico para iniciar um tratamento o quanto antes.

Neste artigo, vamos explicar o que são as infecções urinárias e qual é o seu tratamento.

As infecções do trato urinário

As infecções do trato urinário (ITU) se definem como a presença ou proliferação de micro-organismos nos órgãos da micção, com a presença de seus sintomas. A infecção assintomática se denomina bacteriúria assintomática.

Devemos distinguir vários tipos de infecções do trato urinário de acordo com a sua localização:

Por outro lado, as bactérias mais comuns capazes de provocar infecções urinárias em crianças são:

  • Proteus
  • Klebsiella
  • Enterobactérias
  • Estreptococos
  • Estafilococos
  • Escherichia coli
  • Em recém-nascidos também podem apresentar-se por Listeria monocytogenes e Enterococcus, entre as mais frequentes.

Como mencionamos anteriormente, as ITU são frequentes durante a infância e, devido a que podem ser recorrentes e desenvolver complicações a longo prazo, é indispensável consultar o pediatra para iniciar um tratamento o antes possível.

Leia também: 8 remédios naturais para curar a cistite

Sintomas das infecções urinárias em crianças

Bebês no penico

As infecções urinárias em crianças geralmente provocam febre, mal-estar e vontade de urinar com frequência. Os sintomas podem variar dependendo da idade. Aliás, é mais difícil de detectar em recém-nascidos ou em menores de 6 meses. Entretanto, um sintoma comum a todas as idades é a presença de febre (geralmente superior a 37 ºC) e ardor ao urinar.

Vejamos os sintomas mais comuns:

  • Dor ou ardor ao urinar
  • Febre
  • Dor na região da bexiga
  • Urina com cheiro forte, turva e inclusive pode conter sangue
  • Irritabilidade e vômitos
  • Mal-estar geral e calafrios
  • Necessidade constante de urinar, mesmo quando o volume é muito pequeno

Entretanto, no caso das pielonefrites agudas os sintomas geralmente são mais intensos. Nestes casos, aparecem quadros severos de febre, além de cansaço, fadiga, perda de apetite e vômitos.

Por outro lado, existem alguns fatores de risco associados às infecções urinárias em crianças. Entre os mais habituais podemos destacar:

  • Problemas no aparelho urinário (obstruções das vias urinárias, por exemplo).
  • Malformações renais.
  • Refluxo vesicoureteral, um transtorno que provoca que a urina retorne aos rins e aos ureteres.
  • Hábitos inadequados de higiene.

Como se diagnostica?

O médico procederá a um exame físico e, posteriormente, indicará a realização de um exame ou cultura de urina. Em geral, o cultivo permitirá ao especialista determinar o tipo de infecção e, portanto, determinar o melhor tratamento.

Por outro lado, a maneira de coletar a urina para exame vai depender da idade da criança. Em crianças com mais idade, basta pedir-lhes que façam xixi em um recipiente esterilizado. Entretanto em crianças menores, que ainda usam fraldas, o normal é utilizar um cateter para obter a amostra.

Não deixe de ler também: Remédios para limpar a bexiga e vias urinárias

Como se tratam as infecções urinárias em crianças?

Exame de urina ajuda a detectar uma infecção urinária

Depois do diagnóstico, o mais eficaz é avaliar qual será o melhor tratamento para a criança, que será mediante antibióticos. Aliás, depois da administração dos mesmos, é possível que o médico solicite um novo exame de urina para confirmar que a infecção desapareceu. Desta maneira, é possível evitar que o problema se expanda a outras partes do corpo ou se torne recorrente.

Entretanto, nos casos mais graves de infecções do trato urinário, é possível que a criança necessite hospitalização, especialmente se for menor de 6 meses, se a infecção afetou os rins ou se a criança não está desidratada.

Recomendações aos pais

  • Em primeiro lugar, quando aparecerem os primeiros sintomas, devemos levar a criança ao médico para um diagnóstico da infecção.
  • Logicamente, depois de ter sido diagnosticada, deveremos seguir as orientações do especialista e administrar-lhe os antibióticos na quantidade, frequência e duração indicadas.
  • Ao mesmo tempo, deveremos manter um seguimento da frequência de micção da criança. No caso em que possam expressar-se, devemos perguntar se sentem dor ou ardor.
  • Por outro lado, devemos animar a criança a beber bastante água. Ou seja, devemos cuidar para que esteja hidratada, através de água e evitando refrescos, refrigerantes, chás ou infusões.
  • Com relação à prevenção, nas crianças que ainda usam fraldas, devemos trocá-las com frequência a fim de manter a higiene do trato urinário.
  • Em crianças com mais idade que já vão sozinhas ao banheiro, devemos inculcar-lhes normas e hábitos de higiene adequados. Por exemplo, devemos ensinar às meninas a limpar os genitais sempre de frente para trás, porque as bactérias do ânus poderiam entrar ao trato urinário.
  • Além disso, devemos escolher roupa interior de algodão e evitar os materiais sintéticos que retêm o calor aumentando assim, a proliferação das bactérias.

As infecções urinárias nas crianças geralmente são leves e podem ser tratadas facilmente com a administração de antibióticos. Ante qualquer dúvida, a consulta ao pediatra é sempre a melhor opção, assim como também ensinar às crianças bons hábitos de higiene.

  • C. Rodrigo Gonzalo de Liria, M. Méndez Hernández, M. Azuara Robles, “Infección urinaria”, Protocolos diagnóstico-terapéuticos de la AEP: Infectología pediátrica, Asociación Española de Pediatría. https://www.aeped.es/sites/default/files/documentos/itu.pdf
  • Felipe Cavagnaro S.M., “Infección urinaria en la infancia”, Rev. chil. infectol. v.22 n.2 Santiago jun. 2005. http://dx.doi.org/10.4067/S0716-10182005000200007
  • Paulina Salas del C. et al. “Actualización en el diagnóstico y manejo de la infección urinaria en pediatría”, Rev Chil Pediatr 2012; 83 (3): 269-278.  http://dx.doi.org/10.4067/S0370-41062012000300009