Os padrões de sono predizem doenças degenerativas

13 de abril de 2017
Um estudo de nossos padrões de sono, principalmente da fase REM, pode nos indicar se temos predisposição a sofrer determinadas doenças degenerativas, já que alguns são indicativos precoces

As mudanças ou padrões de sono predizem doenças degenerativas, principalmente na fase de movimentos oculares rápidos (REM, na sua sigla em inglês).

Neste artigo contaremos quais são os sinais que, de acordo com diferentes pesquisas, nossa forma de dormir nos manda.

O que são as alterações nos padrões de sono?

Homem com problemas de sono

Os transtornos do sono são todos os problemas relacionados com dormir e não só afetam pessoas com doenças neurodegenerativas como o Parkinson, a demência ou o Alzheimer.

Em todos os casos modificam o desenvolvimento habitual do ciclo formado pelo sono e pela vigília, e em algumas pessoas, interferem no funcionamento mental, emocional ou físico do indivíduo.

Os principais transtornos de sono são:

  • Apneia do sono (fazer pausas na respiração)
  • Enurese (urinar na cama, principalmente as crianças)
  • Insônia (sono não reparador, insuficiente ou intranquilo)
  • Síndrome de pernas inquietas (as extremidades se movem continuamente durante a noite)
  • Paralisia do sono (despertar na fase REM, quando o cérebro está ativo mas não o corpo, exceto os olhos)
  • Terrores noturnos (acordar de forma abrupta e aterrorizado)
  • Sonambulismo (caminhar ou fazer outra atividade enquanto dorme)
  • Narcolepsia (dormir em qualquer momento ou lugar, sem querer)

Também existem outros transtornos do sono menos recorrentes, como:

  • A hipersonia idiopática (alteração do curso normal do descanso e necessidade de dormir 4 horas adicionais durante o dia)
  • Hipersonia recorrente (episódios de sono de até 20 horas durante dias)
  • Insônia idiopática (transtorno neurológico do ciclo vigília/sono que apresenta problemas para acordar ou para regular o sono)

A fase REM e as doenças degenerativas

Homem dormindo

De acordo com um estudo do Serviço de Neurologia do Hospital das Clínicas de Barcelona, as condutas que temos em nossa fase REM de sono podem explicar ou alertar sobre certas doenças como, por exemplo, mal de Parkinson ou demência senil.

Aqueles pacientes que sofrem pesadelos sobre serem atacados ou perseguidos e se expressam com golpes, pontapés, gritos e choros quando atravessam a fase REM podem sofrer no futuro certos males neurodegenerativos causados pela falta de dopamina no cérebro.

Através de certos exames diagnósticos as pessoas podem ir a esta clínica e analisar o tipo de transtorno que lhes afeta e, o que pode significar para o seu futuro.

Estas análises são realizadas de forma ambulatória e no hospital mesmo, e se encarregam de comparar os comportamentos durante a fase REM com a possibilidade de sofrer algumas doenças.

Os transtornos no momento de dormir podem ser um sinal para evitar narcolepsia, acidentes cerebrovasculares ou inclusive doenças degenerativas ou sonolência. Também podem ser detectados problemas respiratórios como apneia ou roncos.

Os padrões de sono e as doenças neurológicas

Mulher que não pode pegar no sono

Além de oferecer aos pacientes uma unidade de Transtornos Respiratórios do Sono pertencente ao Serviço de Pneumologia, no Hospital Geral Universitário da Cidade Real é conduzida a jornada de Medicina do Sono onde se fala, por exemplo, da relação entre a epilepsia com os transtornos do sono.

De acordo com a neurologista Maria Gudin, é difícil diferenciar um episódio epilético com um problema no sono.

Sua colega Mercedes Muñoz indicou por outro lado que a doença de Parkinson (a segunda mais frequente entre as neurodegenerativas) é mais comum em pessoas que sofrem insônia, assim como também ansiedade e depressão.

  • A hipersonia aparece em 80% dos pacientes com Parkinson.
  • Os transtornos de conduta do sono na fase REM em pelo menos 40%.
  • A síndrome de pernas inquietas em 20%.

Isso significa que vários padrões na hora de dormir são frequentes nas doenças neurodegenerativas e isso repercute na qualidade de vida das pessoas.

Estes hábitos podem ser uma manifestação inicial da doença e por isso é importante abordá-los de um ponto de vista terapêutico.

Por outro lado, a Doutora Estefania Segura comparou os principais transtornos do sono com a aparição de doenças mentais: esquizofrenia, depressão, angústia estacional ou bipolaridade.

Todas elas se relacionam com problemas para dormir. O mesmo acontece com a ansiedade generalizada e o estresse pós-traumático.

Alterações do sono e Alzheimer

Um artigo publicado no portal dos Laboratórios Bagó, redigido pelos doutores M. Vitiello e S. Borson, afirma que o aumento da expectativa de vida está associado com uma maior quantidade de pessoas com demência em geral e doença de Alzheimer em particular.

O envelhecimento, o Alzheimer e as alterações do sono estão mais do que associados. Estes transtornos primários somados a uma predisposição genética e a fatores externos podem comprometer a qualidade de vida das pessoas.

Em muitos pacientes a interrupção do sono é determinante para interná-los. Nestes casos, as mudanças nas condutas ao dormir são muito maiores do que nas pessoas que não apresentam a doença.

As características do sono em indivíduos com Alzheimer são:

  • Aumento nos movimentos de despertar
  • Redução no sono de onda lenta e nos movimentos oculares rápidos
  • Sonolência durante o dia

O dano nos neurônios que nos mantém dormindo é a principal causa desta aceleração da doença do sono.

O hipotálamo e o relógio interno são os encarregados de que possamos dormir e despertar, mas nestas pessoas ambos não se sincronizam.

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