Estilo de criação autoritário: características e possíveis efeitos sobre as crianças

O estilo de criação autoritário impõe as normas de forma vertical dos pais para os filhos, sem diálogo nem consenso. O carinho e o afeto não são tão presentes, diminuindo a autoconfiança e a autonomia.
Estilo de criação autoritário: características e possíveis efeitos sobre as crianças

Última atualização: 28 Outubro, 2021

A família é a primeira e principal influência na formação dos filhos. O pai e a mãe vão transmitir valores, princípios, tradições, diretrizes e papéis em um todo complexo do qual participam avós e tios. Impor um estilo de criação autoritário ou permissivo terá vantagens e desvantagens que vale a pena conhecer.

Neste artigo, iremos abordar as principais características do estilo de criação autoritário. Alguns preconceitos nos fazem acreditar que, quando se trata de criar, somos arbitrários ou não. No entanto, talvez o mais importante seja saber quando sê-lo, de maneira eficaz e transcendente.

O que caracteriza o estilo de criação autoritário?

Educar implica atitudes e comportamentos dos pais em função dos filhos alcançarem determinados comportamentos. O estilo de criação autoritário pode ser recíproco ou repressivo. O primeiro parte do estabelecimento de limites consensuais; o segundo controla por meio de repressão, punição e até violência.

Independentemente do cumprimento da autoridade, estabelece a verticalidade e a unidirecionalidade. São regras ou procedimentos oferecidos sem discussão.

Este estilo desenvolve nos pais uma atitude propensa à irritação e à severidade. Também se reflete em pessoas que parecem ter sempre o controle e sabem antecipadamente os prós e os contras. Ele compromete os adultos e a família como um todo sob a pressão de uma insatisfação iminente.

É caracterizado pelo seguinte:

  • Estabelece padrões rígidos de conduta.
  • Demonstra pouco ou nenhum afeto.
  • Não oferece opções, ou oferece apenas aquelas que já são consideradas aprovadas com antecedência.
  • Foca obsessivamente em comportamentos anormais e recrimina excessivamente os maus comportamentos.
Pais conversando com a filha
A paternidade autoritária tende a se concentrar no que a criança faz de errado, de acordo com a visão dos pais.

Quais são as vantagens e desvantagens do estilo de criação autoritário?

Em uma sociedade baseada na competição e com tendência a ignorar heranças, valores e tradições, o estilo autoritário não repressivo é uma alternativa, até como forma de defesa e segurança contra a instabilidade e a avalanche descontrolada de mudanças.

Oferece benefícios que residem na firmeza, na temperança, na intenção de lidar com a incerteza com princípios inabaláveis. Outra vantagem deriva da sua baixa capacidade afetiva, fomentando relacionamentos planos, frios e oportunos em uma sociedade que virtualizou e até banalizou personalidades e papéis. Visto dessa forma, um estilo de criação autoritário pode contribuir com certos elementos positivos no mundo instável das redes.

No entanto, muitas das suas desvantagens vêm da falta de comunicação e de sentimentos. Além disso, tende a gerar insegurança e tirar a iniciativa das crianças. Elas se sentem pressionadas pela possibilidade de cometerem um erro.

Aqueles que cresceram com pais autoritários costumam ser reservados, têm baixa autoestima e dificuldade em estabelecer metas. Eles tendem a ser obedientes na presença de autoridade; sem ela, tendem a cometer erros.

Em geral, obedecem de forma submissa e, ao se depararem com obstáculos, têm um medo excessivo de errar. Nesse sentido, é possível que, no fundo, pais e filhos apenas escondam o medo do fracasso.

Consequências da autoridade na criação dos filhos

Crianças criadas com autoridade recíproca e fundamentada obedecem com responsabilidade. Eles desenvolvem autocontrole e disciplina. A autoridade é exercida pelo exemplo. Na verdade, os pais se apresentam como modelos e o respeito mútuo é praticado.

Bem concebida, essa paternidade é um exercício de poder que se manifesta em dois aspectos: como poder de ou capacidade e como poder sobre ou domínio. Este último é o que prevalece no estilo de criação autoritário.

Cabe aos pais exercer sua vontade no sentido de empoderar, fomentando nos filhos suas potencialidades e seu poder de criação.

O pai é um modelo para o filho
Quando os pais se apresentam como modelos para os filhos, o respeito conquistado é diferente.

Sugestões para melhorar o estilo de criação

Com o cuidado que dispensamos aos nossos filhos, queremos que eles aprendam a resolver conflitos, a gerir as suas emoções, a ter capacidade para se relacionar e se adaptar às mais diversas situações. Ser autoritário ou permissivo contribui ou restringe o cumprimento desses objetivos de diferentes maneiras.

O ponto mais negativo e questionado do estilo de criação autoritário é encontrado na punição. Essa prática tenta corrigir comportamentos sem oferecer espaço para chegar ao consenso. O resultado será uma espiral de silêncio e violência que tornará as coisas piores. E não demorará muito para retornar como um bumerangue.

Em vez disso, comunicação, apoio e afeto são a base de um estilo de criação que respeita a pessoa e a integridade. Em última análise, o desafio para os pais é garantir que seus filhos sejam autônomos, que possam resolver os desafios da vida por conta própria em uma atmosfera de cooperação franca e responsável.

A paternidade é uma escola, e você aprende com os seus erros. Saindo de um estilo autoritário imposto, é possível chegar, com consciência e reflexão, a um que parta da compreensão, do diálogo e do acordo.

Se houver regras claras que todos sigam, haverá menos risco de não conformidade. E se os comportamentos e atitudes forem observados com carinho, os desvios podem ser corrigidos sem o exercício primário e irracional da violência.

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