Como reagir ante uma infidelidade?

31 de janeiro de 2019
As feridas da infidelidade não são esquecidas com o tempo e quase nunca cicatrizam, mas todos nós merecemos uma segunda chance. Ainda que o medo esteja sempre presente, podemos tentar uma reconciliação.

Com a primeira infidelidade perde-se a inocência. A confiança com o companheiro é rompida e muitos de nossos valores vão pelo ralo. Mas, como devemos reagir? Qual é a melhor opção?

O impacto da infidelidade

A infidelidade, às vezes, surge quando menos esperamos. Uma mensagem no celular de nosso parceiro. Um e-mail. Uma fotografia ou uma pista indiscutível de que a pessoa que amamos foi infiel.

Como reagir? Um aspecto interessante que os psicólogos explicam é que as pessoas possuem a obsessão de querer entender tudo. De buscar uma explicação que revele a razão do ocorrido.

  • Falta de Amor
  • Tédio
  • Um encontro casual
  • Uma característica que não conhecíamos no companheiro
  • Falta de maturidade do parceiro
  • Ou inclusive por nossa culpa: por falta de atenção, tempo escasso para compartilhar, etc.

Um aspecto que fique claro antes de tudo é que, ao sofrer uma traição, muitas vezes sentimos um atentado direto a nossa autoestima.

Não somente sentiremos raiva pelo ocorrido, como dor e inclusive ódio, mas também é comum se sentir humilhado. Em certos casos corre-se o risco de cair em uma depressão. 

Mas, na realidade, como devemos reagir? O que seria mais racional nestes casos?

Como tendemos a reagir ante uma traição?

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A forma na qual as pessoas tendem a reagir ante uma traição dependerá de vários fatores:

  • De como foi a traição. Algo pontual? Ou a traição dura já há bastante tempo?
  • Sentimo-nos responsáveis? Descuidamo-nos demais de nosso companheiro?
  • Dependerá também de como foi a descoberta. Seu parceiro continua negando? Ou reconhece e não se arrepende?
  • Nossa personalidade fará com que reajamos de modo diferente

Vejam agora quais são as formas mais comuns de reagir ante uma traição.

1. Buscar um culpado

É uma das formas mais comuns. Em nossa vontade de compreender nos obcecamos, às vezes, em buscar culpados. Ou mesmo centramos todo nosso desprezo para o nosso parceiro, ou podemos dirigir este desprezo para a pessoa com a qual fomos traídos.

Buscar culpados ajuda a desabafar, mas deve ser algo passageiro. Por detrás disso, normalmente, surge a separação ou mesmo o perdão.

Leia mais: Como evitar se sentir culpado por tudo

2. A vingança

São muitas as pessoas que ante uma traição buscam causar danos ao parceiro. A pessoa pode decidir separar-se e romper a relação ou pode decidir continuar com a convivência.

Seja como for, algumas pessoas buscam se vingar mantendo outra relação, buscando assim provocar no outro a mesma dor, o mesmo sofrimento.

3. O perdão

Perdoar nem sempre significa reconciliar-se. Pode-se continuar com o relacionamento, mas perdoar não é esquecer.

Às vezes, obriga a reconstruir a relação com uma base incômoda de ressentimento, que nem sempre é fácil. Se o perdão oferecido for real e autêntico pode ser aceito.

Mas, não vai ser fácil, devemos aprender a viver com “pequeno ou grande dor crônica”.

Saiba mais: Superar o orgulho e pedir perdão

4. Uma nova etapa no relacionamento

Pode ser surpreendente, mas existem casais que ante uma traição descobrem uma nova etapa de mais intensidade no parceiro.

Surge a reconciliação e uma etapa de maior intensidade afetiva e sexual. Se junta por um lado o medo de perder o ser querido, a culpa de quem foi infiel e aquelas longas conversas em que foram esclarecidos aspectos importantes. É surpreendente, sabemos, mas pode ocorrer.

5. A separação definitiva

Inevitável e compreensível. A infidelidade é uma traição do compromisso, do pacto de intimidade entre duas pessoas.

É uma ofensa aos nossos sentimentos e um atentado a nossa autoestima e equilíbrio pessoal. Nem todas as pessoas são capazes de oferecer o perdão e nem todas as pessoas merecem.

Na maioria das vezes, a infidelidade termina em término.

Mas, qual é a opção mais adequada?

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Não existe opção melhor ou pior. A melhor opção é aquela que oferece equilíbrio e tranquilidade emocional. As feridas da traição não são esquecidas com o tempo e quase nunca cicatrizam.

Pode-se tentar a reconciliação, mas o medo sempre permanecerá. O perdão sempre é terapêutico, mas, às vezes, não é para todas as pessoas, sendo então o mais saudável o rompimento e nossa própria recuperação.

Mas se tal traição for considerada algo passageiro e pensa que não vai voltar a acontecer, siga em frente. Todos merecem uma segunda chance, mas a outra pessoa deve se esforçar e demonstrar seu carinho sincero e seu autentico arrependimento.

Perdoe se for capaz e se acredita que pode continuar com a relação. Mas, se sua autoestima está fragmentada e se sente que seu interior está muito quebrado para seguir em frente, estabeleça distâncias e termine com aquilo que te causa dano.

Agora é tempo para se recuperar, para se levantar novamente e olhar para frente com esperança.

  • de Sousa, D. L., & Santos, R. B. (2011). Vivências da infidelidade conjugal feminina.
  • Sattler, M. K., Tavares, A. C. C. N., & Silva, I. M. D. (2017). A infidelidade no relacionamento amoroso: possibilidades no trabalho clínico com casais. Pensando familias21(1), 162-175.