Anamu: propriedades e contraindicações

A medicina tradicional usa o anamu para aliviar a dor, diminuir a inflamação e melhorar a memória. Saiba mais sobre os seus benefícios, bem como seus efeitos adversos, a seguir.
Anamu: propriedades e contraindicações

Última atualização: 16 Maio, 2021

Na medicina alternativa, o anamu tem sido usado para reduzir a inflamação e a dor, fortalecer o sistema imunológico e combater algumas doenças crônicas. Este arbusto herbáceo é nativo da floresta amazônica, embora também cresça em toda a América do Sul, América Central e Estados Unidos.

Mucura-caá, erva-pipi, tipí, teté, erva-de-alho, amansa-senhor, tipí-verdadeiro, raiz-de-guiné, gambá são outros nomes pelos quais se conhece o anamu. Seu nome científico é Petiveria alliacea e uma das características peculiares da raiz e das folhas é o seu forte cheiro de alho. De acordo com um estudo em animais, acredita-se que esta planta possa melhorar a função cerebral.

Propriedades e benefícios do anamu

Existem vários benefícios que o anamu pode nos oferecer. Os de maior destaque são os seguintes.

Propriedades antioxidantes

Graças aos seus compostos vegetais, o anamu possui propriedades antioxidantes. Contém flavonoides, cumarinas, triterpenos e enxofre. Esses antioxidantes têm a função de bloquear os radicais livres.

De acordo com uma revisão publicada na Recent Patents on Inflammation & Allergy Drug Discovery, os radicais livres estão associados a doenças e condições crônicas, doenças cardíacas, distúrbios cerebrais e diabetes.

Redução da inflamação e alívio da dor

Esta planta tem sido usada de forma tradicional para aliviar a dor e reduzir a inflamação. De acordo com uma pesquisa com ratos realizada pelo Chinese Journal of Integrative Medicine, o anamu reduz os marcadores de inflamação, como a interleucina 6, a prostaglandina E2 e o fator de necrose tumoral alfa.

Por outro lado, a Phytomedicine: International Journal of Phytotherapy & Phytopharmacology, com uma análise em animais, descobriu que o anamu pode aliviar significativamente a dor. Em contraste, pesquisas realizadas com 14 humanos com osteoartrite descobriram que o chá de anamu não é tão eficaz quanto outros medicamentos. Portanto, leve em consideração que mais estudos em humanos são necessários para descobrir se ele é eficaz nesse aspecto.

Dor nas articulações
O uso do anamu como analgésico é controverso. Alguns estudos o apoiam, mas outros não encontraram melhora em relação aos medicamentos usuais.

Permitiria melhorar o desempenho mental

Um estudo com animais realizado pelo Journal of Ethnopharmacology indicou que o anamu tem o potencial de melhorar a memória de curto e longo prazo, pois os animais mostraram progresso nas tarefas de aprendizagem.

Enquanto isso, outro estudo em animais confirmou que ele melhora a memória de longo prazo e reduz os sinais de ansiedade, embora não se possa afirmar com certeza que fortaleça a memória de curto prazo. No entanto, a pesquisa em humanos ainda é necessária para corroborar seus benefícios potenciais.

Propriedades anticancerígenas?

Um estudo em tubo de ensaio registrou que o anamu contribuiu para a morte de células cancerígenas da próstata, mama, pulmão, cólon e pâncreas. Portanto, existe a hipótese de que o extrato dessa planta possa ser eficaz ao suprimir a evolução de certos cânceres.

Isso porque ele possui princípios ativos como flavonoides, ácidos graxos, cumarinas e enxofre. No entanto, mais estudos em humanos são necessários e é impossível considerá-lo uma primeira linha de abordagem oncológica.

Outros benefícios possíveis

O anamu pode ter benefícios adicionais, como os seguintes:

Modo de uso e contraindicações

O anamu é de venda livre e você pode adquiri-lo em diferentes apresentações: pó, tinturas, folhas secas ou cápsulas. Atualmente, não há dados suficientes para recomendar uma dose exata devido à pouca pesquisa em humanos.

Apesar das informações limitadas, algumas embalagens de suplementos recomendam 400 a 1.250 miligramas por dia. Entretanto, não há garantia sobre as quantidades.

Uma pesquisa publicada no Journal of Ethnopharmacology sugeriu que o uso a curto prazo e uma pequena dose poderiam ter baixa toxicidade. No entanto, a longo prazo, haveria efeitos adversos, como confusão, tremores, sonolência, convulsões e inquietação.

Deve-se ter em mente que os suplementos de anamu não são submetidos a testes de segurança, portanto, por não serem regulamentados, cada fabricante pode sugerir diferentes doses das especificadas no rótulo do produto.

Recomenda-se ter um cuidado especial se for consumido ao mesmo tempo que um anticoagulante ou um medicamento para doenças cardíacas. O anamu já contém uma pequena quantidade de um anticoagulante natural chamado cumarina.

Coagulação do sangue
O anamu contém cumarina, um anticoagulante natural; portanto, pacientes cardíacos devem prestar uma atenção especial ao seu uso.

Para quem o anamu é contraindicado?

Por se tratar de uma planta com poucas pesquisas para consumo humano, recomenda-se evitar seu consumo por gestantes, lactantes e crianças pequenas. Se você estiver tomando medicamentos, deve consultar seu médico antes de experimentar qualquer apresentação da planta anamu.

O que devemos lembrar sobre o anamu?

O anamu é um arbusto herbáceo caracterizado por um forte cheiro de alho. Na medicina tradicional, já foi usado para aliviar a dor, diminuir a inflamação, fortalecer o sistema imunológico, reduzir a ansiedade e melhorar o desempenho mental.

