O “vendedor anônimo” só tinha oito canetas e uma filha faminta

· 31 de janeiro de 2019
Graças à solidariedade de milhares de pessoas, Abdul conseguiu uma vida digna para si mesmo e sua filha. Após sair desta situação de miséria, ele quer ajudar outras pessoas que estejam precisando de auxílio.

Os inocentes sempre sofrem as piores consequências das guerras. Quando não perdem a vida, se vêem na obrigação fugir de seus países para buscar refúgio em terras longínquas onde talvez possam encontrar um pouco de paz. Neste artigo, contaremos uma comovente história de um vendedor anônimo.

Atualmente o mundo vive um claro exemplo de pessoas que buscam refúgio, com os conflitos que assolam a Síria, país onde o número de mortos estimados está em 220 mil pessoas.

Pelo temor de perder a vida e ser mais um número no total de vítimas fatais, muitas pessoas fugiram com a esperança de encontrar um lugar melhor para viver e criar suas famílias.

A comovente história que queremos compartilhar hoje é a de um dos sobreviventes desta guerra. Ele agora está refugiado em Beirute, no Líbano, depois de fugir de seu lar em Yarmouk por medo do pior.

Trata-se de um pai solteiro conhecido como o “vendedor anônimo”. Seu verdadeiro nome é Abdul, cuja trajetória se tornou viral nos últimos dias por demonstrar que o amor é a força que pode tudo.

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A história do vendedor anônimo…

O “vendedor anônimo” refugiado em Beirute tinha apenas oito canetas de tinta azul e amor. Amor por sua filha de apenas 4 anos, que o acompanhou nesta luta para escapar dos conflitos de seu país.

Desde que chegou como refugiado nesta cidade, perambulou pelas ruas sempre protegendo seu tesouro mais precioso. Ele a abrigava durante a noite para proteger do frio e de pessoas ruins que se aproximavam.

Quando a menina abria os olhos e a luz do dia surgia, Abdul continuava vendendo a única coisa que tinha para conseguir um pouco de dinheiro para comprar alimentos para a filha: suas canetas.

Um ativista…

A expressão do rosto daquele homem angustiado chamou a atenção de um ativista de Oslo, Noruega, chamado Gissur Simonarson. Ele, sem imaginar o impacto que causaria, tirou uma foto da cena e a compartilhou nas redes sociais.

Em questão de minutos a fotografia viralizou. Assim, o mundo inteiro conheceu o homem que, em meio às dificuldades, tentava conseguir algo para sua filha.

O "vendedor anônimo" só tinha oito canetas e uma filha faminta

Gissur não imaginou que poderia mudar a vida daquele homem com a fotografia, mas reconhece que a imagem é muito comovente e, por isso, causou nele um impacto emocional.

Foi assim que uma imagem fez com que milhares de pessoas refletissem sobre o tema. Foi considerada inclusive uma das mais representativas imagens da história atual de conflitos.

A boa notícia é que nem tudo se limitou a simples mensagens e comentários nas redes sociais. Imediatamente começaram a chegar milhares de solicitações de pessoas que queriam ajudar aquele homem que demonstrou o que faz o amor de um pai.

Milhões de pessoas aproveitaram as redes sociais para se unir com o objetivo de encontrar o “vendedor anônimo”. Isso pois naquele momento ninguém sabia qual era o seu paradeiro.

A história do vendedor anônimo é um exemplo de amor e duras realidades enfrentadas no mundo, mas também de união e compaixão.

União por uma causa

Depois de dois dias de buscas intensas, Gissur finalmente conseguiu encontrar Abdul. Assim, pode ajudá-lo com o apoio dos que se uniram à causa.

Através do Twitter, o ativista estabeleceu o objetivo de arrecadar 5 mil dólares para ajudar o homem e sua filha. Mas, para sua surpresa, a cifra foi alcançada em apenas 30 minutos, e no total conseguiram arrecadar 80 mil dólares.

Esta cifra significou um novo começo para Abdul, que explodiu em lágrimas quando ouviu a notícia.

O "vendedor anônimo" Abdul e sua filha

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No entanto, Abdul é apenas um dos quatro milhões de refugiados que escaparam desta guerra brutal. É um sobrevivente que demonstra que as pessoas inocentes são as que mais estão sofrendo com as terríveis consequências.

Ele agora tem um teto digno para começar uma nova vida com sua filha, e ela poderá ir à escola. Além disso, durante as entrevistas, ele manifestou que seu desejo é ajudar outros refugiados com o dinheiro que foi doado a ele.

“Agradeço a todos pela generosidade, mas principalmente por colocarem novamente um sorriso no rosto de minha filha…” expressou Abdul, um homem honrado de 35 anos que deixou tudo em seu país de origem para manter a salvo sua amada filha.

  • ACNUR. (2017). Tendencias globales. Desplazamiento forzado en 2017. Tendencias. Volumen II.
  • Espinar Ruiz, E. (2010). Migrantes y refugiados: reflexiones conceptuales. OBETS: Revista de Ciencias Sociales. https://doi.org/10.14198/OBETS2010.5.1.03