Hipertricose ou síndrome do lobisomem

17 Outubro, 2020
A hipertricose causa, além do crescimento exacerbado dos pelos, sérios danos à autoestima dos afetados. Vamos ver o que caracteriza esse transtorno e por que ele ocorre.

A hipertricose é uma doença rara que envolve o crescimento excessivo de pelos em qualquer lugar do corpo. Também é chamada de síndrome do lobisomem, porque as pessoas que sofrem com ela têm algumas semelhanças com esse personagem.

Esta patologia pode ser:

  • Generalizada: os pelos crescem por todo o corpo, menos nas mãos e nos pés.
  • Localizada: em uma área específica, seja nas costas, na testa ou em outra região.

Quando falamos de hipertricose como uma doença genética, ela costuma ser decorrente de uma alteração no cromossomo X. Isso é extremamente incomum, pois apenas cerca de 50 casos foram documentados. Além disso, não há cura.

No entanto, existem outros fatores que podem desencadear essa doença, como certos medicamentos. Em 2019, houve um surto de hipertricose na Espanha que causou 17 casos em bebês. Neste artigo, explicamos tudo que você precisa saber sobre essa doença.

O que é a hipertricose?

Hipertricose

Como já mencionamos, a hipertricose é o crescimento maciço de pelos, tanto em quantidade quanto em espessura, em locais onde eles não costumam estar presentes, como a testa, por exemplo.

É uma patologia benigna que não coloca a vida do paciente em risco. No entanto, é um problema estético muito sério que prejudica excessivamente a autoestima da pessoa.

Quando a doença é causada por uma alteração genética, é comum que outros membros da família também a apresentem. Neste caso, os pelos não desaparecem e não há cura. O único tratamento é a depilação, embora não definitiva, a menos que técnicas de laser sejam usadas.

Por outro lado, a causa da hipertricose pode ser um medicamento que a provoca como uma reação secundária. Isso não é comum e, em teoria, quando o medicamento é removido, os pelos desaparecem gradualmente.

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O que aconteceu com a hipertricose recentemente?

A hipertricose voltou aos holofotes recentemente pois houve cerca de 20 casos em bebês com essa patologia na Espanha. Os bebês foram medicados com omeprazol, que costuma ser usado para certos problemas estomacais, como o refluxo gastresofágico.

No entanto, descobriu-se que o lote era defeituoso e a droga que os bebês ingeriram continha minoxidil. Este é um medicamento usado para o tratamento de alopecia ou queda de cabelo. O que ele faz é dilatar os vasos sanguíneos, aumentando o suprimento de sangue. É uma das poucas drogas com efeito comprovado para promover o crescimento capilar.

A mãe de um dos bebês afetados pela hipertricose explicou a sua versão dos eventos. Depois de passar algum tempo ingerindo grandes quantidades deste medicamento, seu bebê, sem saber, começou a experimentar sintomas estranhos.

Primeiro, a hipertricose foi acompanhada por feridas na boca que causaram desconforto no bebê. Além disso, a mãe notou que o cheiro da urina tinha mudado. A criança também teve problemas oculares durante esse período.

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Qual é o tratamento para esses casos de hipertricose?

Medicamentos de vários tipos

Como já mencionamos, a hipertricose que surge como efeito colateral de um medicamento geralmente passa. Para isso, é necessário detectar qual fármaco está causando a doença e eliminá-lo. No caso desses bebês, como isso ocorreu por engano, o diagnóstico foi mais complicado, uma vez que a hipertricose não é listada como efeito colateral do omeprazol.

Uma vez removido o medicamento, os pelos levam entre 3 e 6 meses para desaparecer. Por isso, também é importante conscientizar a família ou a pessoa que sofre dessa situação, pois ela é muito desconfortável e prejudicial para a autoestima.

Conclusão

A hipertricose é uma doença rara, que pode ser generalizada ou localizada, dependendo de quais partes do corpo afeta. É uma patologia que pode surgir de uma alteração genética ou como efeito colateral de medicamentos, entre outras causas.

É importante conscientizar as pessoas a respeito de como é difícil lidar com essa doença devido ao grande impacto estético que ela tem. Por isso, além de consultar um médico, recomenda-se buscar assistência psicológica para a pessoa afetada.

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