Como deve ser a alimentação de pessoas com cirrose?

A cirrose é uma doença que não tem cura, por isso é fundamental saber quais aspectos considerar. A seguir, descubra mais detalhes sobre quais alimentos uma pessoa com cirrose deve comer e evitar.
Como deve ser a alimentação de pessoas com cirrose?

Última atualização: 07 Abril, 2021

A alimentação de pessoas com cirrose vai depender do estágio da doença. Em todo caso, considerando que ela não tem cura, é fundamental traçar metas a longo prazo, uma vez que elas devem ser sustentadas por meses e anos.

Essa patologia é o resultado final de uma lesão hepática que se torna crônica. De acordo com o American College of Gastroenterology, cerca de 5,5 milhões de pessoas a padecem nos Estados Unidos, causando 26.000 mortes por ano.

O que é a cirrose?

A cirrose é uma doença crônica na qual as células do fígado morrem por zonas e causam fibrose, uma espécie de cicatriz. Assim, o tecido hepático é substituído por nódulos, o que leva a uma alteração na arquitetura e funcionalidade do órgão.

De acordo com diversos estudos, essa patologia tem entre suas principais causas o consumo excessivo de álcool. Em segundo lugar, temos a obstrução biliar, a hepatite B ou C crônica e outras doenças hepáticas. A etiologia também é fundamental para avaliar qual é a melhor dieta, já que os viciados em álcool não podem ingerir o mesmo que outros pacientes, por exemplo.

Fígado com cirrose
O fígado é o órgão afetado pela cirrose.

Estágios da doença

Existem dois estágios básicos nesta enfermidade. Um é o inicial, conhecido como cirrose compensada. Sem tratamento definido, ela evolui para uma cirrose avançada ou descompensada, que é quando a destruição celular se mantém no tempo. Nesta última, aparecem os seguintes sintomas:

  • Icterícia: amarelamento da pele e das mucosas devido à elevação da bilirrubina.
  • Ascite: acúmulo de líquido no abdômen devido a mudanças na pressão interna dos vasos sanguíneos.
  • Encefalopatia: confusão mental após a presença de substâncias tóxicas no cérebro.
  • Sangramento gastrointestinal.

Prevalência de desnutrição

A desnutrição é um sinal muito comum nesses pacientes. Vários estudos sugerem que até 25% dos cirróticos compensados ​​e 80% dos pacientes avançados a apresentam. Em geral, há perda de massa muscular (maior nos homens) e de tecido adiposo.

Em pessoas alcoólatras, a via da desnutrição é dupla. Por um lado temos os efeitos deletérios da doença hepática, mas a isto devemos acrescentar a falta de variedade dos alimentos consumidos pelos maus hábitos da dependência.

Como deve ser a alimentação de pessoas com cirrose?

Em geral, a cirrose é diagnosticada quando a doença já está avançada, então o principal objetivo da dieta é fornecer os nutrientes de que o paciente necessita para evitar deficiências. Em todos os momentos, deve-se considerar que as pessoas com essa doença devem seguir uma dieta hepatoprotetora.

O estudo Nutritional care for patients with liver cirrhosis mostra que aqueles que têm cirrose compensada e estão estáveis têm necessidades semelhantes às normais. Portanto, a dieta deve conter todos os grupos alimentares e ser pobre em gordura.

Segundo a Associação Espanhola de Enfermagem de Patologia Digestiva, deve-se incluir os seguintes elementos na mesma:

  • Carnes brancas e vermelhas, considerando opções com baixo teor de gordura.
  • Peixes.
  • Ovos
  • Frutas e verduras.
  • Cereais e amidos.
  • Azeites crus com moderação.
  • Leguminosas.
  • Oleaginosas em quantidade limitada.
  • Sementes.
  • Laticínios desnatados.

Cada caso particular deve ser avaliado. Pesquisas neste campo indicam que a ingestão de proteínas deve ser de 1 a 1,5 grama por quilo de peso para evitar deficiências. Também sugere-se fazer 5 refeições diárias com pouco volume.

Além disso, o álcool e todas as substâncias tóxicas devem ser completamente eliminados da dieta. Na verdade, quando a causa dessa patologia é o abuso de álcool, a eliminação do mesmo retarda a progressão e melhora o prognóstico de forma notável.

Cuidar da saúde do fígado
Na cirrose, há uma perda da estrutura e anatomia do fígado, o que altera a sua função.

