Indução em sequência rápida

17 de maio de 2019
A alteração das vias aéreas pode provocar a morte de um paciente. Por isso, a indução em sequência rápida pode ser a chave para salvar muitas vidas.

A indução em sequência rápida é a intubação orotraqueal e geralmente é utilizada em casos de urgência. Entretanto, para que seja efetiva é necessário seguir uma série de passos em uma determinada ordem. Se esses passos forem pulados podem pôr em risco a vida do paciente.

De acordo com um estudo, “para o médico especialista em medicina de urgência, o manejo da via aérea nos pronto socorros e nos serviços de urgência constitui uma parte fundamental de suas competências básicas”.

Por isso, é imprescindível que os médicos saibam realizar a Indução em Sequência Rápida para reduzir o risco de aspiração pulmonar que podem chegar a ter alguns pacientes.

Quando é realizada a indução em sequência rápida?

Paciente em situação de urgência

A indução em sequência rápida é utilizada quando um paciente chega ao centro hospitalar com um risco iminente de falha ventilatória. Uma avaliação muito rápida e urgente e a pressa na realização deste procedimento impedirá que seja realizado com a devida precisão.

As consequências disso podem ir desde a hipoxemia até ocasionar alguma lesão na via aérea no momento de introduzir o tubo traqueal. Por isso, por mais urgência que o caso requeira, é necessário manter a calma e seguir com precisão os passos do procedimento.

Apesar de que em alguns casos não fica muito claro quando se deve realizar a intubação traqueal que permite a indução em sequência rápida, se houver suspeita de que o paciente não será capaz de manter as vias aéreas abertas, então o procedimento deve ser realizado.

Entretanto, é possível ter em conta os seguintes sintomas que podem indicar claramente a necessidade de uma indução em sequência rápida:

  • Hematoma sufocante no pescoço.
  • Trauma torácico com hipotensão.
  • Queimaduras extensas.
  • Obstrução da via aérea.
  • Parada cardíaca.

Além de tudo isso, a intubação e uma sedação imediata também serão necessárias se o paciente estiver agitado porque não é capaz de respirar com normalidade. Deve-se praticar a indução em sequência rápida o antes possível.

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Forma correta de proceder

médico realizando a intubação em sequência rápida

Para realizar uma intubação bem-sucedida é necessário seguir uma série de passos que serão realizados de maneira rápida e precisa. Desta maneira, será possível evitar algumas das consequências mencionadas anteriormente.

Ações prévias à intubação

  • Elevar a cabeça do paciente colocando um travesseiro debaixo.
  • Levantar a mandíbula pressionando-a para cima e para a frente.
  • Remover qualquer corpo estranho da cavidade orofaríngea.
  • Aspirar todas as secreções (sangue, vômito).

Manobras da indução em sequência rápida

  • Segurar o laringoscópio com uma mão e introduzi-lo pela comissura da boca, afastando a língua e orientando o laringoscópio para frente e para cima.
  • Situar a ponta deste instrumento na epiglote.
  • Para reduzir o risco de uma broncoaspiração ou regurgitação, outro profissional deve realizar a manobra de Sellick. Esta deve ser realizada durante o tempo que dure a intubação.
  • No caso em que a glote ou as cordas vocais não possam ser visualizadas, outra pessoa deve fazer a manobra de BURP para expô-las. Isso permitirá introduzir o laringoscópio adequadamente e evitar lesionar a via aérea.
  • Quando o tubo já estiver corretamente introduzido, retira-se o laringoscópio sem mover o tubo. Este então, será fixado e conectado à fonte de oxigênio.

Apesar de que hajamos recomendado as manobras de Sellick e BURP, estas nunca devem ser realizadas no caso em que o paciente sofra algum traumatismo ou tenha um corpo estranho na traqueia. Isto é muito importante ter em conta.

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Medicamentos na indução em frequência rápida

Geralmente não é necessário o uso de nenhum fármaco quando se realiza a indução em frequência rápida. Entretanto, existem casos nos quais, sem o subministro destes medicamentos seria impossível intubar o paciente.

Quando o paciente está inquieto, é necessário administrar-lhe um medicamento sedante. Em outros casos, quando sofre de uma dor muito intensa, além do sedante há que aplicar-lhe um analgésico.

Em algumas raras ocasiões os médicos de urgência também devem administrar um miorrelaxante. Isto é indispensável quando a traqueia está muito tensa dificultando a passagem do tubo.

Como vimos, a indução é um procedimento que todos os profissionais que estão no serviço de urgência médica devem saber realizar de maneira correta para evitar possíveis danos nas vias aéreas.

Aliás, é importante também destacar que conheçam os medicamentos que devem ser subministrados em determinadas situações. Sem dúvidas, poderíamos considerar a indução em frequência rápida uma medida de primeiros auxílios essencial.

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