Candidíase

· 25 de março de 2018
As infecções pelo fungo Candida são oportunistas. Ou seja, é necessário que existam alterações nas defesas do organismo para que apareçam

O que é a candidíase?

A candidíase é uma micose, ou seja, uma infecção produzida por fungos que pertencem ao gênero Candida.

  • Podem ser infecções agudas, subagudas ou crônicas.
  • Afetam a pele, as mucosas e os tecidos profundos.
  • A sintomatologia é muito variável.
  • O prognóstico também é muito variável. Desde as leves infecções muco cutâneas a comprometer a vida do paciente em casos de imunossupressão severa.
  • São micoses oportunistas.

Candida spp

É um gênero formado por fungos com aspecto de levedura, unicelulares em sua maioria. Dentro do gênero, as espécies de interesse clínico são:

  • Candida albicans: é a espécie mais virulenta e a responsável por mais da metade dos quadros.
  • Candida glabrata
  • C. parapsilosis: associada ao uso de cateteres, sonda e agulhas.
  • C. krusei: associada ao uso de fluconazol (é um antifúngico)

 As siglas ssp fazem referência a todas as espécies que fazem parte do gênero.

Estrutura molecular da candidíase

O que são os patógenos oportunistas?

Os patógenos oportunistas são aqueles que, em condições normais, não infectam uma pessoa saudável. Deve existir uma alteração em qualquer das barreiras biológicas do sistema imune para que isso ocorra.

O gênero Candida, assim como a maioria dos fungos e algumas bactérias, pertence a este grupo de patógenos. Na verdade, Candida forma parte da flora normal da pele e mucosas em uma alta porcentagem da população.

Como a candidíase aparece?

Por alterações nas barreiras mecânicas: danos na pele e mucosas (barreiras primárias).

Isso é o que ocorre com pacientes com cateteres, com sondas, com próteses ou submetidos à diálise. Explica igualmente a infecção nos usuários de drogas por via parenteral (injetáveis).

No caso do fungo passar para a corrente sanguínea, pode afetar quase qualquer órgão. Aparece em pacientes com imunodepressão severa (HIV mal controlado e fase terminal de leucemia).

O dano na pele ou em mucosas faz com que esta zona deixe de agir como barreira, permitindo a colonização por parte do fungo. Assim, os furos com seringas ou a erosão da mucosa que um cateter gera, predispõe à infecção.

Alterações da flora bacteriana

O dano na flora bacteriana se produz, em muitos casos, pelo consumo de antibióticos de amplo espectro. Isso se explica pelo campo de atuação tão amplo que apresentam. Os antibióticos “atacam” tanto as bactérias responsáveis pela infecção, como as que formam parte da flora. Ao desaparecer esta barreira, existe a possibilidade de uma micose.

Por exemplo, é relativamente frequente encontrar casos de candidíase vaginal em mulheres jovens depois do uso de antibióticos.

Estados de imunossupressão

Seja sua origem em uma doença, como é o caso dos pacientes com HIV, ou seja de origem farmacológica, como ocorre com os pacientes transplantados e tratados com fármacos anti-rejeição.

Clínica: candidíases superficiais

Candidíase orofaríngea

Caracteriza-se pelo aparecimento de pseudomembranas brancas que cobrem a língua, o palato mole e a mucosa oral. Se estas são removidas deixam aparecer uma superfície avermelhada e machucada. Podem chegar a ser muito doloridas e comprometer a deglutição e a respiração.

Aparece fundamentalmente em pacientes com HIV (até 90%), sendo uma das primeiras manifestações da doença. Mesmo que seja uma das infecções oportunistas mais frequentes que afetam estes pacientes, a incidência vem reduzindo ultimamente.

Afeta também a pacientes com câncer pelo enfraquecimento do sistema imune e a recém-nascidos por seu nível de imaturidade.

Vaginite e vulvovaginite por Candida

É relativamente frequente. Clinicamente se caracteriza por:

  • Ardência vulvar e vaginal muito intensa, especialmente ao urinar.
  • Aspecto corado e muito avermelhado da mucosa genital.
  • Aparecimento de placas esbranquiçadas sobre a mucosa avermelhada.
  • Secreção vaginal esbranquiçada e densa, com grumos. Descrita como “com aspecto de requeijão”. 
Mulher com candidíase vaginal

Balanite por Candida

É menos frequente que a vaginite. Normalmente aparece associada com a diabetes, em indivíduos não circuncidados ou em casos de histórico prévio de Candidíase no parceiro.

Sobre a glande e o prepúcio aparecem lesões avermelhadas de aspecto erodido e pústulas superficiais, normalmente dolorosas. Pode vir acompanhada de sensação de queimação e ardor que aumentam ao urinar. 

Candidíase cutânea

Aparece fundamentalmente nas dobras cutâneas e em áreas onde a roupa apertada obstrui a pele. Deve-se, em ambos os casos, à criação de zonas quentes e relativamente úmidas.

Aparece como uma erupção avermelhada que causa coceira intensa e mal-estar. Localiza-se principalmente nas nádegas, sob as mamas, em genitais e outras zonas da pele. Além disso, em algumas ocasiões podem ser infectados os folículos pilosos aparecendo “cravos”.

É relativamente frequente em lactantes, que a dermatite de fralda se infecte pela Candida, agudizando os sintomas da primeira.

APECED: poliendocrinopatia autoimune de tipo 1

Trata-se de uma doença muito rara, de origem genética devido a uma mutação no gene AIRE. A doença começa na infância com a candidíase de repetição, orais e ungueais, sem motivo aparente.

Mais para frente aparece uma disfunção de origem autoimune em várias glândulas. Somam-se então quadros de hipoparatireoidismo, insuficiência suprarrenal e doença de Addison.

Clínica: candidíase profunda

Esofagite por Candida

É típica em paciente imunodeprimidos. Aparece muito frequentemente em paciente com HIV ou linfomas, e com menos frequência, durante tratamentos com corticoides. A sintomatologia é chamativa:

  • Sensação de queimação retroesternal.
  • Dificuldade para tragar (disfagia)
  • Pirose

Além disso, aparecem pseudomembranas esbranquiçadas ao longo da mucosa esofágica.

Clínica: candidíase invasora

Nestes casos o fungo passa para a corrente sanguínea, podendo afetar quase qualquer órgão. Aparece em pacientes com uma imunodepressão muito severa (HIV mal controlado e fase terminal de leucemia).

É um quadro muito grave, com mal prognóstico na maioria das vezes. 

Diagnóstico

O diagnóstico se realiza mediante a obtenção e a análise de culturas. Estes são colhidos realizando um esfregaço na zona afetada e cultivados em um meio adequado. Depois, as culturas são analisadas no microscópio.

Prevenção e tratamento

É importante manter uma boa higiene pessoal. Depois dos banhos, secar bem as dobras de pele e cuidar apropriadamente da zona genital. No caso das grávidas é bom, inclusive, acompanhar a dieta com iogurtes bioativos que favoreçam a manutenção da acidez vaginal.

Objetos que podem provocar candidíase

O tratamento varia de acordo com o tipo de micose. O mais comum é o tratamento típico com clotrimazol (ver tratamento da candidíase).