O que é um contrato psicológico?

Em um contrato psicológico, o componente de reciprocidade e mutualidade não pode passar despercebido. Ele envolve todas as expectativas mútuas entre um trabalhador e seu empregador.
O que é um contrato psicológico?

Última atualização: 17 Agosto, 2021

Quais são os fatores que afetam o funcionamento e a produtividade de uma empresa? O que torna as pessoas felizes em seu trabalho? Essas questões são objeto de estudo de muitas disciplinas. O contrato psicológico é uma das ferramentas utilizadas para explicar as atitudes e comportamentos das pessoas em seu ambiente de trabalho.

Pensar nisso de forma linear ou unidirecional impede que vejamos a sua complexidade, a riqueza do que se desenrola nas interações, a forma como as expectativas se acoplam ou se desarmam em cada troca. Daí a importância deste instrumento para uma melhor compreensão do dia a dia. Vamos ver do que se trata.

O que é o contrato psicológico?

Guest e Conway (2002) definem o contrato psicológico como uma percepção de ambas as partes na relação de trabalho. Existem promessas e obrigações recíprocas que fazem parte do relacionamento.

Nesta definição, o componente de reciprocidade e mutualidade não pode passar despercebido. Envolve todas as expectativas entre um trabalhador e seu empregador em relação ao intercâmbio no âmbito do trabalho.

Ou seja, ao começar a trabalhar, o empregado assume que ali receberá um tratamento justo e que poderá exercer suas atividades em boas condições. Talvez, com o tempo, ele tenha maiores responsabilidades e oportunidades de crescimento. Por sua vez, a empresa espera que o trabalhador faça parte da sua equipe, sinta-se à vontade com a cultura organizacional e respeite seus valores.

Embora o contrato psicológico esteja frequentemente implícito, é bom compartilhá-lo e divulgá-lo em estágios posteriores de um processo de seleção, bem como na contratação. Dessa forma, ambas as partes podem saber o que esperar e ajustar suas expectativas e comportamentos.

Mulher com contrato psicológico no trabalho
Existe uma reciprocidade no contrato psicológico que implica responsabilidades mútuas.

Qual é a sua importância?

A importância de um contrato psicológico é que, através dele, busca-se alcançar e manter o envolvimento e o comprometimento. É muito mais do que cumprir metas de produção e eficiência, cumprir algumas horas de trabalho e receber um salário em troca. Trata-se das necessidades de autorrealização por parte do funcionário e de lealdade por parte da empresa.

Nesse sentido, quando um funcionário se sente confortável, isso influencia positivamente o ambiente de trabalho de uma empresa. Portanto, apostar no desenvolvimento e na consolidação do que está implícito é apostar também no bem-estar e na perenidade do negócio.

As vantagens de um contrato psicológico residem no sentimento de pertencimento do trabalhador à organização, na sua motivação e no orgulho de fazer parte, que se traduz não só no interesse pessoal pelo crescimento, mas também na vontade de fazer a empresa ser bem-sucedida. Isso também leva a uma menor rotatividade de empregos e uma maior retenção de talentos.

Finalmente, a questão da saúde do funcionário não é desprezível. Quando o ambiente de trabalho é agradável e positivo, as pessoas têm uma menor tendência a adoecer ou sofrer acidentes de trabalho.

Sem dúvida, o conteúdo do contrato psicológico e seu cumprimento afetam o nível psicológico e emocional. Uma empresa que cuida de seus funcionários estará evitando aposentadorias precoces, faltas e licenças por doença.

Tipos de contrato psicológico

Se pensarmos nos tipos de contrato psicológico, pensamos mais sobre seus termos e condições. Ou seja, o que não está escrito e é pressuposto. Em termos gerais, eles podem ser classificados nas seguintes variedades:

  • Contrato relacional: a ênfase está no relacionamento próximo, no sentimento de pertencimento, no desenvolvimento e crescimento pessoal e profissional. O envolvimento é buscado por meio de projetos que possibilitem autonomia e maior desenvolvimento profissional.
  • Contrato transacional: aqui a ênfase é colocada na compensação financeira. O funcionário que dá mais receberá mais.

Um contrato psicológico é multidimensional. Você pode identificar onde a ênfase é colocada, mas ele sempre deve ser abordado a partir de tudo o que está em jogo. Nesse sentido, Renteria Pérez propõe níveis de ação para a classificação:

  • Individual: as experiências únicas da pessoa e as expectativas do trabalho convergem.
  • Ocupacional: está relacionado ao que é específico da função e das suas responsabilidades.
  • Divisional: indica a forma como uma organização está estruturada, por áreas, subáreas ou departamentos.
  • Corporativo ou integrativo: fornece a visão de todo o sistema.
Perder o emprego
Quando o contrato psicológico não está claro, é possível que a empresa tenha mais demissões e licenças por conta de problemas de saúde.

O contrato psicológico enfrenta o desafio do dinamismo

Os tempos mudaram, então os interesses e motivações das pessoas também mudaram na hora de escolher um emprego. Antes pensava-se em empregos para toda a vida e não era de se estranhar que uma pessoa nunca tivesse mudado de emprego. Hoje, a recompensa financeira, o bem-estar e a possibilidade de crescimento e desenvolvimento são importantes.

A sustentabilidade de um contrato psicológico ao longo do tempo depende, mais do que nunca, da sua capacidade de adaptação. É necessária uma comunicação fluida entre as partes envolvidas, pois algumas condições podem ser renegociadas, expectativas ajustadas e mal-entendidos esclarecidos.

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  • Gracia, FG, et als. (2006): El estado del contrato psicológico y su relación con la salud psicológica de los empleados. Psicothema, 2006. Vol. 18, nº 2, pp. 256-262.
  • Rentería Pérez, Erico, & Vesga Rodríguez, Juan Javier. (2019). Los niveles de actuación en las relaciones de trabajo y la formación de contratos psicológicos. Diversitas: Perspectivas en Psicología15(1), 131-144. https://doi.org/https://doi.org/10.15332/s1794-9998.2019.0015.10