Quais são as diferenças entre o colágeno marinho e o colágeno bovino?

Há alguns anos existe uma controvérsia sobre qual tipo de colágeno é melhor: o marinho ou o bovino. O que as evidências dizem sobre isso? Qual é a diferença entre eles? Saiba mais detalhes a seguir.
Quais são as diferenças entre o colágeno marinho e o colágeno bovino?

Última atualização: 21 Maio, 2021

Nos últimos anos, o marketing de suplementos alimentares à base de colágeno tem levantado dúvidas sobre qual variedade é a melhor: o marinho ou o bovino. No entanto, existem várias controvérsias e pesquisas sobre o assunto. Você conhece as suas principais diferenças?

O colágeno é a proteína mais abundante no corpo humano. Além disso, está presente em uma grande variedade de animais. De acordo com uma revisão publicada no Journal of Cosmetic Dermatology, é um dos principais componentes da pele, dos ossos, das articulações e dos vasos sanguíneos.

Hoje em dia, é uma proteína muito difundida como suplemento dietético, pois está associada a benefícios para a saúde. Também é popular na indústria cosmética, pois, aparentemente, atrasa o início do envelhecimento. No entanto, qual variedade de colágeno é a mais recomendada?

Colágeno marinho versus colágeno bovino

Vários suplementos à base de colágeno estão disponíveis no mercado, entre os quais se destacam o de origem marinha e o de origem bovina. A ambos são atribuídas diversas propriedades, como a de contribuir para a saúde da pele e das articulações. Embora existam estudos que respaldam essa afirmação, surgiu um debate sobre qual variedade é a melhor.

É comum ver anúncios que afirmam que o colágeno de origem marinha “é mais assimilável do que o terrestre”. Por sua vez, sugere-se que seja uma apresentação com efeitos quase milagrosos para a saúde. No entanto, é importante saber que todos os colágenos são semelhantes e, quando assimilados, o organismo não diferencia a sua procedência.

Em outras palavras, o valor biológico, a assimilação e as propriedades do colágeno marinho não são superiores ou piores do que os obtidos do bovino. O que importa em ambos os casos é o seu grau de hidrólise, que é o que permite sua absorção no corpo.

O processo de hidrólise também é conhecido como “fragmentação” ou “pré-digestão” e envolve a eliminação de gordura e de materiais indesejados para obter apenas os aminoácidos (o que o corpo aproveita). Independentemente da sua fonte, apenas o colágeno que tiver sido suficientemente hidrolisado consegue chegar aos tecidos que o utilizam como nutriente.

Molécula de colágeno
O colágeno é uma proteína composta por aminoácidos. Para que chegue aos tecidos e cumpra sua função, deve ser hidrolisada.

Existem diferenças entre o colágeno marinho e o colágeno bovino?

A principal diferença entre esses dois suplementos de colágeno é a sua fonte. Enquanto o colágeno marinho é obtido da pele, dos espinhos e das escamas dos peixes, o colágeno de origem bovina vem dos ossos e da pele do gado, como vacas e bois, bisões ou búfalos.

Naturalmente, outra característica que os diferencia são os ambientes de suas fontes, já que um é do mar e o outro da terra. Porém, acredita-se que o ambiente em que os animais vivem pode afetar a qualidade do suplemento. Embora faltem evidências, alguns estudos forneceram mais detalhes sobre esse aspecto.

Por exemplo, uma pesquisa publicada na revista médica Marine Drugs mostra que o colágeno marinho aumenta os tipos I e II dessa proteína no organismo. Portanto, é benéfico para a saúde da pele e das cartilagens.

Enquanto isso, um estudo da revista Nutrients indica que o colágeno bovino aumenta os tipos I e III da proteína, o que é benéfico para a prevenção de rugas, a promoção da elasticidade e o aumento da umidade da pele. Também foram feitas descobertas sobre seus benefícios para as articulações.

O preço, uma diferença considerável

Uma diferença que vale a pena destacar entre os dois tipos de colágeno é o preço. Como mencionamos, o marketing foi responsável por aumentar os benefícios dos suplementos de colágeno marinho, o que também afetou o seu valor.

Por ser um produto relativamente novo e que foi objeto de diversos estudos publicados, seu custo no mercado é superior ao do colágeno bovino. Existem até empresas que o oferecem por um preço altíssimo, mesmo quando o produto provém de espécies de baixo valor econômico.

Como comentamos, independentemente da sua origem (marinha ou terrestre), o que importa é que o produto seja hidrolisado para que o corpo possa digeri-lo. Portanto, na hora de adquirir esses suplementos, o mais importante é verificar seu grau de hidrólise.

Não existe colágeno vegetal

O colágeno é uma proteína que está presente nos animais e nos seres humanos. Não é verdade que algumas plantas o contêm, nem mesmo em quantidades mínimas. A questão é que foi disseminada a ideia de que é possível obtê-lo de alimentos como as algas.

No entanto, essas fontes vegetais não contêm colágeno porque não precisam dele. Em vez disso, elas têm estruturas fibrosas e de aparência gelatinosa (semelhantes ao colágeno) que a indústria chamou de “colágeno vegetal”. No entanto, ele não tem nenhuma relação com a proteína em si.

Propriedades das algas
O chamado colágeno vegetal não existe. As algas, por exemplo, não produzem colágeno nem precisam dele para o seu funcionamento.

O que devemos lembrar sobre o colágeno marinho e bovino?

Os suplementos de colágeno marinho e bovino têm sido amplamente estudados por seus potenciais benefícios à saúde. Em particular, eles foram considerados benéficos para a saúde da pele e das articulações. No entanto, não há evidências suficientes para garantir que uma variedade seja melhor do que a outra.

Em geral, a proteína do colágeno, independentemente da sua fonte, contém os mesmos aminoácidos em proporções semelhantes. O importante nesses casos é verificar se ele foi hidrolisado para que tenha um bom nível de assimilação e biodisponibilidade. Não se esqueça disso!

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