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É melhor dormir em dois períodos? O que a ciência diz sobre o sono bifásico

3 minutos
Dormir sem acordar não é a única maneira de descansar, mas até que ponto é bom para a saúde dormir em dois períodos?
É melhor dormir em dois períodos? O que a ciência diz sobre o sono bifásico
Escrito por Equipe Editorial
Publicado: 02 novembro, 2026 19:00

Você acorda no meio da noite e percebe que ainda faltam várias horas para se levantar. Talvez você se pergunte se esse despertar é normal ou se está descansando mal. Mas há outra possibilidade: que o sono não precise ser organizado sempre em um único bloco.

Essa ideia despertou interesse pelo sono bifásico, uma forma de descanso que divide o sono em dois períodos. Algumas pesquisas recentes retomaram essa possibilidade, mas o fato de ser uma alternativa não significa que seja a melhor opção para todo mundo.

O que é o sono bifásico?

O sono bifásico consiste em dormir em dois períodos ao longo de 24 horas. Pode ser um bloco noturno e um cochilo à tarde, ou dois períodos de sono separados por um intervalo de vigília.

Nessa segunda modalidade, a pessoa dorme algumas horas, acorda e volta para a cama antes do amanhecer. A duração de cada período pode variar de acordo com seus horários e necessidades.

Esse padrão difere do sono monofásico, que concentra o descanso em um único período. Nenhuma modalidade, por si só, garante um sono reparador: o número total de horas e como você se sente durante o dia também são importantes.

Antigamente, dormíamos em dois blocos?

Hoje nos parece estranho acordar no meio da noite sem motivo aparente. Mas, séculos atrás, algumas pessoas dividiam o descanso em duas partes: o “primeiro sono” e o “segundo sono”, separados por um período de vigília.

O historiador Roger Ekirch encontrou referências a esse costume em documentos europeus antigos. Durante essa pausa noturna, as pessoas podiam conversar, ler, rezar ou realizar algumas tarefas antes de voltarem para a cama.

Essa forma de dormir estava relacionada a rotinas diferentes das atuais, marcadas pela luz natural e por uma menor presença de iluminação artificial. Com o tempo, os horários de descanso mudaram, embora ainda se investigue como a distribuição do sono influencia nossa saúde.

O que a ciência diz sobre dormir em dois períodos?

O descanso é regulado pelo ritmo circadiano, nosso relógio biológico, que influencia quando sentimos sono e quando estamos mais alertas. A pressão do sono também intervém, aumentando quanto mais tempo permanecemos acordados. Ambos os processos influenciam como e quando descansamos

Os especialistas estão estudando se o sono bifásico poderia se adequar às necessidades de algumas pessoas, especialmente daquelas que trabalham em turnos ou têm horários variáveis. No entanto, ainda são necessárias mais pesquisas para conhecer seus efeitos sobre a saúde e a qualidade do descanso.

Por enquanto, não há evidências suficientes para afirmar que dormir em dois períodos seja mais saudável do que dormir 7 horas seguidas. Os estudos ainda buscam compreender em que circunstâncias isso poderia ser uma alternativa útil, levando em conta que cada pessoa tem necessidades e horários diferentes.

Acordar à noite nem sempre significa dormir mal

O sono passa por diferentes fases e pode incluir despertares breves. Se você volta a dormir com facilidade e acorda revigorado, acordar de vez em quando não significa que você tenha um problema.

A situação muda quando você tem dificuldade para voltar a dormir, sofre de insônia tecnológica, começa a fazer outras coisas ou sente cansaço durante o dia. Se isso ocorrer com frequência, consultar um profissional pode ajudar a identificar o que está afetando seu descanso.

Lembre-se de que acordar espontaneamente não é a mesma coisa que interromper o sono propositalmente para dormir em dois períodos. Se sua rotina funciona, você não precisa mudá-la só para seguir uma tendência. Ouvir os sinais do seu corpo e buscar um descanso suficiente continua sendo a melhor maneira de cuidar do seu sono.

Este texto é fornecido apenas para fins informativos e não substitui a consulta com um profissional. Em caso de dúvida, consulte o seu especialista.