O que podemos aprender com a apatia?

Os estados de apatia não precisam necessariamente ser negativos. Devemos vê-los como momentos para podermos trabalhar e equilibrar nosso mundo emocional e nos conhecermos melhor.

A apatia é, para muitos, um sinônimo de depressão, e embora sejam sentimentos ou quadros sensíveis semelhantes, é importante enfatizar que eles não são a mesma coisa.

O fato é que diferenciá-los pode ser confuso. No entanto, para conseguir fazê-lo de uma forma simples, podemos dizer que a apatia é baseada em alterações na motivação.

Por outro lado, a depressão é direcionada para as emoções. Embora ambos costumem surgir acompanhados, há momentos em que um se manifesta sem a presença do outro.

Desta vez, vamos nos concentrar em falar sobre a apatia e tentar não representá-la como um sentimento ou um quadro sensível completamente negativo para nos concentrarmos um pouco mais em sua utilidade.

O que é a apatia?

Homem apático na cama

De uma forma científica, a apatia é definida como uma síndrome “neurocomportamental”, o que significa que está ligada ao cérebro e à sua maneira de afetar comportamentos ou condutas.

Em si, a apatia é reconhecida pela ausência de vontade e interesse. Frequentemente, também reside na ausência de emoções. Tudo isso se refere às atividades diárias que uma pessoa pode realizar ou a qualquer circunstância que a rodeia.

Além de ser confundida com a depressão, é também utilizada indevidamente como sinônimo de indiferença, falta de atenção e até de sonolência.

Veremos que, quando uma pessoa demonstra apatia, pode estar atenta, acordada e até feliz. O que acontece é que há uma notável falta de interesse quando se trata de fazer determinadas coisas, ou talvez todos os tipos de atividades.

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A apatia é 100% negativa?

Se entendermos bem a sua definição, perceberemos que não é uma doença, muito menos um quadro de incapacidade. De fato, pode ser considerada simplesmente como um estado temporário, que pode ser voluntário ou não.

No entanto, uma vez que estamos rodeados de uma sociedade que não pára e que valoriza significativamente os fatos e ações, não é de se estranhar que a apatia seja vista como algo negativo. Mas ela é negativa? Na verdade, não é.

Não é um estado negativo, muito menos quando é voluntário e seletivo.

De fato, essa afirmação pode ser exemplificada com algumas doutrinas, como o budismo. Se nós prestarmos atenção, budismo é uma espécie de apatia direcionada.

Esta disciplina ou religião procura apaziguar reações, paixões e emoções excessivas. Tudo isso para encontrar a plenitude interior e exterior.

No que devemos prestar atenção?

Homem consolando mulher chorando

Muitas vezes a apatia pode estar relacionada a doenças psicológicas, mas é preciso enfatizar que, por si só, ela não é uma doença.

No entanto, seja voluntária ou precedida por uma doença, o resultado é o mesmo: a pouca iniciativa na hora de realizar atividades e a redução de sentimentos e emoções.

O que vale a pena detalhar é que, estando na presença de um quadro de apatia, também estamos em um estado mental tranquilo.

  • Isso pode nos permitir um melhor reconhecimento de nossos pensamentos, emoções, sentimentos e sensações.
  • Assim, podemos estar em um estado de consciência mais otimizado.

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Os benefícios da apatia

Após ter deixado claro que a apatia não é exatamente um estado negativo, podemos mencionar alguns de seus benefícios.

1. Ajuda a alcançar o equilíbrio emocional

Mulher de bom humor

Mencionamos anteriormente que, em um estado de apatia, temos a possibilidade de reconhecer e avaliar com mais eficácia nossas emoções e sentimentos.

Então, quando entendemos o que sentimos, como e por que reagimos, é possível encontrar nosso equilíbrio emocional.

2. Proporciona mais tempo para decidir

Sem agir, temos mais tempo para decidir. Esta é uma oportunidade que podemos nos dar quando não agimos ou reagimos.

Isso pode contribuir para que tenhamos ainda mais tempo para avaliar situações e, portanto, tomar decisões melhores.

3. Encontramos nossa consciência emocional

Muitas vezes a apatia está ligada à depressão. Diante de ambos os quadros, geralmente reagimos de forma defensiva. Nós pretendemos sair desses estados rapidamente para voltar a sermos pessoas “ativas” e “positivas”.

Dada esta situação, é aconselhável que tomemos o tempo necessário para “ouvir a nossa apatia”.

Se o fizermos, podemos entrar em um estado de consciência emocional que nos permita identificar as razões de nossa tristeza ou perda de motivação e, assim, sermos capazes de trabalhar em uma evolução emocional.

Finalmente, também devemos considerar que existem quadros de apatia involuntários e prolongados (estados crônicos) que requerem uma consulta com especialistas.

Para identificar esses casos, basta analisar o fato de podermos ou não, de forma não persistente, afastar-nos da apatia. Caso estas tentativas não tenham resultado, recomendamos consultar um médico.

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