Alimentação quando houver sintomas expressos da doença

É na fase descompensada que aparecem as complicações citadas. Aqui, a alimentação das pessoas com cirrose sofre algumas restrições. Portanto, a dieta deve ser adaptada, conforme um artigo publicado na revista Farmácia Profissional, que incentiva levar em consideração o seguinte:

  • Limitar a ingestão de líquidos a 1,2 litro por dia.
  • Restringir a ingestão de sódio, pois favorece o acúmulo de líquidos e agrava a ascite.
  • Reduzir o consumo de proteínas para não sobrecarregar o fígado, principal tecido responsável por metabolizá-las.

A restrição proteica pode ser de 0,5 grama por quilo de peso em pacientes com encefalopatia, para gradualmente aumentar o valor até chegar à normalidade quando a mesma desaparecer. Ao tomar esta medida, por mínima que seja, é preciso complementar com aminoácidos de cadeia ramificada para evitar maiores danos ao paciente.

A introdução de complexos vitamínicos também pode ser considerada. As adições de vitaminas B e K são especialmente necessárias. A primeira previne a progressão das neuropatias e a segunda reduz os episódios de sangramento por falhas na coagulação.

A opção de transplante de fígado

Para alguns pacientes com doença avançada, o transplante de fígado pode ser considerado uma opção de tratamento. No entanto, não se deve esquecer que o risco cirúrgico é alto e não significa uma solução definitiva, visto que os cuidados posteriores são intensos.

Da mesma forma, quem chega a esse estágio precisa tomar medicamentos para evitar a rejeição do novo órgão ao longo da vida. Esses medicamentos têm efeitos adversos, muitos deles hepáticos.

O que devemos lembrar sobre a alimentação de pessoas com cirrose?

Em um quadro de cirrose, seja estável ou instável, a atividade do fígado é deficiente, o que leva ao acúmulo de substâncias tóxicas no organismo. Por isso, é preciso ser rigoroso com a alimentação do paciente para evitar que surjam complicações.

O ideal é fazer controles com um médico e um nutricionista, para avaliar o estado geral e indicar a dieta a seguir. O uso de medicamentos também será necessário, uma vez que a complexidade do transtorno não admite uma abordagem única.

Pode interessar a você...

3 conselhos para cirrose que todo paciente deve seguir
Melhor Com SaúdeLeia em Melhor Com Saúde
3 conselhos para cirrose que todo paciente deve seguir

Existem alguns conselhos para cirrose que podem nos ajudar a lidar com essa condição, de forma muito mais fácil e simples para nós. Veja!



  • Aceves-Martins, M. (2014). Cuidado nutricional de pacientes con cirrosis hepática. Nutrición Hospitalaria29(2), 246-258.
  • Kalaitzakis, E., Simrén, M., Olsson, R., Henfridsson, P., Hugosson, I., Bengtsson, M., & Björnsson, E. (2006). Gastrointestinal symptoms in patients with liver cirrhosis: associations with nutritional status and health-related quality of life. Scandinavian journal of gastroenterology41(12), 1464-1472.
  • Román Abal, E. M., & de Patología, A. E. D. E. (2007). Guía de cuidados para pacientes con cirrosis hepática y sus familiares.
  • Buey, L. G., Mateos, F. G., & Moreno-Otero, R. (2012). Cirrosis hepática. Medicine-Programa de formación médica continuada acreditado11(11), 625-633.
  • Gaviria, Mónica Marcela, Gonzalo Correa Arango, and María Cristina Navas. “Alcohol, cirrosis y predisposición genética.” Revista Colombiana de Gastroenterología 31.1 (2016): 27-35.
  • Fernández, Marlen Ivón Castellanos. “Nutrición y cirrosis hepática.” Acta Médica de Cuba 11.1 (2003).
  • Mesejo, A., M. Juan, and A. Serrano. “Cirrosis y encefalopatía hepáticas: consecuencias clínico-metabólicas y soporte nutricional.” Nutrición Hospitalaria 23 (2008): 8-18.
  • Ruiz-Margáin, A., et al. “Manejo dietético y suplementación con aminoácidos de cadena ramificada en cirrosis hepática.” Revista de Gastroenterología de México 83.4 (2018): 424-433.
  • Vilas-Rivas, María José, et al. “Recomendaciones al alta para pacientes diagnosticados de cirrosis.” ICUE. Investigación y CUidados de Enfermería 2.2 (2017): 45-49.