Apesar dos muitos benefícios atribuídos a esta planta, ainda são necessárias mais pesquisas para se aprofundar em suas propriedades e possíveis efeitos colaterais.

Pode interessar a você...
6 vitaminas para combater a inflamação
Melhor Com SaúdeLeia em Melhor Com Saúde
6 vitaminas para combater a inflamação

As vitaminas têm o poder de combater a inflamação porque são ricas em antioxidantes. Por isso, é importante manter uma alimentação balanceada e com...



  • Urueña, C., Cifuentes, C., Castañeda, D., Arango, A., Kaur, P., Asea, A., & Fiorentino, S. (2008). Petiveria alliacea extracts uses multiple mechanisms to inhibit growth of human and mouse tumoral cells. BMC complementary and alternative medicine, 8, 60. https://doi.org/10.1186/1472-6882-8-60
  • Silva, M. L., Luz, D. A., Paixão, T. P., Silva, J. P., Belém-Filho, I. J., Fernandes, L. M., Gonçalves, A. C., Fontes-Júnior, E. A., de Andrade, M. A., & Maia, C. S. (2015). Petiveria alliacea exerts mnemonic and learning effects on rats. Journal of ethnopharmacology, 169, 124–129. https://doi.org/10.1016/j.jep.2015.04.005
  • Okada, Y., Tanaka, K., Sato, E., & Okajima, H. (2008). Antioxidant activity of the new thiosulfinate derivative, S-benzyl phenylmethanethiosulfinate, from Petiveria alliacea L. Organic & biomolecular chemistry, 6(6), 1097–1102. https://doi.org/10.1039/b715727d
  • Khansari, N., Shakiba, Y., & Mahmoudi, M. (2009). Chronic inflammation and oxidative stress as a major cause of age-related diseases and cancer. Recent patents on inflammation & allergy drug discovery, 3(1), 73–80. https://doi.org/10.2174/187221309787158371
  • Rosa, M., & Jose, M. (2018). Petiveria alliacea Suppresses Airway Inflammation and Allergen-Specific Th2 Responses in Ovalbumin-Sensitized Murine Model of Asthma. Chinese journal of integrative medicine, 24(12), 912–919. https://doi.org/10.1007/s11655-018-2566-5
  • Lopes-Martins, R. A., Pegoraro, D. H., Woisky, R., Penna, S. C., & Sertié, J. A. (2002). The anti-inflammatory and analgesic effects of a crude extract of Petiveria alliacea L. (Phytolaccaceae). Phytomedicine : international journal of phytotherapy and phytopharmacology, 9(3), 245–248. https://doi.org/10.1078/0944-7113-00118
  • Ferraz, M. B., Pereira, R. B., Coelho Andrade, L. E., & Atra, E. (1991). The effectiveness of tipi in the treatment of hip and knee osteoarthritis–a preliminary report. Memorias do Instituto Oswaldo Cruz, 86 Suppl 2, 241–243. https://doi.org/10.1590/s0074-02761991000600054
  • Silva, M. L., Luz, D. A., Paixão, T. P., Silva, J. P., Belém-Filho, I. J., Fernandes, L. M., Gonçalves, A. C., Fontes-Júnior, E. A., de Andrade, M. A., & Maia, C. S. (2015). Petiveria alliacea exerts mnemonic and learning effects on rats. Journal of ethnopharmacology, 169, 124–129. https://doi.org/10.1016/j.jep.2015.04.005
  • de Andrade, T. M., de Melo, A. S., Dias, R. G., Varela, E. L., de Oliveira, F. R., Vieira, J. L., de Andrade, M. A., Baetas, A. C., Monteiro, M. C., & Maia, C. (2012). Potential behavioral and pro-oxidant effects of Petiveria alliacea L. extract in adult rats. Journal of ethnopharmacology, 143(2), 604–610. https://doi.org/10.1016/j.jep.2012.07.020
  • Lowe, H. I., Facey, C. O., Toyang, N. J., & Bryant, J. L. (2014). Specific RSK kinase inhibition by dibenzyl trisulfide and implication for therapeutic treatment of cancer. Anticancer research, 34(4), 1637–1641.
  • Santander, S. P., Hernández, J. F., Barreto, C. C., Masayuki, A., Moins-Teisserenc, H., & Fiorentino, S. (2012). Immunomodulatory effects of aqueous and organic fractions from Petiveria alliacea on human dendritic cells. The American journal of Chinese medicine, 40(4), 833–844. https://doi.org/10.1142/S0192415X12500620
  • Benevides, P. J., Young, M. C., Giesbrecht, A. M., Roque, N. F., & Bolzani, V. S. (2001). Antifungal polysulphides from Petiveria alliacea L. Phytochemistry, 57(5), 743–747. https://doi.org/10.1016/s0031-9422(01)00079-6
  • Gomes, P. B., Noronha, E. C., de Melo, C. T., Bezerra, J. N., Neto, M. A., Lino, C. S., Vasconcelos, S. M., Viana, G. S., & de Sousa, F. C. (2008). Central effects of isolated fractions from the root of Petiveria alliacea L. (tipi) in mice. Journal of ethnopharmacology, 120(2), 209–214. https://doi.org/10.1016/j.jep.2008.08.012
  • Luz, D. A., Pinheiro, A. M., Silva, M. L., Monteiro, M. C., Prediger, R. D., Ferraz Maia, C. S., & Fontes-Júnior, E. A. (2016). Ethnobotany, phytochemistry and neuropharmacological effects of Petiveria alliacea L. (Phytolaccaceae): A review. Journal of ethnopharmacology, 185, 182–201. https://doi.org/10.1016/j.jep.2016.02.053