Asma aguda grave: sintomas e tratamento

19 de janeiro de 2020
A asma aguda grave constitui um motivo muito frequente de consulta nos serviços de urgência, sendo os adolescentes e os jovens adultos quem mais solicitam cuidado médico.

Sem dúvida alguma, todos os pacientes asmáticos têm o risco de sofrer uma crise de asma aguda grave durante a sua vida. Além disso, esses episódios podem chegar a ser mortais.

Por isso, as hospitalizações e seus cuidados nos serviços de emergência são um aspecto fundamental na assistência ao asmático.

Vamos ver do que se trata essa afecção.

O que é a asma?

Tratamento da asma aguda grave

Em primeiro lugar, você deve saber de que a asma é uma doença inflamatória de caráter crônico das vias aéreas associada com hiper-reatividade, limitação reversível do fluxo aéreo e sintomas respiratórios.

O aparelho respiratório é formado por:

  • Fossas nasais.
  • Laringe.
  • Traqueia.
  • Alvéolos, bronquíolos e brônquios.

A asma atinge, principalmente, os brônquios e os bronquíolos que têm a função de levar o ar para dentro e para fora do pulmão.

Na asma, o que acontece é que a parede dessas estruturas se inflama e fica mais grossa, há menor produção de muco e o músculo que está ao redor das paredes dos brônquios se contrai fazendo com que a luz se estreite e a respiração fique mais difícil.

Às vezes, os pacientes asmáticos podem sentir efeitos no nariz e nos seios paranasais, o que é conhecido como sinusite.

Certamente, são muitos os fatores que podem desencadear uma crise de asma através da inflamação das vias aéreas, da contração do músculo liso delas ou ambos.

Por exemplo, a exposição às substâncias alergênicas, a poluição do ar e as infecções respiratórias são os principais desencadeadores clinicamente identificados.

Quais são os sintomas da asma aguda grave?

Em primeiro lugar, os sintomas se manifestam de maneiras diferentes em cada pessoa, tanto na frequência como na gravidade. Entre os mais comuns, estão:

  • Dificuldade grave para respirar, opressão ou dor no peito e tosse ou chiado ao respirar.
  • Valores baixos de fluxo respiratório máximo.
  • Sintomas que não respondem ao uso de um inalador de ação rápida.

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Tratamento da asma aguda grave

Certamente, a asma aguda grave é uma emergência médica que deve ser avaliada e tratada com rapidez. A avaliação constitui um processo com duas dimensões diferentes:

  • Uma avaliação estática, com o objetivo de determinar a gravidade da crise.
  • Uma avaliação dinâmica, com o objetivo de analisar a resposta ao tratamento.

Assim então, a intensidade do tratamento será determinada pela gravidade da crise. No entanto, seja qual for o tratamento, os objetivos são variados, sendo os seguintes:

  • Corrigir a hipoxemia (diminuição dos níveis de oxigênio no organismo) por meio da administração de oxigênio.
  • Aliviar a obstrução das vias aéreas por meio da administração repetida de broncodilatadores inalados.
  • Diminuir a inflamação, assim como prevenir as recaídas, por meio da administração de corticoides sistêmicos.

Oxigênio

Paciente com oxigênio no hospital

A hipoxemia, que, como vimos, é a diminuição dos níveis de oxigênio no organismo, pode ser corrigida, normalmente por meio de pequenos acréscimos da fração de oxigênio inspirada através de máscaras ou cânulas nasais.

Broncodilatadores inalados: agonistas beta

Os fármacos agonistas beta inalados de curta duração são os medicamentos de escolha no tratamento da asma grave aguda. Têm um começo de ação rápida (5 minutos) com 6 horas de duração e escassos efeitos secundários.

A via inalatória permite um começo de ação mais rápido e menos efeitos secundários que a administração por via sistêmica. Porém, esta última via apenas deve ser considerada quando a resposta ao tratamento inalatório for pobre.

Anticolinérgicos

Em primeiro lugar, devemos destacar que a justificação principal do uso de anticolinérgicos no tratamento da asma aguda grave é o aumento do tônus vagal nas vias aéreas.

Esse benefício pode ser demonstrado mais claramente quando são utilizados protocolos terapêuticos consistentes em doses repetidas e altas. Apresenta uma redução das hospitalizações, aumentos da função pulmonar e diminuição dos custos.

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Corticoides sistêmicos

Os corticoides sistêmicos devem ser considerados no tratamento da maioria das crises asmáticas. Esses fármacos não são broncodilatadores, mas são extremamente efetivos na redução da inflamação das vias aéreas. Os resultados de diferentes estudos sugerem que:

  • Esses fármacos precisam de, aproximadamente, entre 6 e 24 horas para desencadear sua ação anti-inflamatória.
  • Não há muitas mudanças entre a administração por via oral ou intravenosa.
  • Não foi possível demonstrar relações de dose-efeito. Por isso, não há benefícios na utilização de doses muito elevadas.
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