O que realmente são as células mãe e para que servem?

As células mãe apresentam um potencial enorme para decifrar incógnitas da ciência que até agora tem sido um desafio para o ser humano.

Hoje em dia não é raro escutar o termo células mãe, mas sabemos o que elas realmente são? As células mãe, melhor chamadas células tronco, são aquelas células que apresentam duas características essenciais:

  1. Capacidade de auto-renovação: ou seja, a capacidade de dar lugar a mais células mãe.
  2. Capacidade de se diferenciar em um ou mais tipos celulares.

Hoje contaremos a você tudo sobre essas células, desde sua função até seus usos. Não perca e confira as últimas novidades sobre esse tema conosco!

Diferenciação de células mãe

Várias células mãe

Se diferenciar não é mais do que o fato de adotar as características morfológicas e funcionais de um tipo celular em concreto. Este processo tem lugar quando a célula mãe adota a configuração genética característica da célula a qual vai se diferenciar. O objetivo é que somente se expressem os genes que dão lugar ao tipo celular específico.

Uma vez adotada a nova configuração genética, a célula mãe vai adquirindo as características da célula objetivo gradualmente. Depois de uma série de divisões celulares obteremos uma célula diferenciada completamente funcional.

Classificação das células mãe

Célula mãe

Uma das formas mais estendidas de classificar as células mãe é com base em seu poder de diferenciação. Existem quatro tipos:

  1. Células totipotentes. São as que apresentam um poder maior de diferenciação. Têm a capacidade de dar lugar a um organismo completo, incluindo as três capas embrionárias (endoderme, mesoderme e ectoderme), os tecidos que formam o saco vitelino e a placenta. A única célula mãe totipotente no ser humano é o zigoto, que se origina quando o óvulo é fecundado pelo espermatozoide.
  2. Células pluripotentes. São capazes de dar lugar a células das três capas embrionárias, mas não de formar um organismo completo. Por exemplo, uma célula mãe pluripotente pode se diferenciar para uma fibra muscular (tipo de célula derivada do mesoderme) ou a um dente (derivado da ectoderme).
  3. Células multipotentes. Neste grupo encontramos as células hematopoiéticas, neuronais e mesenquimais. Dão lugar a células de uma mesma capa embrionária. Uma célula mãe hematopoiética poderá se diferenciar para qualquer tipo de célula sanguínea: glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.
  4. Células unipotentes. São as de menor poder de diferenciação, podendo se diferenciar unicamente em um tipo celular. Um exemplo claro deste grupo seriam as células mãe da epiderme, que se encontram na capa basal de nossa pele.

Para que servem as células mãe?

Cientista estudando células mãe

O interesse das células mãe na medicina e na pesquisa está precisamente em sua capacidade de diferenciação.

Apresentam um potencial enorme para decifrar incógnitas da ciência que até o momento supõem um desafio para o ser humano. A seguir, expomos alguns exemplos:

  1. Melhorar o conhecimento do progresso de uma doença

Em uma infinidade de ocasiões conhecemos perfeitamente a origem de uma doença. Por exemplo, sabe-se que o Alzheimer é causado pela acumulação de certas proteínas que desestruturam a arquitetura cerebral. Porém, não sabemos como esse processo se desenvolve. 

Quando acontece? Porquê? Como afeta a funcionalidade neuronal nas primeiras etapas da doença? Todas estas perguntas poderiam ser respondidas graças às células mãe.

Ao diferenciar as células mãe a neurônios in vitro, pode-se conseguir reproduzir a doença de uma forma muito exata. Deste modo, seria revelado o que acontece ao longo deste processo patológico.

  1. Gerar células saudáveis para substituir células doentes. É o que se conhece como medicina regenerativa. Esta técnica poderia ser usada em uma infinidade de supostos. Por exemplo, quando uma pessoa sofre uma queimadura de terceiro grau é preciso fazer uma substituição da pele.

Ao usar as células mãe de sua própria pele, é possível gerar um novo tecido epidérmico com o qual substituir a região afetada.  

  1. Avaliar a eficácia de novos medicamentos.

Como todos sabem, os medicamentos precisam passar por muitos testes antes de serem comercializados. Um desses testes consiste em aplicar o medicamento em seres vivos.

Usando células mãe poderíamos gerar in vitro ambientes muito similares ao microambiente interno de um ser vivo onde testar o medicamento. Por exemplo, um medicamento para o tratamento de uma cardiopatia poderia ser testado previamente em tecido cardíaco gerado a partir de células mãe.

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