Infarto intestinal mesentérico: exames e tratamentos

19 Agosto, 2020
O tratamento do infarto intestinal mesentérico visa restaurar o fluxo sanguíneo na área afetada.
 

O infarto intestinal mesentérico é uma emergência cirúrgica resultante do fluxo arterial ou venoso mesentérico insuficiente. O diagnóstico pode ser difícil e geralmente é feito tarde demais.

A mortalidade por essa condição é bastante alta, apesar dos grandes avanços realizados nos últimos anos, tanto no diagnóstico quanto no tratamento. O diagnóstico precoce e a ressecção intestinal são essenciais para melhorar a sobrevida do paciente.

Aqueles que sobrevivem ao evento agudo inicial de um infarto intestinal mesentérico e à operação primária costumam ter o intestino delgado ou grosso curto.

Causas do infarto intestinal mesentérico

Causas de um infarto intestinal mesentérico

Existem muitos fatores etiológicos que estão associados ao desenvolvimento do infarto intestinal mesentérico. Estes podem ser divididos em patologia intravascular primária e patologia extravascular secundária.

Quanto à primeira das patologias, pode ocorrer devido a uma oclusão da artéria mesentérica superior, uma trombose da veia mesentérica superior ou um baixo fluxo mesentérico – infarto mesentérico não oclusivo. A oclusão da artéria pode ser causada por:

 
  • Embolia
  • Trombose de uma placa de ateroma
  • Estenose

Por outro lado, a patologia extravascular secundária causa uma obstrução do fluxo sanguíneo para o intestino. Isso pode ocorrer devido às seguintes circunstâncias:

  • Vólvulo do intestino e/ou mesentério
  • Hérnia estrangulada da parede abdominal
  • Trauma vascular, incluindo eletrocussão

Sintomas

Os sinais e sintomas do infarto intestinal mesentérico podem se manifestar de forma súbita ou gradual. O distúrbio se apresenta de maneira diferente em cada pessoa; portanto, nem sempre a presença desses sintomas significa que a pessoa vai ter um infarto intestinal.

No entanto, existem características semelhantes identificadas. Quando o infarto intestinal é agudo e aparece repentinamente, alguns sintomas desencadeados são:

  • Dor abdominal
  • Sensação de necessidade urgente de evacuação
  • Movimentos intestinais frequentes e fortes
  • Sangue nas fezes
  • Náuseas e vômitos
  • Confusão mental em idosos

Em relação aos sintomas de um infarto crônico ou em desenvolvimento gradual, podemos distinguir os seguintes:

  • Cólicas ou sensação de saciedade depois de comer, geralmente na primeira hora
  • Dor abdominal que piora progressivamente
  • Perda de peso não intencional
  • Diarreia
  • Inchaço

Exames para o diagnóstico do infarto intestinal mesentérico

Controle médico para diagnóstico
 

Se o médico suspeitar que o indivíduo esteja sofrendo de um infarto intestinal mesentérico, poderá solicitar vários exames de diagnóstico baseados em sintomas e sinais. O objetivo é confirmar ou descartar o diagnóstico. Entre esses exames, podemos destacar:

  • Análises de sangue: Embora não existam marcadores sanguíneos específicos para indicar infarto intestinal mesentérico, um estudo laboratorial de uma amostra de sangue indicando, por exemplo, um aumento na contagem de glóbulos brancos pode sugerir esse problema.
  • Testes de diagnóstico por imagem: podem ajudar o médico a visualizar os órgãos internos e descartar outras causas para os sinais e sintomas. Algumas dessas técnicas são raios-x, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética.
  • Endoscopia: é o uso de um dispositivo chamado endoscópio, que é inserido através da boca do paciente e, graças a uma câmera, permite ao médico observar o interior do trato digestivo. Esta câmera também pode ser inserida através do reto.
  • Uso de corante para rastrear o fluxo sanguíneo através das artérias: Durante a angiografia, um tubo longo e fino – cateter – é inserido em uma artéria da virilha ou do braço. É então passado através da artéria para a aorta e é injetado um corante que flui diretamente para as artérias intestinais.

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Tratamento do infarto intestinal mesentérico

O tratamento desta doença consiste em restaurar um suprimento suficiente de sangue no trato digestivo. Nesse caso, a cirurgia pode ser necessária para remover um coágulo sanguíneo, limpar uma artéria ou reparar ou remover uma seção danificada do intestino.

 

Por outro lado, o tratamento também pode consistir na administração de antibióticos e outros medicamentos para impedir a formação de coágulos, dissolvê-los ou dilatar os vasos sanguíneos.

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Se um angiograma for realizado com o objetivo de diagnóstico, neste mesmo momento pode-se remover um coágulo sanguíneo ou abrir uma artéria estreitada por meio de uma angioplastia.

Esta técnica envolve o uso de um balão inflado no final de um cateter para comprimir depósitos de gordura e dilatar a artéria. Dessa maneira, um caminho mais amplo pode ser formado para que o sangue flua com mais facilidade.

Por fim, outra técnica é colocar um tubo de metal tipo mola, chamado stent, na artéria para tentar mantê-la aberta. Essas são todas as medidas que o médico avaliará de acordo com a gravidade da situação do paciente.

 
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