É conveniente usar alho para o tratamento de fungos vaginais?

Foi atribuído ao alho um efeito antifúngico e antibiótico exagerado, porque as evidências encontradas nos estudos foram mal compreendidas e parte das conclusões fornecidas pelos pesquisadores foram ignoradas.
É conveniente usar alho para o tratamento de fungos vaginais?

Última atualização: 29 Janeiro, 2021

Podemos usar o alho para o tratamento de fungos vaginais? De acordo com as crenças populares, o alho é um alimento que pode contribuir para o tratamento de infecções vaginais por fungos. Isso ocorre porque lhe são atribuídas propriedades principalmente antibacterianas.

No entanto, isso realmente atende ao seu objetivo? Existe uma maneira concreta de aproveitá-lo para que ofereça o máximo de benefícios possível? Veremos todas as respostas abaixo.

A vagina e os remédios caseiros, uma boa combinação?

A vagina é uma área muito delicada do corpo que pode ser afetada por vários fatores, incluindo uma higiene excessiva. Portanto, você deve ter cuidado ao tentar melhorar a sua saúde por conta própria.

Aplicar um remédio caseiro pode ser uma prática arriscada, pois pode não apenas causar irritação e desconforto, mas também piorar o problema inicial.

Nem o iogurte, nem o óleo essencial de uma planta ou erva, nem o alho podem tratar ou curar infecções vaginais por fungos. Mesmo quando se pode afirmar o contrário na esfera popular, os remédios caseiros que se propõem com esses ingredientes não são seguros e, ao invés de contribuir para a melhora, apenas expõem a pessoa a complicações.

Para tratar corretamente os fungos vaginais, é melhor consultar um médico e seguir as suas instruções. Além disso, certos hábitos relacionados à higiene íntima, hidratação e nutrição devem ser aprimorados. Mas de nenhuma maneira devemos usar remédios caseiros como o alho. 

Veja também: Como detectar e tratar uma infecção vaginal a tempo

Colocar alho na vagina NÃO é seguro!

alho para o tratamento de fungos vaginais
Não é seguro colocar alho de forma nenhuma na vagina, assim como iogurte e outros alimentos.

Nem em pasta nem inteiro nem combinado com outros ingredientes. O alho NÃO é uma solução para os fungos vaginais. Não há evidências científicas de que esses remédios funcionem e, por outro lado, existem apenas casos de pessoas que complicaram a sua situação devido ao uso incorreto desse alimento.

A ginecologista americana Jennifer Gunter decidiu explicar em termos muito simples por que você definitivamente nunca deve introduzir alho na vagina:

  • Embora em laboratório possa ter propriedades antifúngicas devido ao seu teor de alicina, isso não significa que o alho funcione em camundongos ou na vagina de uma mulher.
  • O alho pode ter bactérias patogênicas do solo que podem prejudicar a sua saúde. Portanto, ao introduzir alho na vagina, você não eliminará os fungos, mas promoverá uma infecção ainda maior.
  • E, finalmente, introduzi-lo inteiro, descascado ou amassado pode causar irritação e agravar o problema. 

Outros profissionais de saúde de diferentes partes do mundo também falaram sobre esse assunto, tentando convencer a população a esquecer o uso do alho no tratamento de fungos vaginais (e outras doenças) e, em vez disso, seguir as instruções do ginecologista.

Como é o tratamento dos fungos vaginais?

Geralmente, o tratamento de fungos vaginais consiste em tomar ou aplicar um medicamento antifúngico por um curto período de tempo (aproximadamente 7 dias). Pode ser um comprimido, um creme, uma pomada ou um supositório. Tudo vai depender do caso.

Note que alguns medicamentos exigem receita médica, por isso é essencial ir ao consultório do ginecologista para obtê-la.

Caso o problema seja grave, é possível que a duração do tratamento seja mais longa, bem como as doses do medicamento. Além disso, o médico pode considerar necessário usar medicamentos orais e tópicos. 

Os especialistas da Mayo Clinic comentam que, em certos casos, o médico pode prescrever duas ou três doses de um medicamento antifúngico que deve ser tomado por via oral em vez de um tratamento vaginal.

Como evitar as infecções?

A seguir, compartilharemos as medidas que podem ajudá-la a manter uma boa higiene íntima, evitar os fungos vaginais e a gozar de boa saúde.

  • Evite usar roupas apertadas, (tanto roupas íntimas quanto malhas, pantalonas, etc.)
  • Evite duchas vaginais, os banhos de imersão e afins (piscinas, por exemplo).
  • Use um sabonete neutro (ou especialmente adequado para a área íntima).
  • Sempre tome banho após os exercícios físicos.
  • Sempre limpe-se da frente para trás depois de usar o banheiro, para evitar a passagem de bactérias do ânus para a vagina (e, consequentemente, para o trato urinário).
  • Use roupas íntimas de algodão limpas todos os dias e evite tecidos sintéticos, para que a área respire adequadamente e não crie um ambiente quente e úmido que possa levar à proliferação de micro-organismos.
tratamento fungos vaginais
Para evitar infecções vaginais por fungos, é melhor manter uma boa higiene diária e fazer check-ups ginecológicos periodicamente.
  • Ao usar absorventes internos e compressas, lembre-se de trocá-los frequentemente e lave a área com água, para evitar infecções.
  • Se você foi tomar banho na praia ou na piscina, evite deixar o maiô molhado por um longo tempo, pois a umidade pode promover a proliferação de fungos e bactérias.
  • Não use perfumes, talco, desodorantes ou sprays na vagina, pois eles podem alterar o equilíbrio do pH.

Como você pode ver, as diretrizes são muito simples e podem ser facilmente integradas a qualquer rotina. Portanto, cuidar de si mesma não precisa ser uma tarefa extraordinária.

Lembre-se de que se tiver alguma dúvida, pode sempre consultar o seu ginecologista de confiança, pois ele poderá lhe dar a melhor orientação, segundo as suas preocupações, necessidades e estado de saúde.

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  • Watson, C. J., Grando, D., Fairley, C. K., Chondros, P., Garland, S. M., Myers, S. P., & Pirotta, M. (2014). The effects of oral garlic on vaginal candida colony counts: A randomised placebo controlled double-blind trial. BJOG: An International Journal of Obstetrics and Gynaecology. https://doi.org/10.1111/1471-0528.12518