Fluxo vaginal marrom: qual é o seu significado?

27 Dezembro, 2019
O fluxo vaginal marrom não significa sempre uma doença. Na realidade, na grande maioria das vezes, sua presença é totalmente normal. Contaremos neste artigo quais podem ser suas causas e quando é bom procurar um médico.
 

Muitas vezes, o fluxo vaginal marrom faz parte da normalidade do ciclo menstrual. E, outras vezes, é um sinal de algum processo fisiológico que está se desenvolvendo conforme o curso esperado. Por isso, é necessário prestar atenção, mas é não é preciso se alarmar imediatamente.

Existem quatro circunstâncias nas quais o fluxo vaginal marrom é esperado e não requer intervenção médica. Ou seja, que será solucionado sozinho, voltando ao fluxo habitual. Estas circunstâncias são:

  • Os primeiros dias do ciclo menstrual: mais precisamente os dias que sucedem o sangramento da menstruação. Costuma ser gerado pela mistura entre restos sanguíneos e as secreções normais da vagina.
  • Os picos hormonais ocasionais: ainda nas mulheres com ciclos menstruais muito regulares, nem todos os meses são exatamente iguais. Dessa maneira, uma pequena variação nos níveis de estrogênio ou de progesterona podem ser suficientes para provocar mudanças de fluxo.
  • A troca de pílulas contraceptivas: quando uma mulher vem utilizando uma determinada combinação de hormônios orais em seus contraceptivos e muda para outra combinação, pode ocorrer o fluxo marrom. Em suma, é explicado pela variação hormonal.
  • As relações sexuais durante a gravidez: por ter mais progesterona no corpo da mulher grávida e maior vascularização de seus genitais, a fricção gerada pelo sexo pode provocar o fluxo marrom. Contudo, não é de aparecimento imediato e é esperado até o dia seguinte às relações.
 

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Causas gerais do fluxo marrom

Além das situações normais de aparecimento do fluxo marrom, há também o patológico. Entre as doenças ou transtornos que o geram, existem algumas localizadas no aparelho reprodutor feminino e outras mais gerais. Em resumo, as causas gerais de fluxo vaginal marrom afetam todo o corpo e são basicamente hormonais. Entre elas estão:

  • Aumento dos estrogênios: mudanças no ciclo menstrual que gerem um aumento nos valores de estrogênio, podem ocasionar fluxo marrom. Uma situação relativamente frequente é o estresse. Em situações estressantes, aumenta-se os níveis de estrogênios e a ovulação é adiantada, o que finalmente deriva em um fluxo amarronzado, que é um sangramento reduzido.
  • Contraceptivos hormonais não adequados: a combinação hormonal escolhida pelo profissional médico não se adequada ao corpo da mulher. Acontece raramente, mas não é impossível. Os hormônios ingeridos acabam por não se encaixarem no ciclo menstrual fisiológico e terminam por alterá-lo, gerando sangramentos intermitentes fora de hora. É um efeito adverso que, caso não seja solucionado sozinho, obriga a mudar o método contraceptivo.
Anticoncepcionais e fluxo marrom
 

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Causas do aparelho reprodutor feminino

Entre as causas localizadas no aparelho reprodutor feminino temos:

  • Gravidez: a união do espermatozoide e do óvulo e sua posterior fecundação no útero pode se manifestar externamente na forma de um sangramento marrom. Além disso, costuma ser um fluxo amarronzado de pequena quantidade em uma data diferente a da esperada para a menstruação. Contudo, não representa risco de aborto.
  • Pólipos: os pólipos são crescimento anormais dentro do útero. Ademais, trata-se de tumores benignos que alcançam diferentes tamanhos e pendem para dentro da cavidade do órgão. Ao alterar a parede interna do útero, às vezes, retém sangue menstrual que é expulso rapidamente com cor marrom e até com coágulos.
  • Miomas uterinos: com um mecanismo similar aos pólipos, alteram a parede interna do útero. Além disso, os miomas são tumores benignos do músculo liso do útero que se encapsulam dentro da parede do órgão.
  • Câncer: o câncer de colo de útero pode ter entre seus sintomas o fluxo vaginal marrom. Contudo, não é o mais frequente e não se apresenta sempre em todas as pacientes. Tampouco é o sintoma principal desta neoplasia. É mais provável que a mulher inicie com outros sinais mais chamativos antes do fluxo, como sangramento fraco de cor vermelha e dor.
Espessura do fluxo vaginal
 

O fluxo vaginal marrom mais perigoso é aquele que vem acompanhado de outros sintomas.

Quando consultar um médico?

Se o fluxo marrom apareceu em um único evento sem outros sintomas, não é preciso se alarmar. No entanto, é considerado pertinente iniciar uma consulta médica quando o fluxo:

  • Vem acompanhado de dor no abdômen intensa.
  • Tem uma duração persistente, superior a um só dia.
  • Alterna com episódios de sangramento fraco cor vermelha.

Ainda, é recomendação de consulta a alternância com outros tipos de fluxos vaginais. As características particulares do outro fluxo podem indicar uma segunda situação que não está sendo detectada. O fluxo marrom que é vinculado à gestação pode se associar com outro de cor rosa, por exemplo. Contudo, caso se autolimite e não há outros sintomas, não é necessária uma consulta médica.

No outro extremo, temos os fluxos amarelos e brancos que, em conjunto com o fluxo marrom, indicam uma infecção, geralmente tratável e curável. Estes fluxos devem indicar uma consulta profissional quando:

Por fim, é importante lembrar-se que a consulta com um ginecologista não é demais na presença de um fluxo vaginal marrom. Um profissional da saúde saberá distinguir entre situações normais e patológicas; ou seja, entre aquelas que não precisam de intervenção e aquelas que precisam de um tratamento médico.

 
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