As diferenças entre abuso sexual e violação

29 de novembro de 2019
Ainda que o abuso sexual e a violação não sejam sinônimos, em ambos os casos se obriga a vítima a realizar ações de índole sexual contra a sua vontade.

O abuso sexual e a violação são dois termos que são usados como se fossem sinônimos. Porém, atender às diferenças que encerram nos permitirá encontrar um pouco de luz sobre duas realidades que, tristemente, estão muito presentes hoje em dia.

Tanto no abuso sexual quando na violação, a vítima pode sofrer de transtornos como:

  • Estresse pós-traumático
  • Diminuição da autoestima
  • Sentimentos de desamparo.
Vejamos separadamente em que consistem o abuso sexual e a violação.

Violação, o ato sexual forçado

Pessoa vítima de abuso sexual e violação

A violação supõe a realização do ato sexual forçado, no qual há penetração. Por meio da força ou intimidação, a vítima é submetida a manter relações sexuais contra a sua vontade.
  • A violação pode acontecer de três maneiras diferentes: via oral, anal ou vaginal.
  • Não necessariamente tem que haver penetração usando só os genitais, mas também objetos ou outras partes do corpo, como os dedos.

Apesar de na violação ocorrer um ato sexual não consensual, a pessoa que estupra nem sempre busca a satisfação sexual. Em alguns casos, o que ela quer é exibir o seu poder, submeter a outra pessoa para, assim, ter uma sensação de superioridade. É o que sugere um estudo realizado pela Benemérita Universidad Autónoma de Puebla (México).

O abuso sexual e a sua presença no relacionamento

Mulher vítima de abuso sexual e violação

Ainda que o título possa parecer chocante, o abuso sexual pode estar presente em um relacionamento. Neste caso, não há força física e nem agressão, mas sim mentiras e manipulações, conforme afirma este estudo realizado pela Universidad de La Laguna.

O objetivo é que a outra pessoa faça coisas que permitam se excitar ao abusar. Por exemplo, por meio de coação, pode fazer com que a vítima envie alguma foto íntima por telefone.

A pessoa que abusa sexualmente de outra também pode fazer uso dos toques e do roçar para deixar a vítima nervosa. Definitivamente, a assedia.

Que relacionamento pode existir entre o abuso sexual e uma relação amorosa? Por exemplo, forçar a parceira a fazer sexo oral quando ela não quer isso.

Também há uma prática denominada “stealthing“, de acordo com este estudo realizado pela Universidade Monash de Melbourne (Austrália), que supõe a retirada do preservativo durante o ato sexual consensual sem que a outra pessoa saiba. Isso é considerado abuso sexual.

Abuso sexual e violação não são sempre uma parafilia

Mulher dizend não ao abuso sexual e à violação

Muitas vezes pode-se pensar que o abuso sexual e a violação que algumas pessoas exercem contra outros são uma espécie de parafilia. Porém, isso pode ir mais além.

Traumas da infância ou algum tipo de abuso sofrido na infância e que não se reconhece podem fazer com que algumas pessoas procurem dominar e exercer violência contra outras, conforme afirma este estudo realizado pela Universidade de Barcelona.

De alguma maneira, estão exteriorizando os problemas que os atormentam, mas que não sabem gerenciar de uma maneira mais saudável. Por exemplo, consultando um psicólogo.

Isso costuma acontecer porque a maioria das pessoas tende a negar aqueles fatos mais dolorosos que as marcaram de uma forma muito profunda e negativa.

Quais são as penas para os abusos sexuais e as violações?

  • Atualmente as violações costumam ter penas severas de prisão, entre 6 e 12 anos para a pessoa que agride outra sexualmente.
  • Porém, o abuso sexual só conta com penas de 4 a 10 anos, dependendo do tipo de abuso que aconteça.

Não cabe nenhuma dúvida de que a vítima é a maior afetada. As sequelas psicológicas, o medo e as inseguranças fruto de tudo isso podem mudar a sua forma de se relacionar com os demais.

Uma vítima de abuso sexual e violação demora muitos anos para se recuperar, apesar de procurar psicólogos e realizar diferentes tratamentos. Algumas não chegam nunca a se sobrepor completamente. O acontecido lhes deixa uma marca tão profunda que continuará lhes afetando durante o resto de sua vida.

  • Pereira, A., & Zubiaur, M. (2011). Sobre el origen de la violacion. ReCrim.
  • Vallejo, A., & Córdoba, M. (2012). Abuso sexual : tratamientos y atención. Revista de Psicología.
  • Beltran, N. P. (2010). Consecuencias psicológicas a largo plazo del abuso sexual infantil. Papeles Del Psicologo. http://doi.org/10.4321/S1135-76062006000100006