Inércia do sono: por que você acorda atordoado e de mau humor

03 Outubro, 2020
Estar atordoado e de mau humor ao se levantar é algo comum para aqueles que sofrem de inércia do sono. Essa é uma condição na qual ocorre uma redução de várias capacidades cognitivas e emocionais, logo depois de acordar.

Você sabe o que é a “inércia do sono”? Muitas pessoas se sentem cansadas ao se levantar, apesar de terem dormido a quantidade de horas recomendada por especialistas. Não conseguem pensar com clareza e se sentem atordoadas. Parece que eles foram subitamente possuídos por irritação e mau humor.

Longe de ser um sintoma estranho, a ciência começou a disseminar dados sobre esse fenômeno na década de 1960. É um estado temporário de redução da capacidade cognitiva e do estado de alerta.

Esse estado geralmente dura cerca de uma hora depois que a pessoa acorda. No entanto, esse período varia de acordo com o caso; em algumas pessoas dura aproximadamente quinze minutos, e em outras uma hora ou até mais. Acredita-se que a duração esteja relacionada à fase do sono que foi interrompida.

O que caracteriza a inércia do sono?

Os efeitos de dormir mal

Esse lapso de atordoamento e mau humor após o sono é caracterizado por uma redução acentuada no estado de alerta típico da pessoa acordada. Há um grande aumento da sonolência e uma grande queda no rendimento do cérebro.

Da mesma forma, há irritabilidade, intolerância, mau humor e até estados de depressão. A inércia do sono pode ser acompanhada por desorientação ou confusão geral.

É um fenômeno que interfere nas tarefas físicas ou mentais normais e causa uma diminuição no tempo de resposta, pouca memória de curto prazo e baixa velocidade de pensamento. É algo como um jetlag.

Atordoamento e mau humor ao acordar: uma questão médica

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, sentir confusão e mau humor ao levantar é uma questão médica, e não de caráter ou personalidade. De fato, a Academia Americana de Medicina do Sono incluiu o status de inércia do sono na lista de parassonias, ou seja, distúrbios do sono.

A inércia do sono afeta adultos e adolescentes sem distinção. Portanto, sua origem não encontra explicação na idade daqueles que sofrem com isso. Em vez disso, poderia ser uma questão ligada à vida moderna, que se distanciou dos ciclos naturais e não respeita os ritmos circadianos do sono.

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Os ritmos circadianos são aquelas mudanças físicas, mentais e comportamentais que seguem um ciclo diário, em relação direta à luz e à escuridão. Existem teorias que sustentam que o rompimento do ciclo natural de acordar com o nascer do sol e dormir com a companhia de luzes artificiais como a televisão afetou o nosso sono.

Durante a inércia do sono, o cérebro realiza atividades típicas das fases do sono profundo. Assim, alguns estudos propõem essa relação entre ritmos circadianos e inércia do sono, uma vez que explicaria a sua presença no fato de ter despertado o cérebro durante a fase de sono reparador, conforme marca o relógio biológico.

Dados a serem considerados

Sono ao longo do dia

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Embora a inércia do sono pareça algo inofensivo, o estado de confusão e o mau humor daqueles que sofrem com isso podem ter consequências. Estudos científicos mostraram que, se o sono for interrompido durante uma fase profunda, o desempenho do cérebro poderá cair drasticamente.

Esse baixo desempenho cerebral, respostas lentas às situações cotidianas e a dificuldade em superar a sonolência pode trazer riscos em certas profissões. Os trabalhadores que precisam fazer plantões e tiram “sonecas” expõem-se a interromper abruptamente o sono e sentir a inércia, o que pode representar um risco para os outros.

Embora não tenham sido encontradas formas eficazes de prevenir a inércia do sono e, assim, evitar o atordoamento e o mau humor ao acordar, é recomendável manter uma higiene rigorosa do sono.

Essa higiene inclui, entre outras medidas, dormir entre sete e oito horas por noite sem interrupções, evitar televisores ou computadores no quarto, manter uma rotina e evitar o consumo de estimulantes antes de dormir.

  • Valdez Ramírez, P. (2005). Ritmos circadianos en los procesos atencionales del ser humano (Doctoral dissertation, Universidad Autónoma de Nuevo León).
  • Millán Arroyo, C. (2017). Efectos de la luz azul en el ritmo circadiano del sueño.
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